Empresas terão notas fiscais com dois dígitos rejeitadas a partir da próxima sexta
A partir de 1º de agosto, a identificação das mercadorias comercializadas com a utilização de Nota Fiscal eletrônica (NF-e) modelo 55 deverá conter o código completo correspondente, de acordo com a classificação estabelecida na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). A regra está prevista no Ajuste SINIEF 22/13, publicado em dezembro do ano passado, e vale para todas as operações realizadas com notas fiscais eletrônicas, independentemente do tipo de estabelecimento.
“Não será mais aceita a possibilidade de informar apenas o capítulo (dois dígitos), prática que inviabilizará a emissão das notas fiscais”, alerta o administrador de empresas Edgar Madruga, coordenador do MBA em Contabilidade e Direito Tributário do Instituto de Pós-Graduação (IPOG).
Embora não se possa mensurar a quantidade de empresas que ainda não atendeu à nova determinação, ele argumenta que o desafio maior está na qualificação de quem irá executar a correção desta informação.
“O NCM não é um mero conjunto de números aleatórios. Em grande parte das situações pode levar ao pagamento incorreto de impostos, seja para mais ou menos, pois diferentes tributações e benefícios fiscais estão ligados a determinadas NCM”, explica Madruga.
Segundo ele, a menção de códigos errados no documento fiscal está sujeita a malhas fiscais e autos de infração, dado que esta informação vai imediatamente para o Fisco a cada emissão de nota fiscal eletrônica. “Portanto, todo produto cadastrado como disponível para venda deve ser revisado quanto a este cadastro específico antes de se emitir uma nota fiscal”, orienta o especialista.
A reforma tributária
O Brasil é um país onde qualquer pequeno problema pode transformar-se numa grande paixão. Inventa (ou copia) uma ideia. Com um pouco de “bate-caixa” transforma-a num modismo. Com um pouco mais de esforço consegue-se colocá-la na Constituição. Aí pronto. Está tudo resolvido! Basta uma lei complementar para regulá-la e a Nação encontrará o caminho da felicidade. Se possível sem trabalho, como no “Pays de Cocagne”…
Talvez haja algum exagero nessa descrição. Mas não será muito. É o caso, por exemplo, do imposto sobre as “grandes fortunas”. O texto constitucional diz: “Art.153. Compete à União instituir impostos sobre: VII – grandes fortunas, nos termos de lei complementar”.
O cidadão brasileiro imagina que esse item (como tudo o mais do sistema tributário) foi produto de uma longa e meditada discussão, onde se ouviram professores de finanças, historiadores, economistas etc. Está convencido de que tal “proposição” foi produto de uma análise cuidadosa das experiências de outros países: que representa a “última palavra” em termos da Justiça Tributária. Tem certeza de que os técnicos nacionais e estrangeiros convocados pela Constituinte foram ouvidos com atenção e mostraram conclusivamente que: 1) Quase todos os países estão adotando impostos sobre as “grandes fortunas”. 2) todo sistema tributário moderno apoia-se sobre esse tipo de imposto.
A verdadeira história daquele dispositivo é a seguinte: como não havia a menor certeza sobre ele; sobre o que significava; sobre o que pretendia; se era uma necessidade ou um ato de vontade, estabeleceu-se uma polêmica. Para alguns, ele parecia um “avanço”, pois um imposto sobre as “grandes fortunas” há de ser um “avanço”.
Por outro lado, não parecia tão fácil saber em que direção era o “avanço”. Logo, acordou-se o seguinte: como a Constituição não pode esperar porque o povo está lá fora reclamando que aqui não trabalhamos, vamos acolher a ideia, mas acrescentar “de acordo com lei complementar”, porque isso dará tempo para que se estude melhor a sugestão. Em poucas palavras: vamos empurrá-lo com a barriga para ver como é que fica…
É claro que um imposto sobre o patrimônio pode ser um complemento para dar maior Justiça Tributária ao Imposto de Renda. Mas é claro, também, que ele apresenta problemas graves e sua implementação é duvidosa. Não há nada que uma regulamentação adequada do Imposto de Renda não possa fazer com maior justiça e com maior eficiência.
