Teto do microempreendedor pode aumentar de R$ 60 mil para R$ 120 mil
Brasília – O novo Supersimples deverá aumentar de R$ 60 mil para R$ 120 mil o teto de faturamento anual para adesão ao Microempreendedor Individual (MEI) , motivo de solenidade ontem no Palácio do Planalto por haver atingido a marca de 5 milhões de registros.
A duplicação do teto do MEI foi prevista ontem pelo líder do governo no Congresso, senador José Pimentel (PT-CE), durante audiência realizada pela Frente Parlamentar da Micro e Pequena Empresa para debater a matéria. O projeto deverá ser votado no dia 1º de julho em comissão especial e ir a plenário no segundo semestre.
“Sempre que há um consenso em torno de um tema na Frente Parlamentar, essa proposta é aprovada”, disse Pimentel ao DCI. “A Frente está unificada quanto ao aumento do teto do MEI”.
Segundo o parlamentar, não haverá renúncia fiscal porque, em verdade, a ampliação do teto do MEI apenas irá incorporar empreendedores que estão a margem da economia formal.
Arquitetos no MEI
Por representar uma taxa mensal inferior a R$ 50,00, a figura do MEI não só foi comemorada pela presidente Dilma Rousseff como já atrai categorias de profissionais liberais. “Queremos que na revisão do Supersimples seja aberta a possibilidade de profissionais autônomos poderem virar MEI”, defendeu Jeferson Salazar, presidente da FNA (Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas).
Salazar explicou ao DCI, a baixa carga tributária desperta o interesse de permitir à categoria o ingresso em uma figura jurídica criada para regularizar empreendedores populares que antes estavam na economia informal.
“Se o teto do MEI for aprovado, o faturamento será de R$ 120 mil. Isso significa R$ 10 mil por mês. Um arquiteto que ganha isso pertence a uma elite da categoria”, explicou.
Salazar e outros palestrantes reclamaram na audiência por que outras categorias, a exemplo dos advogados, foram enquadrados em faixas menores no Supersimples. No caso dos advogados, a faixa inicial ficou inferior ao dos arquitetos e de outras profissões liberais.
Questionado sobre o motivo da distorção, o ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, foi monossilábico: “O padrinho”. Ele se referiu ao empenho da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para assegurar o ingresso da categoria no Supersimples. Afif adiantou que o governo aceitou rever as faixas de tributação do Supersimples. Mas falta definir as alíquotas das novas faixas de tributação do regime fiscal.
Inclusão produtiva
Na solenidade comemorativa, a presidente Dilma afirmou que a marca de 5 milhões significa 2.300 registros diários na categoria de MEI, o que corresponde a 97 inscrições por hora. “São 5 milhões de batalhadores que deixaram para trás o medo da fiscalização. Ter o negócio formalizado implica em autoestima. Implica em se colocar no mundo como cidadão, com direitos e deveres”, afirmou a presidente.
A chefe do Executivo também destacou que o papel do Microempreendedor Individual na sociedade: “O MEI é uma porta de entrada para o próprio negócio e melhoria de renda. É, junto com o Bolsa Família, a política mais forte de inclusão social no Brasil”.
“Cerca de meio milhão dos MEIs veio do Bolsa Família”, destacou o presidente do Sebrae, Luiz Barretto.
As vantagens oferecida ao MEI
Ao se formalizar, o MEI passa a ter um CNPJ, a emitir nota fiscal, pode participar de licitações públicas, tem acesso mais fácil a empréstimos, pode fazer vendas por meio de máquinas de cartão de crédito, entre outros benefícios. Ele também se torna um segurado da Previdência Social e tem direito a aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade.
O MEI é isento dos tributos federais (Imposto de Renda, PIS, Cofins, IPI e CSLL) e paga uma contribuição mensal de 5% do salário mínimo mais R$ 1 ou R$ 5 de ISS ou ICMS, dependendo da atividade exercida.
A contribuição mensal da Microempresa Individual pode ser de R$ 40,40, para comércio ou indústria, R$ 44,40 para prestação de serviços ou R$ 45,40 para comércio e serviços. Esses valores são destinados à Previdência Social e ao ICMS ou ao ISS.
eSocial: chegou a hora e não tem volta
O eSocial (Sistema de Escrituração Fiscal Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas) é integrante do sistema SPED, sendo um projeto do Governo Federal que visa unificar o envio de informações pelo empregador em relação aos seus empregados e modernizar a sistemática de fiscalização.
