Como buscar investimentos para o seu negócio
O primeiro passo para quem precisa buscar investimento para seu negócio é conhecer as opções que o mercado tem para oferecer. Essas opções aumentam a cada dia e é necessário estudar em profundidade as vantagens e desvantagens de cada uma, levando em conta o objetivo para o qual o recurso será destinado.
É comum observarmos empreendimentos que não deram certo em função de um investimento impróprio ou captação mal planejada. Este é um tipo de decisão para a qual não se deve poupar esforços de análise, principalmente dos riscos envolvidos.
Um projeto, com previsão de cenários, nesse caso, é um bom ponto de partida. Não há como fugir de planejamento estratégico, planos de negócio e análises de viabilidade financeira. Ferramentas imprescindíveis, não só para fundamentar uma decisão de investimento, como para conseguir credibilidade no processo de captação no mercado, seja através de instituições financeiras ou de potenciais parceiros para o negócio.
As instituições financeiras oferecem uma série de linhas de crédito e fundos de investimento, com diferentes propósitos e critérios, voltados para a estruturação de um novo negócio; ampliação de atividades, bens ou operações; reestruturação financeira; negociação de recomposição de dívida entre outros.
Para pedir dinheiro, há uma série de obrigações a cumprir, regulamentadas e acompanhadas, rigorosamente, pelo sistema financeiro. Sua reputação conta muito, inclusive a sua trajetória organizacional, seriedade e idoneidade corporativa.
É necessário comprovar que a empresa está preparada para honrar o investimento hoje e no futuro. Mesmo o novo empresário, que ainda está estruturando seu negócio, precisa demonstrar que a sua conduta está suportada por boas práticas organizacionais e de governança.
O investidor quer transparência e transparência só existe onde há organização, controle e fidedignidade. Não importa o tamanho, o tipo ou a situação do negócio. A reputação é a melhor moeda.
Presença do contador na empresa é fundamental
Desde que começou a tomar conta do próprio negócio, há 25 anos, o empresário Paulo Roberto Carnaval conta com o auxílio de um contador para administrar suas finanças. Proprietário de dois postos de gasolina no Recife, ele explica o que o levou a contratar os serviços de um escritório de contabilidade: “Não tem como ter uma empresa sem contador.
Tem que haver um profissional com habilidade para cuidar da parte fiscal, contábil e da folha de pagamento. É a pessoa que conhece o lado econômico da empresa. E tem que haver uma transparência muito grande entre ambas as partes, para que ele possa orientar direitinho, fazer a contabilidade correta. E é preciso confiar muito nele e ele, em você”, declara. E é justamente hoje que esse profissional comemora o seu dia. Um especialista de presença fundamental nas empresas, cuja ausência pode “se tornar um pesadelo”, segundo a diretora da Prolink Contábil, Fernanda Spadoni.
Muitos empreendedores acreditam que vão conseguir resolver as questões fiscais e contáveis internamente, diz Fernanda. “Esse é o grande problema, porque vivemos em um país que tem várias regulamentações, leis, enquadramentos e, principalmente, impostos a serem pagos. Já vi diversos casos de empresas que precisaram resolver grandes problemas porque não terceirizaram a parte contábil, ou pior, confiaram a tarefa a pessoas sem especialização. E o resultado disso é desastroso”, conta.
A diretora diz ainda que o contador não é apenas uma figura que fica em uma mesa repleta de papéis. Ele é responsável, conta, por funções como a inteligência financeira da empresa, o grau de endividamento, a gestão de riscos trabalhistas, tributários e financeiros e por cumprir as leis.
O presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis de Pernambuco e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Sescap-PE), Albérico Morais, faz um analogia e diz que “o contador é o médico da empresa”, responsável por subsidiar a tomada de decisão do negócio. “Ele analisa e aponta ao gestor o melhor caminho para que a empresa não tenha deficiência de caixa ou para evitar determinado prejuízo em determinada operação, por exemplo. Toda decisão provém da análise da contabilidade”, afirma.
Por um novo modelo de negócios para as empresas contábeis
Muito se tem falado sobre empreendedorismo em negócios contábeis, nas transformações desse mercado e no futuro dos escritórios. Quantidade considerável de empresários deste setor e profissionais que vivem este dia a dia ainda não se deram conta da real necessidade de mudanças. Na realidade, a maioria ainda concentra suas atenções em aspectos puramente técnicos ou operacionais.
Esse comportamento nos leva a cometer erros estratégicos que comprometem a sustentabilidade de nossas empresas. Custos altos, problemas com o fisco, multas, clientes complicados, colaboradores pouco preparados e nada motivados. Enfim, às vezes dá até vontade de desistir. A chave para solucionar essas questões está no novo modelo de negócios para as organizações contábeis.