O nível de renda pode não ser uma medida exata da capacidade de pagar. Um cidadão com uma renda de trabalho de 100 e outro com uma renda de capital de 100, obtida com um patrimônio de 1.000 não têm, claramente, a mesma capacidade de pagar, pois o patrimônio dá ao segundo maior segurança e maiores oportunidades. O que o imposto sobre o patrimônio líquido pretende é maior equidade horizontal. É por isso que nos países europeus onde ele tem tradição (Alemanha, Dinamarca, Noruega, Holanda, Suécia e França) a sua alíquota é extremamente baixa (a mais alta taxa marginal não passa de 2,5%) e a sua importância na receita geral é desprezível (em torno de 1%).
Em 1974, o Partido Trabalhista tentou implementá-lo na Inglaterra. O resultado dos estudos foi muito duvidoso: depois de um ano de trabalho, a comissão apresentou um relatório em quatro volumes com mais de 2 mil páginas e as conclusões se resumem a dois parágrafos, porque não se chegou a um consenso. O imposto foi esquecido.
A confusão aumenta quando as pessoas imaginam que o imposto sobre as “grandes fortunas” vai cumprir um papel de distribuição da propriedade, pois seu pagamento obrigará a venda do patrimônio para satisfazê-lo. O imposto sobre o patrimônio líquido não tem essa função em nenhum país em que está instituído (menos de 20). Se esse for o objetivo, o imposto será um desastre, pois teria efeitos catastróficos sobre o nível de poupança e de investimentos privados. Acabará por prejudicar o desenvolvimento econômico e, portanto, tornando os pobres ainda mais pobres. Se o objetivo for diminuir as desigualdades, o que é muito saudável e civilizado, existem meios mais eficientes para fazê-lo e que não comprometem o processo produtivo.
Novo Simples só vale para empresa com folha de salários alta
Apenas empresas com uma folha de pagamento alta em relação a seu faturamento devem se beneficiar com a inclusão de novas categorias no Simples (regime de tributação simplificado para micro e pequenas empresas).
A medida, que permite que 140 novas categorias entrem nesse sistema, foi aprovada pelo Senado no dia 16 e aguarda sanção presidencial.
Pela lei aprovada, companhias de setores como medicina, engenharia e arquitetura que faturam até R$ 3,6 milhões poderão entrar no Simples. Mas isso pode significar o pagamento de impostos ainda maiores.
Isso acontece devido às alíquotas mais altas que serão cobradas dessas novas categorias. Para elas, foi criada uma nova tabela em que a tributação varia entre 16,92% e 22,45% do faturamento (a alíquota aumenta conforme os ganhos crescem). Nesse valor já são inclusos encargos previdenciários, como a contribuição patronal ao INSS.
Na opção do pagamento de tributos pelo sistema do lucro presumido, do qual a maioria das empresas poderia migrar, é cobrada uma taxa calculada a partir de uma tabela de lucro estimada para seu setor de atuação. No caso dos prestadores de serviços, ela fica em torno de 16,3%, mas sem incluir os encargos previdenciários.
Como a nova tabela do Simples parte de um valor maior do que esse, a única forma de o regime valer a pena é a companhia pagar tributos altos relacionados à folha de pagamento.
vale a pena?
No quadro ao lado, simulações ilustram uma situação em que o Simples é a melhor opção e outra em que ele perde para o lucro presumido. No caso em que ele é o mais adequado, a folha de pagamento da empresa equivale a 25% do faturamento.
Além do valor do imposto a ser pago, o empresário também deve considerar que, quando opta pelo Simples, tem uma diminuição de custos com a redução da burocracia e o envio de informações, diz Julio Durante, consultor do Sebrae-SP.
“Há um custo intangível de estar fora do Simples, pois as obrigações acessórias de outros regimes são muitas, como o preenchimento e envio de diferentes formulários em datas diferentes.”