O projeto eSocial é uma ação conjunta de órgãos e entidades do Governo Federal, tais como: Caixa Econômica Federal, Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) , Ministério da Previdência, Ministério do Trabalho e Emprego e Secretaria da Receita Federal do Brasil. As informações ficarão armazenadas no Ambiente Nacional do eSocial e poderão ser acessadas por todos os órgãos participantes do projeto.
O eSocial substituirá o procedimento de envio das diversas declarações, formulários, termos e documentos relativos a relação de trabalho como a GFIP e a DIRF e conforme estudos e com base no leiaute já aprovado possivelmente também o CAGED, RAIS, Livro de Registro de Empregado, CAT (Comunicação Acidente de Trabalho) e PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário).
Ao mesmo tempo em que simplifica o envio das informações aos diversos órgãos governamentais, o eSocial também facilita a fiscalização das obrigações trabalhistas, previdenciárias e fiscais por meio do cruzamento eletrônico e da verificação de dados.
A tabela a seguir mostra a cronologia do eSocial e próximos passos até a sua implantação definitiva por todas as empresas.
17/07/2013 – Publicação do Ato Declaratório Executivo Sufis nº 5, que aprovou e divulgou, em versão inicial, o leiaute do eSocial
11/12/2014 – Publicação do Decreto nº 8.373 que instituiu o eSocial, em operação com acesso restrito aos empregadores domésticos.
24/02/2015 – Aprovação da versão 2.0 do Manual de Orientação do eSocial pela Resolução nº 1 do Comitê Gestor do eSocial
29/04/2015 – Publicação do Manual de Orientação do Desenvolvedor versão 1.0 para envio em lote dos eventos do eSocial
01/01/2016 a 30/04/2016 – Obrigatoriedade da primeira carga do eSocial para as empresas de médio e grande porte (faturamento acima de R$ 78 milhões em 2014)
Até 31/05/2016 – Obrigatoriedade da carga completa do eSocial para as empresas de médio e grande porte
01/05/2016 a 30/06/2016 – Substituição da GFIP pelo eSocial para as empresas de médio e grande porte
Até 30/09/2016 – Obrigatoriedade da primeira carga do eSocial para as demais empresas
Até 31/10/2016 – Obrigatoriedade da carga completa do eSocial para as demais empresas
Janeiro de 2017 – Substituição da GFIP para as demais empresas e exclusão definitiva da DIRF
As informações prestadas pelas empresas para o eSocial serão organizadas nos seguintes grupos de eventos: iniciais e de tabelas, não periódicos e periódicos, e deverão ser transmitidas mensalmente até o dia 7 do mês seguinte.
Eventos Iniciais e Tabelas
Tabelas de rubricas, cargos, horários e turnos, estabelecimentos e obras, processos , entre outros.
Informações do empregador e vínculos empregatícios.
Eventos não Periódicos
Registro de ações ou situações da relação entre empresa e empregado como Admissão, Alteração Contratual, CAT, Afastamentos, Reintegração, Exposição a agentes nocivos, entre outros.
Eventos Periódicos
Registro de dados como remuneração dos empregados, aquisição de produção rural, informações tributárias, trabalhistas e previdenciárias
Para o Fisco haverá um avanço na sistemática de obrigações acessórias, permitindo o cruzamento de todas as informações contábeis e fiscais de folhas de pagamentos, além de maior celeridade na identificação de erros e problemas tributários e consequente autuação. Vale ressaltar que diferentemente do que aconteceu com o SPED, o eSocial não vai criar multas aos empregadores, mas vai facilitar o trabalho da fiscalização, possibilitando a aplicação das multas já existentes na legislação trabalhista e previdenciária.
Para as empresas, fica a lição de casa de irem se adaptando, revendo os sistemas e controles internos atuais, verificando os gaps nos cadastros e processos e a integração do RH com as demais áreas envolvidas no eSocial para se adequarem conforme a legislação, leiautes e outros em tempo hábil porque está chegando a hora e não tem mais volta.
Emanuele Caroline de Oliveira
Administradora de Empresas com habilitação em Finanças, registrada junto ao CRA/PR, especialista em Planejamento e Gerenciamento Estratégico e com MBA em Gerenciamento de Projetos. É sócia-diretora e fundadora da ValuConcept Consultoria e Avaliações, do grupo RSM Brasil, responsável pela área de Avaliações de Ativos e de Consultoria de Gestão.
Contador é suspeito de participar de fraude de 36 milhões
Conforme o promotor Aureo Gil Braga, da Promotoria de Justiça Especializada de Combate aos Crimes Contra a Ordem Tributária, Derik seria o responsável pela abertura de empresas de fachada que comprariam peixes na região de Rio Grande, na zona Sul do Estado, e revenderia para indústrias de Laguna e Itajaí, entre outras cidade de Santa Catarina, sem pagamento de impostos.