Fato é que todos nós enxergamos mais facilmente os erros cometidos pelos outros do que os nossos próprios equívocos. Por isso, escrevi a “estorinha” abaixo, que faz uma analogia do que está ocorrendo atualmente com o mercado contábil.
Certa vez um empreendedor planejou e criou uma belíssima cantina italiana. O ambiente era bem aconchegante, especialmente preparado para receber os fãs da gastronomia típica da Itália. Ingredientes selecionados, cardápio impecável, chef experiente e uma variada carta de vinhos compunham o cenário. Os preços, mesmo sendo um pouco acima da média dos restaurantes da vizinhança, não eram um fator impeditivo para o sucesso do negócio.
A casa funcionava à noite, e era muito bem frequentada. Famílias comemorando alguma data especial, casais em busca do aconchego e profissionais em seus jantares de negócios deixam a lotação quase sempre completa. Ainda assim, graças ao preparo dos garçons o atendimento era excelente.
O tempo passou e o dono da cantina resolveu crescer, aproveitando a onda de vacas gordas do momento econômico. Sem pensar muito, decidiu também abrir para o almoço. A expectativa seria dobrar o faturamento.
De fato, a receita aumentou muito nos primeiros meses. Mas, aos poucos, o público do almoço, que era bem diferente do jantar, foi apresentando sugestões aos funcionários da casa, que prontamente convocavam a presença do patrão para ouvir o cliente.
Preocupado com a satisfação dos frequentadores, o empreendedor apressou-se em implantar as sugestões recebidas. Primeiro, passou a oferecer o serviço de buffet por quilo, justamente para atender mais rapidamente aqueles que tinham o horário do almoço mais apertado. Depois, passou a servir outras opções gastronômicas: churrasco, arroz com feijão e até mesmo sushi e sashimi.
A música ambiente foi eliminada. A carta de vinhos, por sua vez, foi acrescida com rótulos de nacionalidades diferentes e com preços mais “palatáveis”, entretanto, com qualidade duvidosa. Caipirinha e outros drinks mais populares foram incluídos no cardápio.
A atenção e a acuidade dos garçons e dos demais funcionários já não eram mais as mesmas. O importante era a velocidade, mesmo que isso prejudicasse a qualidade da comida, da bebida e do atendimento.
O público noturno também já havia mudado drasticamente. O mesmo perfil de clientes do almoço invadiu a noite em busca de uma comida barata e uma cerveja gelada antes de ir para casa.
Espremido pela concorrência que oferecia “mais ou menos” a mesma coisa, os preços caíram junto com o lucro. “Não sei como esses restaurantezinhos da vizinhança conseguem trabalhar com preços tão baratos!”, reclamava o empreendedor.
O chef foi substituído por cozinheiros menos experientes, entretanto mais versáteis e menos onerosos ao negócio, e que estavam dispostos a fazer de tudo um pouco sem reclamar da qualidade dos ingredientes.
Contudo, os custos aumentavam, do mesmo modo que a rotatividade dos colaboradores – cozinheiros e garçons não ficavam mais de seis meses no emprego. Treinamentos detalhados foram substituídos pela técnica “veja como ele faz e aprenda”.
Até problemas com as autoridades sanitárias começaram a surgir. O gerente, um senhor experiente, fluente em casos da bella Itália, há muito havia deixado seu cargo. Seu substituto, com seus 40 e poucos anos, já estava a ponto de ter um enfarto. Contratar, orientar, “treinar”, apaziguar desavenças entre os colaboradores e ainda cuidar da logística de compras, tomavam todo o seu tempo. Já os cuidados com a higiene foram delegados ao João, o cozinheiro-chefe… ou será o Manoel?
O restaurante fechou. Com a primeira marola econômica as pessoas passaram a procurar opções mais baratas e o fluxo de caixa não aguentou. Aliás, os controles gerenciais também não estavam exatos e atualizados como antes. Por isso, o empreendedor ficou sabendo pelo gerente do banco, que havia quebrado e levado junto boa parte de seu patrimônio pessoal.
Essa estória fictícia ilustra exatamente o que vem ocorrendo com o mercado de negócios contábeis. Transformações silenciosas vêm se concretizando há mais de 10 anos e muitos ainda não perceberam.
Ao contrário da cantina italiana, ainda há tempo de transformar o modelo de negócios das mais de 80 mil organizações contábeis atualmente em operação no país. Claro que, para isso, será necessário um bom planejamento estratégico e o uso intensivo da tecnologia da informação como forma de agregação de valor para os serviços.