As empresas podem começar a pagar seus impostos pelo Simples a partir de 2015.
O governo estuda a possibilidade de revisar as tabelas de tributação do Simples Nacional. Para isso, a Secretaria da Micro e Pequena Empresa contratou quatro instituições de ensino e pesquisa, como antecipou a Folha em junho.
Elas devem apresentar um estudo sobre quais seriam as melhores alíquotas para garantir, ao mesmo tempo, desoneração tributária para pequenas empresas sem causar prejuízos a arrecadação fiscal. O prazo para conclusão do estudo é de 90 dias após a sanção da lei.
ESocial vai pôr fim às obrigações acessórias, como Sefip, Caged, Rais, holerite e parte do Dirf
O Sebrae-SP – Escritório Regional do Grande ABC, em parceria com o Sescon-SP (Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de São Paulo), realizou na quarta-feira (dia 23) uma apresentação sobre o Impacto do eSocial nas micro e pequenas empresas. O evento foi gratuito e presenciado por 62 pessoas, a maioria encarregados de empresas de contabilidade.
A palestra foi ministrada pela dupla de especialistas Márcio Massao Shimomoto, vice-presidente do Sescon-SP; e Wilson Gimenez Júnior, vice-presidente administrativo do Sescon-SP; na sede do Sest Senat (Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte), em Santo André.
O eSocial é um projeto do governo federal para unificar o envio de informações trabalhistas e previdenciárias. Segundo os palestrantes, trata-se de uma revolução digital que afetará empregados, empregadores, contratantes, contratados e suas relações com o governo.
“Todo o relacionamento dos Departamentos Pessoais das empresas com a Caixa, Receita, INSS e Ministério do Trabalho será digital. Não haverá mais papel”, eles informaram.
As obrigações acessórias como Sefip (sistema Empresa de Recolhimento do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), Rais (Relação Anual de Informações Sociais), Dirf (Declaração sobre Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – parte) e holerites vão acabar.
“A carteira profissional, como a conhecemos hoje, deixará de existir. Ela se transformará em um cartão, semelhante aos usados pelos clientes de bancos.”
De acordo com os vice-presidentes do Sescon-SP, o tipo de controle que será colocado em prática pelo eSocial trará mais garantias e direitos trabalhistas e previdenciários, vai racionalizar as obrigações, aprimorar a qualidade das informações (em relação a cargo, função e horários de trabalho). “E, principalmente, irá combater a sonegação e aumentar o bolo da arrecadação”, afirmaram.
Hoje, segundo Shimomoto e Gimenez, as fraudes, relacionadas com seguro desemprego e abono salarial atingem R$ 1 bilhão; há um montante de R$ 2 bilhões de FGTS sob ação fiscal (ou seja, sem recolhimento), em um cenário com 30% de profissionais autônomos informais (sem qualquer registro).
O eSocial deve entrar em testes a partir do ano que vem (2015). Sua implantação definitiva está prevista para 2016.
Pequenas e médias empresas resistem à crise e pagam mais impostos
O baixo crescimento da arrecadação federal no primeiro semestre, de apenas 0,28% acima da inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), não se deve ao desempenho de todos os setores da economia. De acordo com a Receita Federal, a queda na arrecadação está sendo puxada pelas grandes empresas, principalmente do setor financeiro. Ainda com lucros maiores em relação ao ano passado, as pequenas e médias empresas continuam a pagar mais impostos em 2014.
Segundo o Fisco, o pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das empresas que declaram pelo lucro presumido – modalidade que abrange as menores companhias – cresceu 6,38% acima da inflação no primeiro semestre, de R$ 22,32 bilhões nos seis primeiros meses de 2013 para R$ 23,74 bilhões em 2014. O pagamento com base na estimativa mensal de lucro, que abrange as maiores empresas, caiu 14,29%, também descontado o IPCA, de R$ 55,49 bilhões para R$ 47,56 bilhões na mesma comparação.