O primeiro passo é definir formalmente a missão e visão da organização contábil. Esses pontos são base para o estabelecimento de estratégias.
Uma declaração de missão bem definida explica, pelo menos o seguinte: razão de ser do negócio, público-alvo, região de atuação, como a empresa gera valor para clientes e acionistas e como ela se diferencia das demais.
A visão, por sua vez, define como a empresa se vê no longo prazo.
Michael Porter, em seu artigo What is Strategy, publicado na Harvard Business Review, explica que eficiência operacional não é estratégia, mas ambas são importantes para as empresas. Enquanto a primeira significa fazer melhor aquilo que os concorrentes também fazem, a segunda leva a efetivação de coisas que os concorrentes não realizam.
Assim, um escritório que tenha como missão “oferecer serviços e soluções competitivas na área contábil ao mercado empresarial, de maneira rápida e eficaz (…)” deixa claro que a eficiência operacional faz parte de seu DNA. Contudo, não explica como ele gera valor para seus clientes, nem em que é diferente dos seus concorrentes. Isso conduz o mercado a perceber que seu “diferencial” será o preço.
Outra organização que atribua a sua missão “executar serviços contábeis e prover informações gerenciais (…)”, por sua vez explicita um diferencial competitivo e o público-alvo, ainda que de forma muito abrangente (empresas que querem informações gerenciais).
Por outro lado, aquele que define que sua missão “é atuar de forma transparente, segura, rentável e com responsabilidade social junto às áreas Contábil, Fiscal/Tributária, Trabalhista e Societária, proporcionando aos supermercadistas a melhor solução para o seu crescimento e solidez” especificou melhor seu propósito, público-alvo, e como a empresa gera valor para clientes, acionistas e sociedade. Deixou claro também como se diferencia dos concorrentes.
Dessa forma, o escritório contábil poderá definir seu modelo de negócios, que estabelece, basicamente: segmentos de clientes, proposta de valor, canais para entrega do valor, políticas de relacionamento com clientes, fontes de receita, recursos necessários para entregar valor aos clientes, parcerias estratégicas e estrutura de custos.
O modelo de negócios é específico de cada empresa, mas podemos apontar, a título de exemplo, dois modelos bem diferentes que serão bem sucedidos nesse mercado:
- Grande escritório que atua em qualquer segmento empresarial cuja proposta de valor é a segurança de conformidade legal. O autoatendimento eletrônico é um dos principais canais de entrega dos serviços. O relacionamento com clientes é impessoal para 80% da base. A principal fonte de receita é honorário mensal. A eficiência operacional nas atividades-chave (processo fiscais, trabalhistas e contábeis) demanda uma grande automação, padronização e treinamento. As parceiras estratégicas são realizadas com empresas do setor de tecnologia, capacitação e informações legais.
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Organização contábil que atua em um nicho de mercado cuja proposta de valor é o apoio ao crescimento de seus clientes. O atendimento pessoal e personalizado é o canal mais importante, porém é suportado pelo autoatendimento eletrônico na entrega dos serviços de menor valor agregado. O relacionamento com clientes é personalizado. A receita decorrente de honorários mensais é relevante para custeamento da infraestrutura, mas consultorias especializadas contribuem mais fortemente com os resultados. A eficiência operacional nas atividades-chave é consequência da segmentação, reduzindo custos de tecnologia, atualização e capacitação. Em algumas situações, o escritório contábil utilizará a tecnologia de seus clientes para execução de atividades, dispensando a contratação de sistemas (contábeis, fiscais, trabalhistas). As parceiras estratégicas são realizadas com entidade formadoras de opinião junto ao público-alvo.
Fica claro, portanto, que o contador 2.0, que é um empreendedor agora deve pensar muito além das questões meramente operacionais de seu negócio. Os modelos de negócio acima descritos são apenas exemplos de uma infinidade de opções estratégicas que podem e devem ser desenhadas para transformar o antigo escritório contábil 1.0. Portanto, antes de pormos as “mãos à obra” vamos colocar nossas mentes para trabalhar.
Como uma equipe é contagiada pelas emoções de seu líder
Sempre que uma reunião ameaça se transformar em um mal-estar, o presidente da companhia, de repente, lança uma crítica a alguém na mesa que pode recebê-la (geralmente o diretor de marketing, que é o seu melhor amigo). Então ele rapidamente segue em frente, tendo atraído a atenção de todos na sala. Essa tática, invariavelmente, devolve o foco ao grupo.
Demonstrações de descontentamento do líder são emocionalmente contagiosas. E muitos líderes eficazes percebem que – como elogios – doses bem ajustadas de irritação podem energizar. Agora, uma questão importante: uma mensagem de desagrado bem calibrada é a que leva as pessoas ao seu máximo de desempenho e não promove aquela angústia que corrói a performance.