A queda do pagamento de tributos pelas grandes empresas foi puxada pelas entidades financeiras, cuja estimativa mensal de IRPJ e CSLL caiu 32,77% neste ano descontada a inflação, de R$ 22,14 bilhões para R$ 14,88 bilhões. Contribuiu para a diferença o pagamento de R$ 3 bilhões de Imposto de Renda decorrente da oferta inicial de ações na bolsa de valores da BB Seguridade, unidade de seguros do Banco do Brasil. O desembolso, que inflou a arrecadação federal em maio do ano passado, não se repetiu em 2014.
Como as grandes empresas são as principais pagadoras de tributos no país, esses fatores frearam o crescimento da arrecadação em 2014. De acordo com o Fisco, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido são os tributos cuja receita mais caiu em 2014: R$ 4,49 bilhões em valores corrigidos pela inflação acumulada.
Em relação às pequenas e médias empresas, parte do desempenho favorável está relacionado à manutenção do consumo, apesar da desaceleração da economia. De dezembro de 2013 a maio de 2014, as vendas cresceram 1,71% em relação ao mesmo período anterior (dezembro de 2012 a maio de 2013), de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O fenômeno beneficia principalmente o comércio, ramo que abriga a maior parte das empresas de pequeno e médio porte.
Tradicionalmente, o crescimento das vendas seria refletido em maior arrecadação de outros tributos, como o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) . No entanto, em 2014, os dois tributos acumulam queda real de 2,54% – R$ 3,2 bilhões em valores corrigidos pelo IPCA.
A queda na arrecadação desses dois tributos, no entanto, não se deve ao comportamento do comércio, mas às mudanças no PIS/Cofins das mercadorias importadas, que tiveram o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) retirado da base de cálculo por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado.
Brasil falha por excesso de governo e povo acomodado
Após palestra no Conexão Empresarial, da VB Comunicação, o doutor em economia Paulo Rabello disse, em entrevista a O TEMPO, que o Brasil sofre de um apagão de iniciativas e que o governo fica “como um técnico meio apalermado na beirada do campo”.
Na sua opinião, por que o Brasil falha?
O Brasil falha por excesso de governo e povo acomodado com a “canga” de impostos e de incompetência governamental que carrega. Se o Brasil quiser deixar de falhar e começar a triunfar, a gente tem que tirar a canga do lombo do boi, e o boi tem que virar cidadão.
Como se faz para tirar essa canga?
Tem que votar certo. Não é necessariamente neste ou naquele nome, ele tem que buscar quem repercute um saber, fazer e planejar com um grau razoável de certeza. Esse é o começo. Em seguida, é preciso colocar o povo todo envolvido no processo, e a única maneira de fazer isso é o povo participando dos frutos do progresso, seja por meio da educação – que já seria maravilhoso colocar uma educação padrão Fifa funcionando –, e uma saúde que não deixe ninguém pendurado na fila. Então são medidas inteligentes capazes de dar ao Brasil a chance de um novo começo.
Votar certo é votar na manutenção desse governo atual ou mudar a cara do governo?
Não é o governo que precisa mudar, o Brasil oficial precisa mudar. Nesse sentido, existe um arco de continuísmo que vem do Fernando Henrique Cardoso e desde antes dele, passando pelo Lula. De uma certa forma, embora oposição hoje, eles fazem parte de uma mesma governança do Brasil antigo. Na medida em que esses governos prometem que vão continuar na antiguidade, na velharia, na mesmice, nós só podemos esperar o mesmo resultado, que éo Brasil crescendo pouco, as máquinas de crescimento não funcionando, enferrujadas, e a gente pagando excesso de manutenção.
Por que, para o senhor, é bendita essa derrota do Brasil na Copa?
Não poderia ser melhor, e o lugar não poderia ser mais perfeito. Minas Gerais é o centro dos acontecimentos políticos, a derrota por 7×1, do jeito que foi, virou um evento político da maior importância para os próximos cem anos no Brasil.
A seleção brasileira é reflexo do mal-estar da sociedade brasileira. Não é à toa que, entre 1958 e 1970, independentemente de ser democracia com Juscelino Kubitschek ou ditadura fechada, o fato é que o Brasil mostrava desempenho na economia. A seguir, o país perdeu esse desempenho por fatores internacionais, e nuncamais se achou, salvo brevemente no Plano Real.
Por que o “Mineirazzo” é uma representação do nosso estado de coisas?
Porque o Brasil sofre de um apagão de iniciativas muito semelhante ao da seleção brasileira. O governo fica como um técnico meio apalermado na beirada do campo tentando emitir instruções de última hora, assim como o governo nessas últimas administrações tem vindo com pacotaços, plano Brasil isso, plano Brasil aquilo, que são remendinhos ou remendões, alguns até bem-orientados, mas são remendos, não são pensar novo. Nem a atual estrutura política permite isso, daí a necessidade de haver uma troca de geração, a velharia tem que pular fora.
Falando em legislação tributária, o governo é nosso maior sócio?
Sócio majoritário porque ele não pergunta se o empresário lucrou, se a família teve um saldo de poupança, ele (o governo) mete a mão na frente, mete a mão na sua renda bruta, na renda bruta empresarial e na renda bruta salarial. Depois, se você pensa que parou de pagar, está iludido, é na hora que você entra no supermercado, no shopping, na casa de material de construção, no serviço público, no acender a luz da casa, no botar combustível no automóvel,é que você vai pagar muito mais.
Muito mais do que em qualquer outra sociedade em desenvolvimento?
Sim, e por meio dos impostos maus, dos impostos indiretos, já que o pobre paga relativamente mais do que o mais rico porque a alíquota é a mesma para ambos, mas o pobre é mais dependente desses artigos de consumo.
E o que é preciso fazer?
Primeiro, reconhecer que a máquina pública está viciada, então qualquer tentativa de agir de modo curto e seco, cortando pela metade essa vasta intromissão tributária, vai dar uma revolução sangrenta, o brasileiro não precisa fazer isso. Existe uma maneira gradual de implementar a mudança, que é pela aglutinação de categorias. Exemplo: juntar numa só categoria o PIS e a Cofins, a Cide e o IPI, junto com o próprio ICMS.
Na segunda etapa, fazer esse novo imposto de circulação de mercadorias e serviços um único tributo, como nos outros países.
O senhor diz que o governo virou uma peixaria. Por quê?
O governo distribui cerca de 60 milhões de cheques mensalmente dentro dos programas sociais e dos pagamentos regulares, inclusive, de salários e aposentadorias.
O cidadão passa a ficar viciado naquela forma de auxílio, esse é o mal. Claro que quando se trata de uma aposentadoria ou pensão, ela é permanente.
Isso garante a manutenção de quem está no poder?
Ah, sim, cria-se um mecanismo de controle político, não é voto certo. Espero que não seja, mas cria-se uma dependência, não resta a menor dúvida.
O Minha Casa, Minha Vida está sendo um bom negócio?
Leva a casa e paga a vida inteira. Foi melhor ter o programa do que não ter, mas ele é cheio de buracos e merece uma reavaliação crítica para melhorar, a começar até da própria disposição físico-urbana, que mais se parece com um campo de concentração. O governo jamais apoiaria no setor privado um loteamento daqueles, que não dispõe de área comercial. Número dois: do ponto de vista financeiro, é difícil viabilizar qualquer coisa num país que pratica a taxa de juros mais elevada do mundo. Mesmo que haja subsídio, o brasileiro vai carregar pagando com a vida. É duro ver a juventude sendo, de certa forma, já aprisionada naquele compromisso financeiro.
O senhor utiliza a expressão “manicômio tributário e selva burocrática”. Vamos sair dessas camisas de força algum dia?
Sim, e muito rápido, se o próximo governante tiver disposição para tal. Mas é uma guerra sem quartel. Quanto ao manicômio tributário, é enfrentar a questão tributária com a serenidade de quem olha pros lados, constata que o Brasil é um segregado, um excluído no conjunto das nações, porque pratica uma forma de extração de tributos, que em nenhum outro lugar do mundo existe, quer desenvolvido, quer em desenvolvimento, não tem. Só nós.