Nem todos os parceiros emocionais são iguais. Uma dinâmica poderosa que funciona no contágio emocional determina o cérebro de qual pessoa terá mais força para chamar o outro para sua órbita. Os neurônios-espelho são ferramentas de liderança: emoções fluem com força especial da pessoa mais socialmente dominante para a menos.
Uma razão para isso é que pessoas em qualquer grupo, naturalmente, prestam mais atenção e dão mais significado ao que a pessoa mais poderosa do grupo diz e faz. Isso amplia a força de qualquer que seja a mensagem emocional que o líder esteja mandando, transformando suas emoções em contagiosas. Uma vez ouvi o líder de uma pequena organização dizer com bastante pesar: “Quando minha mente está cheia de raiva, as outras pessoas pegam isso como gripe”.
Esse potencial emocional foi testado quando 56 líderes de equipes de trabalho simulado foram manipulados para estarem de bom ou mau humor, sendo avaliado o impacto emocional que conduziram nos grupos. Os membros da equipe com líderes otimistas relataram que eles coordenaram melhor seus trabalhos, fazendo mais com menos esforço. Por outro lado, as equipes com chefes mau humorados ficaram sem sincronia, tornando-se ineficientes. Para piorar, em pânico, seus esforços para agradar o líder levaram a más decisões e estratégias mal escolhidas.
Enquanto o desagrado milimetricamente formulado de um chefe pode ser um incentivo eficaz, inflamar as equipes é uma tática de liderança auto-destrutiva. Quando os líderes habitualmente utilizam demonstrações de mau humor para motivar, mais trabalho parece ser feito – mas não será, necessariamente, um trabalho melhor. Além de que o mau humor incansável corrói o clima emocional, sabotando a capacidade do cérebro de funcionar no seu melhor.
Nesse sentido, a liderança se resume a uma série de trocas sociais em que o líder pode dirigir as emoções da outra pessoa para um estado melhor ou pior. Em trocas de alta qualidade, os membros da equipe sentem a atenção e empatia do líder, apoio e positividade. Nas interações de baixa qualidade, ele se sente isolado e ameaçado.
Outro forte motivo para que os líderes sejam conscientes do que dizem para os funcionários: pessoas se recordam de interações negativas com um chefe com mais intensidade, com mais detalhes e mais frequentemente do que das positivas. A facilidade com que a desmotivação pode ser transmitida por um chefe torna ainda mais imperativo para ele agir de forma a tornar edificantes as emoções deixadas para trás.
A insensibilidade de um chefe não só aumenta o risco de perder boas pessoas, mas bombardeia a eficiência cognitiva. Um líder socialmente inteligente ajuda as pessoas a conterem e recuperarem-se de seu sofrimento emocional.
Para saber mais sobre os superlativos da comunicação no local de trabalho e resolução de conflitos, inscreva-se no curso American Management Association: Liderando com Inteligência Emocional (no local ou on-line durante todo o verão).
Paraísos fiscais concentram metade dos aportes no exterior
São Paulo – De acordo com dados do Banco Central (BC), cerca de 53% dos investimentos brasileiros diretos no exterior vão para os seis paraísos fiscais que estão entre os dez maiores destinos de nossos aportes.
Até julho deste ano, o Brasil destinou US$ 8,919 bilhões a regiões como Ilhas Cayman, Áustria, Ilhas Virgens Britânicas, Suíça, Luxemburgo e Bahamas, conhecidas por terem regimes de favorecimento de tributação. Essa quantia é metade do total dos aportes brasileiros diretos no exterior que alcançaram, no mesmo período, uma soma de US$ 16,388 bilhões.
Outros dados que demonstram como a internacionalização de empresas nacionais ainda está muito vinculada a paraísos fiscais são os investimentos por setor. Os serviços financeiros, por exemplo, compõem a maior parte dos investimentos do País lá fora, em 38,5%, o que significa uma soma de US$ 6,309 bilhões.
Já as holdings não-financeiras representam 16% dos nossos aportes, uma quantia de US$ 2,623 bilhões. Todas as outras categorias, excluindo o setor de telecomunicações, possuem participações de menos de 10% nos investimentos diretos.