Qual é a sua análise do governo Dilma, o que foi e o que poderia ter sido?
Eu diria, numa linha, que, enquanto governo, se caracterizou por estar terminando sem nem ter começado. Ela (Dilma) não começou, está treinando. Seguiu um script que já não era mais para ela. É lamentável, porque é como se fosse um ator que, quando recebeu a parte dele na peça, estava trocada. E quando subiu ao palco, a fala dele não correspondia nem ao momento nem ao personagem e ele ficou ali falando.
Da economia mineira, qual análise pode ser feita?
Minas tem uma condição singular, porque é mais do que qualquer outro Estado, uma redução do quadro brasileiro, no sentido de que é um extrato, um perfume, um sumário do que nós temos de melhor e das nossas piores contradições. Por aqui, passa uma agropecuária pujante, passa um setor mineral que dispensa maiores apresentações, não incluindo petróleo, porque aí já seria demais. Tem um setor industrial manufatureiro forte.
A economia mineira ultrapassou as montanhas ou precisa sair mais?
Precisa virar uma plataforma mundial. Acho que a mineirice é o princípio desse novo começo. Minas Gerais tem que estar à altura dessa missão que lhe é historicamente confiada. Daqui surgiu Tiradentes, não foi de outro lugar, daqui surgiu protesto, a busca do novo.
A contabilidade na Construção Civil
O setor da construção civil será o mais afetado quando, no segundo semestre de 2015, for implantado o eSocial. Isso porque é o ramo econômico que mais emprega no país. Mas, antes da implantação do eSocial – no curto prazo – será necessário conhecer todas as obrigações que envolvem o envio de informações, readaptações de sistemas, mapeamento de rotinas e responsabilidades. No longo prazo – após a implantação e consolidação das informações – será possível identificar uma melhora nos processos, já que haverá o envio de dados para um único canal de informações.
De acordo com a especialista no caso, Zenaide Carvalho, o trabalho vai envolver uma atenção especial por parte dos contabilistas. “ O caminho requer o envolvimento de todos os responsáveis dentro da empresa de construção civil, principalmente pelos contadores”.
O eSocial envolverá a todos na empresa, desde a alta administração até os trabalhadores próprios e terceirizados. É necessário conhecer desde já o tema a fim de mudar a forma de enviar informações ao governo. “No âmbito administrativo das empresas todos os setores estarão envolvidos para envio dos dados, desde o setor de contratações de mão de obra, passando pelo setor fiscal, contábil, segurança do trabalho, etc”, refere-se Zenaide.
Vista a necessidade de aprofundar o assunto, será realizado em Florianópolis, no CRCSC, nos dias 20 e 21 de agosto o I Fórum da Contabilidade na Construção Civil. Zenaide Carvalho, administradora, contadora, especialista em auditoria e controladoria, graduanda em Direito do trabalho e Pedagogia Empresarial, estará abordando o tema: eSocial – Desafios para o setor da construção civil.
Além dela, veja quem estará palestrando neste evento que envolve a contabilidade e a construção civil:
Germano Rigoto – Economista, Ex-Governador do Rio Grande do Sul
Palestra: Cenário Econômico Atual e Perspectivas do Setor Imobiliário e da Construção
Paulo Joní Teixeira – Conferencista e especialista tributário para construção civil
Palestra: Contabilidade/ Tributação das Empresas de Construção Civil
Hélio Bairros – Empresário da Construção Civil; Mestre em Gestão Estratégica de Organizações
Palestra: A Construção Civil diante da Macro Economia
Márcia Tschumi – Arquiteta; Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil
Palestra: Regularização de Obras
Ainda, no final do primeiro dia de evento o público vai assistir um show Stand up, com o ator comediante Diogo Portugal. E no dia 21, encerrando o evento, um coquetel de queijos e vinhos.
Este evento é voltado para empresários do ramo de todo o país.
As inscrições estão abertas
(48) 3222-1409
Inscrições para o IX Encontro Nacional de Coordenadores e Professores do Curso de Ciências Contábeis
O IX Encontro Nacional de Coordenadores e Professores do Curso de Ciências Contábeis. Realizado pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e organizado pela Academia Brasileira de Ciências Contábeis (Abracicon), o Encontro será realizado na sede do CFC, em Brasília-DF, nos dias 16 e 17 de setembro.
O principal objetivo do evento é aproximar o CFC e as demais instituições que contribuem com a formação profissional dos contadores brasileiros da realidade das IES que ministram o curso de Ciências Contábeis, com a finalidade de discutir a qualidade do ensino, as tendências da profissão e os principais desafios atuais dos cursos.
“Nessa última década, nós demos um grande impulso na profissão, e foi, em grande parte, por causa da nossa aproximação com a academia que isso aconteceu”, afirma o presidente do CFC, José Martonio Alves Coelho, ressaltando a importância do Encontro Nacional de Coordenadores e Professores do Curso de Ciências Contábeis.
As inscrições para o evento podem ser feitas na página do IX Encontro: http://www.cfc.org.br/sites/ixencpccc/index.html.
O evento, que conta com o apoio da Fundação Brasileira de Contabilidade (FBC), irá discutir temas como “O Desempenho dos Estudantes de Ciências Contábeis no Exame de Suficiência”, “Ministério da Educação/Banco Mundial/International Accounting Education Standards Board/Conselho Federal de Contabilidade – Panaroma Global do Curso de Ciências Contábeis” e “Adaptação dos Cursos de Ciências Contábeis ao Ensino do IFRS”, entre outros.
Histórico
Em 2014, o Encontro volta a ser realizado em Brasília, após ocorrer em algumas capitais brasileiras.
Promovido pelo CFC, anualmente, a partir de 2006, as duas primeiras edições do Encontro foram realizadas no auditório do Conselho Federal, em Brasília-DF. Em 2008, o evento ocorreu em Gramado-RS, como parte da programação do 18º Congresso Brasileiro de Contabilidade (CBC).
Em 2009 e em 2010, as duas edições do evento voltaram a ser realizadas na sede do CFC. Já o VI Encontro ocorreu no auditório da Universidade de Fortaleza (Unifor), na Capital cearense.
Em 2012, ano da realização do 19º Congresso Brasileiro de Contabilidade, o VII Encontro foi introduzido na programação do Congresso, ocorrido em Belém-PA.
No ano passado, o VIII Encontro Nacional de Coordenadores e Professores do Curso de Ciências Contábeis teve como sede o Teatro Bourbon Country de Porto Alegre-RS.
Problema em convênio da Caixa com empresas afeta pagamento do PIS
Um problema no sistema da Caixa Econômica Federal deve prejudicar o pagamento do Programa de Integração Social (PIS) a trabalhadores que teriam direito a receber o benefício referente a julho de 2014.
Os afetados são funcionários de empresas que têm convênio com a Caixa para creditar o PIS no contracheque. Quem saca o PIS diretamente nos terminais da Caixa, com o cartão do cidadão, está recebendo o benefício normalmente.
ZH Explica: o que é o PIS e quem tem direito.
Tire suas dúvidas sobre o PIS.
ZH apurou que empresas não receberam da Caixa a documentação necessária para a liberação dos recursos em prazo que permitisse o pagamento na folha de agosto. O atraso no envio dos arquivos pautou fóruns da área contábil na internet. Profissionais de departamento pessoal de diversos Estados reportaram problemas e reclamam da falta de informação sobre o cronograma, o que impossibilita dar orientações aos funcionários prejudicados.
“Acabei de receber um telefonema da Caixa avisando que estão com problemas (novidade!) nos arquivos e que não serão liberados os recursos! A empresa não deve fazer os créditos do abono, só será liberado outro calendário para Setembro!! Os funcionários vão nos matar, pois não será emitido nenhum ofício explicando o fato”, diz uma analista de pessoal de Juiz de Fora (MG). “A Caixa está recebendo os arquivos zerados, como se não houvesse empregados para receber o abono. Pediram para aguardar até o final do mês. Não consigo acreditar que a liberação seja feita para o pagamento dentro do contracheque de julho”, comenta outra profissional, de Sapiranga.