Em regiões como Ilhas Cayman e Suíça, a remessa de recursos a paraísos fiscais por empresas brasileiras aumentou do ano passado para este. Enquanto entre janeiro e julho de 2013 foram enviados cerca de US$ 2, 715 bilhões às Ilhas Cayman, neste ano, no mesmo período, a remessa de recursos para a região subiu para US$ 6,161 bilhões. Já para a Suíça, passou de US$ 135 milhões para US$ 265 milhões. Para Luxemburgo, essa remessa diminuiu, passando de US$ 968 milhões para US$ 226 milhões. E para Bahamas caiu de US$ 1,110 bilhão para US$ 225 milhões.
Remessa
Especialistas entrevistados pelo DCI afirmam que a maioria dos paraísos fiscais possui tributação zero sobre a renda dos seus investidores. A alíquota máxima cobrada nessas regiões é de 20%, mas, raramente, isso ocorre, esclarecem os entrevistados.
O sócio do Barcellos Tucunduva Advogados e especialista na área de Direito Bancário e Mercado de Capitais, José Luis Leite Doles, explica que sobre os recursos remetidos a paraísos fiscais é cobrado apenas o Imposto Sobre Operações de Crédito (IOF), de 0,38%.
“O que a empresa vai pagar, dependendo do tipo de investimento que realiza, é um imposto sobre os rendimentos que obtêm nessas regiões”, afirma o especialista.
O advogado relativiza as vantagens financeiras de empresas no processo de remessa de recursos a paraísos fiscais. Ele explica que tudo irá depender do patamar do câmbio, como pela tributação sobre o lucro. “Além disso, as taxas de juros lá fora são bem mais baixas do que no Brasil”, afirma o advogado.
Vantagens
“No entanto, o que faz com que essas operações sejam vantajosas é que essas regiões, geralmente, possuem um bom sistema de comunicação com o mundo todo. Sem contar todo arcabouço legal e bem estruturados para se abrir uma holding, por exemplo. São regiões com uma boa infraestrutura”, diz.
“É uma decisão econômica e financeira de cada empresa que, muitas vezes, são motivadas no sentido de diversificar seu portfólio e o seu caixa”, finaliza.
Ao decidir investir em paraísos fiscais, uma empresa abre uma subsidiária na região, capitalizando-a, mas nem sempre esse recurso permanece no país. “Na verdade, a empresa está investindo em ativos financeiros que estão no mercado internacional”, explica Doles.
Receita
Apesar de não precisarem arcar com impostos ao sair do País, as empresas precisam pagar tributos sobre os seus lucros obtidos em paraísos fiscais.
O sócio da área tributária do Siqueira Castro Advogados, Maucir Fregonesi Junior, explica que o tributo cobrado no Brasil sobre o total do lucro obtido pelas empresas nessas regiões é de 34%. São 25% cobrados no imposto de renda da pessoa jurídica, mais 9% de contribuição social sobre o lucro auferido.
O líder da consultoria tributária NK, Andreos Kurokai, afirma uma das medidas da nova legislação que versa sobre a renda de empresas no exterior, a Lei 12.973 de 2014, tem contribuído para reduzir imposto de empresas do setor de construção civil, alimentos e bebidas.
Essa medida faz com que essas empresas passem a apurar um crédito presumido de 9% sobre a renda incidente na parcela positiva computada no lucro real.
Outra forma de tributar lucro, explica Kurokai, é a subcapitalização, que são juros pagos na contração de empréstimos com empresas vinculadas no exterior. Nessa modalidade, diz ele, se a empresa não tem participação direta na subsidiária que está estabelecida no paraíso fiscal, o limite da alíquota é de 50% do valor do Patrimônio Líquido (PL), a título de juros.
Se ela tem participação, o limite da alíquota é de duas vezes o valor de sua fatia.
Estruturas
O advogado do setor societário do Siqueira Castro Advogados, Leonardo Cotta Pereira, diz que, apesar de paraísos fiscais serem associados, na maioria das vezes, a transações ilegais, as instituições responsáveis por essas operações têm exigido cada vez mais informações sobre a origem do dinheiro a ser remetido.
Ele explica que os recursos podem ser remetidos tanto pelos correios como por ordem de pagamentos. Ele esclarece que pessoas físicas ou jurídicas que tenham rendimentos ou bens maiores US$ 100 mil dólares precisam prestar contas ao BC.
Procedimentos
As formas de utilização legal de paraísos fiscais ocorrem através de estruturas com finalidades de planejamento tributário, estruturas para planejamento de heranças, proteção de patrimônios, investimentos offshore, holdings societárias e holdings para direitos autorais, entre outras operações.
Outro paraíso fiscal utilizado pelo Brasil são o Território Britânico do Oceano Índico, além de outras ilhas no Caribe.