Até as 18h desta quinta-feira, a assessoria de imprensa da Caixa ainda não havia retornado o pedido de esclarecimento encaminhado pela reportagem.
Quem tem direito ao PIS?
Trabalhadores cadastrados no programa há pelo menos cinco anos, que exerceram atividade remunerada em 2013, durante pelo menos 30 dias, consecutivos ou não, e que receberam remuneração bruta mensal média de até dois salários mínimos (R$ 1356) em 2013. O valor do benefício é de um salário mínimo (R$ 724).
Como funciona o pagamento?
O trabalhador tem direito a receber o abono de acordo com sua data de nascimento, conforme o cronograma fixado pela Caixa. É possível sacar o benefício nos terminais da Caixa e na rede conveniada com o cartão do cidadão ou em qualquer agência da Caixa, mediante apresentação de RG e CPF. Correntistas da Caixa podem receber por meio de crédito em conta. Funcionários de empresas que mantêm convênio com a Caixa têm o valor creditado automaticamente no contracheque.
Startups: novo conceito de empreendedorismo
Um aplicativo que possibilita comprar diretamente pelo Instagram e outro que traduz para deficientes auditivos frases completas, faladas pelo celular. Arco.vc e Handtalk são alguns exemplos de Startups genuinamente brasileiras que resolvem problemas cotidianos. “Os criadores deles acharam um problema e foram solucionar. Antes da ideia do app, se pergunte qual o problema”, ensina Guilherme Junqueira, diretor executivo da Associação Brasileira de Startups, primeira organização nacional de Startups no País.
O problema pensado pelos desenvolvedores de Fortaleza, Rômulo Matos, 29 anos, e Jouderian Nobre, 23 anos, foi localizar estabelecimentos em tempo real. Apresentando a Startup Vibezone na 3º Campus Party Recife, eles contam que realizaram pesquisas antes do lançamento do aplicativo e concretização da ideia. “É um aplicativo formado em sistemas de informações, para você fazer chek-in, ver os lugares recomendados”, pontua.
Embora pareça “fácil”, a realidade das Startups não é animadora, nove em cada dez Startups quebram, explica Guilherme. “O que é preciso é distinguir persistência de insistência, 66% das Startups que atingiram o sucesso mudaram drasticamente seus planos iniciais. O que importa é ir direcionando o plano de acordo com o caminho. Se você levar um tombo, levanta mais esperto “, aconselha.
Para Guilherme, quem quer criar uma Startup tem que começar lendo sobre o assunto e aproveitando a Internet, as ferramentas que ela fornece. “Você não precisa pensar que sua ideia tá pronta, ela é construída ao longo do tempo. Não dá pra colocar as “telhas” sem as “paredes”, avalia.
Conceito
Startups são um tipo peculiar de empresa com custo de manutenção mais baixo e que consegue crescer e gerar lucros rapidamente. “São projetos de fase inicial com elementos de inovação. Um grupo de pessoas pode se juntar para fazer um negócio para diferentes pessoas, de diferentes locais”, explica Guilherme.
Startups & Makers
Uma das novidades da Campus Party Recife 2014 é a área de Startups & Makers, onde foram selecionadas 60 empresas de 160 inscritas para apresentarem seus trabalhos. Ao longo da feira, as 16 melhores (duas de cada área) vão fazer parte do Células Empreendedoras, programa de extensão que envolve ações de pesquisas nas áreas de Negócio, Economia Criativa e Inovação na Educação. “O espaço cria um ecossistema para ajudar as consolidadas e as em formação expansão de ideias”, disse o gestor da Células Empreendedoras, Genésio Gomes.
Serviço
Associados da Associação Brasileira de Startups podem se cadastrar no site e receber consultorias. O valor é R$ 99 por ano.
http://www.abstartups.com.br/