Vendas de computadores, tablets e smartphones não pagam PIS/Cofins
Para manter o incentivo nas vendas pelo comercio varejista de computadores, notebooks, tablets, smartphones e roteadores digitais a preços mais baixos, o governo decidiu, em agosto deste ano, prorrogar a alíquota zero de PIS/Cofins para esses produtos.
Tal incentivo começou com base no Programa de Inclusão Digital, criado em 2005, no âmbito da Medida Provisória nº 252, a chamada MP do Bem.
Segundo o fisco, a medida não só reduziu o preço dos produtos, mas contribuiu também para combater a informalidade.
O benefício fiscal terminaria em 31 de dezembro deste ano, mas foi prorrogado por mais quatro, isto é, até o final de dezembro de 2018. Assim, o PIS e a Cofins continuam a incidir sobre estes produtos, só que, com a alíquota zero.
O programa foi criado para aumentar a competitividade do setor e facilitar o acesso da população ao meio digital. Favorece o consumidor porque a redução do PIS e da Cofins é repassada integralmente ao preço final dos produtos.
O PIS e a Cofins são contribuições sociais que incidem sobre o faturamento das empresas. Suas finalidades, dentre outras, são custear o seguro desemprego e a seguridade social. Vigoram, atualmente, dois regimes distintos de PIS e Cofins: o regime cumulativo e regime não-cumulativo.
O primeiro é regido pela Lei nº 9.718/1998, no qual não há desconto de créditos, e incide sobre o faturamento das empresas. Trata-se de uma tributação em cascata, ou seja, em efeito dominó, pois incide em todas as etapas de comercialização.
No segundo, o regime é não-cumulativo. O PIS é regido pela Lei nº 10.632/2007 e a Cofins pela Lei nº 10.833/2003. Aqui, há a permissão para o desconto de créditos. A ideia inicial era a incidência pelo valor agregado.
Apesar de se originarem em diferentes legislações, as duas contribuições têm uma relativa semelhança na base de cálculo: as operações de vendas de mercadorias e/ou de serviços.
Sobre a importação de bens e serviços há a incidência de PIS e da Cofins, disciplinada pela Lei nº 10.865/2004. Produtos e bens pagam no ato do desembaraço das mercadorias e os serviços, no envio do dinheiro ao exterior.
Além desses regimes, há o que chamamos de regimes especiais. São os casos, por exemplo, das operações de substituição tributária, monofásicos, diferenciados, operações com suspensão, alíquota zero ou a não incidência.
Dia do Contador – 22 de setembro
Dia 22 de setembro é o dia do contador. A data foi instituída em 1945 por meio do decreto nº 7988, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas. A iniciativa marcava a criação do curso de Ciências Contábeis. A comemoração entende-se também ao apóstolo, São Mateus, que foi cobrador de impostos e, por isso, é considerado o padroeiro da profissão.
A Contabilidade é o estudo do patrimônio das atividades desenvolvidas pela empresa, ou seja, é a área que cuida das contas, por meio do registro e do controle das receitas, das despesas e dos lucros. É o contador quem planeja, coordena e controla os registros negociais (compras, vendas, investimentos e aplicações), permitindo que se tenha uma visão precisa do patrimônio. O profissional de contabilidade é o responsável por interpretar eventos econômicos e fornecer informações aos dirigentes da companhia para que estes tomem decisões sobre a direção dos negócios.
Ele orienta, mostra e indica os pontos de atenção, como o volume de despesas acima da média, registra os fatos e atos administrativos e responsabiliza-se pelo pagamento de tributos. Além disso, pode ajudar a traçar planos de investimento. Algumas atividades são exclusivas, como: A auditoria e as perícias contábeis. Para trabalhar como contabilista, é preciso ser registrado no Conselho Regional de Contabilidade. Tornou-se obrigatório, desde 2010, realizar um exame de suficiência para obter o seu registro profissional.
Existem diferenças entre as nomenclaturas, contador / contabilista, uma vez que o termo contador aplica-se aos profissionais com formação superior, enquanto o termo contabilista está veiculado ao tecnólogo em contabilidade. O dia do contabilista, por sua vez, é comemorado em 25 de abril.
Curso de Ciências Contábeis é um dos mais procurados do país
“O curso de Ciências Contábeis é um dos mais procurados do País”. Foi o que afirmou a presidente da Academia Brasileira de Ciências Contábeis, Maria Clara Cavalcante Bugarim, por ocasião da abertura do IX Encontro Nacional de Coordenadores e Professores do Curso de Ciências Contábeis, que aconteceu dias (16) e (17) de setembro no auditório do Conselho Federal de Contabilidade, em Brasília (DF).
A presidente da Abracicon, Maria Clara Bugarim, ressaltou, também, que “este encontro é de suma importância para o sistema contábil, e a presença dos senhores fortalece ainda mais o nosso elo e a nossa profissão”. Ao falar sobre o ensino contábil brasileiro, Maria Clara registrou que há no País 893 instituições de ensino que possuem o curso Ciências Contábeis, sendo 103 públicas e 790 privadas.
Outro dado importante informado pela presidente da Academia foi que, no Brasil, há 3.264 mestres e 275 doutores em Contabilidade. Solicitou a todos o empenho de se trabalhar muito juntamente com o MEC no sentido de mostrar a importância desses cursos, os quais “contribuem para o desenvolvimento científico da Contabilidade”.
Recentemente, o Conselho Federal de Contabilidade publicou nota informando que existem no Brasil 500 mil profissionais em plena atividade, sendo 189.904 técnicos e 311.803 contadores. Para Maria Clara “a Contabilidade está no ranking das grandes profissões do País, e esse encontro é a oportunidade que temos de discutir e avaliar as nossas necessidades no intuito de se buscar o aprimoramento do conteúdo que hoje é oferecido”.
A presidente da Abracicon apresentou ainda dados estatísticos das edições do Exame de Suficiência, do Exame de Qualificação Técnica, além de tecer comentários sobre a importância da aprovação da Lei n.º 12.249/10; a Contabilidade no contexto mundial; o mercado de trabalho; o ensino a distância; e o Fies. “Nesses últimos anos, tornamo-nos fortes e conquistamos o merecido respeito no mundo contábil. Somos, sem dúvida, uma profissão atuante e pujante”, conclui.
O presidente do CFC, José Martonio Alves Coelho, disse, por sua vez, que, desde 2006, o Encontro vem sendo enriquecido sistematicamente pela relevância dos temas. “A expressão quantitativa e qualitativa dos participantes demonstram que teremos, ainda, uma longa trajetória de êxitos pela frente”, avisa. Segundo Martonio Coelho, o CFC, em parceria com as entidades nacionais, vem se dedicando ao processo de convergência dos procedimentos contábeis brasileiros aos padrões internacionais. Informou que, “desde a criação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, o CFC vem trabalhando para que o processo atinja o maior número possível de profissionais”. O vice-presidente de Desenvolvimento Profissional e Institucional do CFC, Zulmir Ivânio Breda, também compôs a mesa de honra.
O ENCPCCC tem por objetivo aproximar o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) da realidade das Instituições de Ensino Superior, discutir a qualidade do ensino e as tendências da profissão e debater os principais desafios dos cursos em Ciências Contábeis. A programação está disponível no site do CFC www.cfc.org.br.
Projeto muda regras de reconhecimento de firma para simplificar processo administrativo
Projeto do senador Magno Malta (PR-ES) torna mais ágil o processo administrativo ao simplificar regras relacionadas ao reconhecimento de firma (PLS 35/2014). Ao justificar a proposta, ele cita os transtornos envolvidos na realização do procedimento em cartório, como filas e desrespeito ao cidadão.
Para tornar o processo mais ágil, o senador propõe alterações na Lei 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da administração pública federal. A primeira é incluir a boa fé entre os princípios que regem a relação do Estado com os cidadãos. A justificativa é de que a exigência do reconhecimento de firma é motivada pela desconfiança do Estado de que a pessoa que assina uma petição pode não ser o titular do direito pleiteado.
A outra alteração sugerida por Magno Malta é a previsão de que só será exigido o reconhecimento em caso de fundada dúvida sobre a autenticidade. Atualmente a lei prevê esse procedimento em caso de dúvida. O senador entende que, ao incluir a palavra “fundada”, a exigência só poderá ser feita caso a dúvida seja significativa e relevante.
Se houver fundada dúvida, o reconhecimento não precisará ser feito em cartório, já que o projeto prevê um procedimento simplificado. A conferência das assinaturas poderá ser feita pelo servidor público que estiver recebendo o documento. “Com essa alteração, elimina-se a necessidade de o cidadão ter que sair do órgão onde pleiteia seu direito, se deslocar até o cartório, enfrentar todos os transtornos e demoras, e retornar ao órgão público para, finalmente, apresentar sua firma reconhecida”, justificou.
O projeto tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), onde tem como relatora a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO).
O que é big data e como usar na sua pequena empresa
O que é Big Data? O termo Big Data é relativamente novo e ao mesmo tempo velho, surgindo por volta de 2005 com o Google e recebeu uma alavancada em 2008 com o pessoal do Yahoo que transformou a plataforma Hadoop em Open Source.
Quando pensamos em Big Data, é comum fazermos uma tradução literária do texto e imaginamos “Grandes Dados”, relacionado à grande quantidade de dados a ser analisado. Mas o termo é um pouco mais abrangente, levando como base os 3 Vs do Big Data. Mas o que são os 3 “V’s”?
Volume, que está relacionado à grande quantidade de dados que possuímos dentro e fora da empresa; o segundo é a Velocidade, pois a cada segundo muitos dados novos são criados na internet, e alguns destes dados podem ser interessantes para sua empresa; o terceiro e ultimo está relacionado à Variedade, sendo que o dado pode ser um compartilhamento de um texto em uma rede social, um post no blog, um review em um e-commerce.
Juntando estes três pilares, é possível analisar praticamente tudo que está público, envolvendo dados estruturados, no caso de nós conhecermos a estrutura de armazenamento daquele contexto, e também os dados não estruturados, como imagens, vídeos, áudios e documentos.
Como aplicar em seu cenário?
A aplicação de técnicas de Big Data é particular para cada cenário. Pode ser que seu caso seja um portal de saúde e bem estar que consegue cruzar dados comuns de idade, altura, peso, sexo e localização de 10 milhões de usuários por mês, e inferir qual região tem mais propensão à determinada doença; ou então você é uma empresa de fabricação de aviões e não quer virar manchete por causa de uma queda de suas aeronaves, então consegue analisar os mais de 280 sensores espalhados pelo seu avião e consegue cruzar estes dados e saber se aquele avião que está a 4 horas de seu destino precisa fazer uma parada em um aeroporto mais perto para uma manutenção ou então é possível esperar ele chegar a seu destino.
Muitos até associam a conquista da copa do mundo do Brasil pela Alemanha devido a uma grande plataforma de dados que eles utilizaram. A aplicação destas técnicas é muito ampla, sendo possível encontrar a necessidade de seu cenário e então utilizar estas tecnologias para facilitar a aplicação e a tomada de decisão.
Quais tecnologias posso usar sem custo?
O Hadoop é uma plataforma Open Source, que roda em cima do servidor Apache em distribuições Linux. Não entendeu nada? O Hadoop é o nome do núcleo principal de uma plataforma pra trabalhar com Big Data, este núcleo pode ser executado em um servidor de internet chamado Apache, que é responsável por executar e controlar o ambiente que o Hadoop está trabalhando. Por sua vez, o Apache é uma ferramenta que trabalha em cima do sistema operacional Linux, famoso por ser gratuito e também por possuir muitas empresas trabalhando para adequar as funcionalidades para chegar a um trabalho cada vez mais profissional.
O Hadoop sozinho não faz muita coisa, ele precisa de APIs (Application Programming Interface), programas que interagem através de troca de informação com o núcleo principal, satélites que ajudam nas principais tarefas de uma plataforma. Existem APIs que se encarregam de fazer o trabalho para movimentar dados entre uma base de dados que você possui e o Hadoop.
Tem API que trabalha no âmbito de aprendizado de máquina e pode ajudar na sua tomada de decisão, aprendendo com métodos estatísticos o comportamento dos seus usuários. Outra API que é amplamente utilizada é responsável por agendamento de tarefas, que podem processar os dados que são inseridos durante o dia na plataforma de Big Data.
É possível implementar Big Data sem uma equipe de TI focada?
Sim, mas pode dar um trabalho extra e você precisará aprender algumas coisas de TI para isso. Hoje, grandes provedores de serviços na Internet oferecem plataformas prontas para se trabalhar com Big Data utilizando seus serviços. A Amazon possui uma plataforma que é comercializada através do Amazon Web Services; a Microsoft possui sua plataforma que se chama Windows Azure; e o Google tem o Google Big Query. Cada fornecedor possui suas peculiaridades, e também variam de preço e recursos. Em alguns o esforço é maior, em outros, é menor. Vale a pena investigar as ofertas do mercado e ver o que melhor se encaixa na sua necessidade e budget.
Mas você precisa ter Big Data no seu negócio/empresa?
É muito comum com o “modismo” as empresas implantarem um sistema ou tecnologia sem saber o que querem… assim como qualquer tecnologia, você precisa saber se o seu negócio está preparado, se de fato isso vai ajudar a sua empresa… essa é a típica solução que sozinha não dará nada! Ou seja, pense muito bem para não gastar uma fortuna com “mais um sistema” na sua empresa.
Outro cuidado grande esta relacionado a preocupação ou não com a essência do Big Data. O que isso quer dizer: esqueça se você está fazendo Big Data, BI, ou o que quiser chamar. O que importa é você investir o tempo em algo que de fato fará a diferença no seu negócio! Às vezes o mais simples já te entrega mais valor e muitas vezes o complicado… só é complicado!