O contador foi detido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público quando voltava com familiares e um grupo de amigos de um passeio por águas termais em Goiás.
De acordo com Aureo, grande parte da produção de pescado de Rio Grande era revendida para Santa Catarina por meio de uma centena de pequenas empresas, abertas especialmente para facilitar a fraude. Enquadradas como firmas de pequeno porte, elas deveriam pagar de 1% a 2% de ICMS, mas como estavam em nome de laranjas (pessoas que emprestam nomes que figuram como responsáveis pelas empresas), não haveria recolhimento do tributo algum.
A sonegação estaria ocorrendo nos últimos sete anos, movimentando cerca de R$ 300 milhões em camarão e outros frutos do mar, de sardinha a atum. Denominada Operação Pescado, A ofensiva do Ministério Público em parceria com a Receita Estadual começou em dezembro com a identificação de dois grupo de fraudados.
- Um dos grupos seguiu a prática criminosa, em total descaso com a Justiça, abrindo outras empesa fantasmas. Rastreamos as operações e solicitamos as prisões preventivas – explicou Aureo.
Além do contador, os empresários Oscar Bom Reis Fernandes e Suelen Moura foram presos preventivamente na semana passada, em Rio Grande. De acordo com o promotor, a função do casal era arregimentar laranjas (pessoas que emprestam nomes) para serem cadastrados como responsáveis pela empresas fantasmas.
Cerca de 40 pessoas, entre empresários, intermediadores e laranjas e foram denunciadas à 1ª Vara Criminal de Rio Grande. Pelo menos seis processos já foram aberto, com acusações de crimes contra a ordem tributária, falsidade ideológica e associação criminosa. O MP ainda investiga a possível prática de lavagem de dinheiro por parte dos denunciados.
CONTRAPONTOS
O que diz o advogado Ary Silva Junior, defensor do contador Derik Moraes Pereira:
Estamos aguardando a chegada dele em Rio Grande para ter acesso ao processo que estava em segredo de Justiça e providenciar um pedido de habeas corpus. Posso adiantar que ele não tem qualquer relação com fraudes.
O que diz o advogado Affonso Celso Pupe da Silveira Neto, defensor de Oscar Bom Reis Fernandes e Suelen Moura:
Ainda não temos ciência da denúncia do Ministério Público. Assim que tivermos, vamos nos manifestar e tomar as providências necessárias.sonegação
Aperfeiçoamento do SPED: a colaboração dos contadores
O Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) começou a fazer parte da história dos contadores brasileiros a partir de 2005, quando surgiu o projeto e começou o desenvolvimento das novas obrigações acessórias — que passaram a ser entregues a partir de 2009.
No início, apesar de todas as dificuldades, principalmente pela adoção de uma nova linguagem de informações, as empresas e os contadores tiveram certa dificuldade. Com o passar do tempo, no entanto, o SPED vem se mostrando como um sistema que está facilitando (e vai facilitar ainda mais) a rotina dos profissionais contábeis, que vem colaborando com o governo para o sucesso dessa empreitada.
Os contadores e o aperfeiçoamento do SPED
O SPED foi criado pelo governo federal com o objetivo de criar um mecanismo mais eficiente e eficaz para fiscalizar os contribuintes, de forma que haveria uma redução na sonegação de imposto, pois as informações contábeis, fiscais e trabalhistas estarão à disposição do fisco com maior facilidade para a realização do cruzamento dos dados tributários.
Os contadores, que são o elo que liga os contribuintes ao fisco, são os responsáveis diretos pela entrega das obrigações acessórias e tem contribuído de maneira direta para desenvolver o SPED graças à sua grande experiência nas áreas contábil, tributária, societária, previdenciária e trabalhista. O Conselho Federal de Contabilidade (CFC), os Conselhos Regionais de Contabilidade (CRC) e a Fenacon (Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas), participaram de inúmeras reuniões com o governo, trazendo informações primordiais para o aperfeiçoamento do SPED. Como essas informações fazem parte do dia a dia dos contadores, a contribuição desses profissionais foi substancial para o sucesso da ferramenta.
Essa colaboração dos contadores no desenvolvimento do SPED, nada mais foi do que batalhar em causa própria, pois a implantação do SPED e o seu bom desenvolvimento permitiu que os contadores diminuíssem o gasto com papel, já que as obrigações acessórias e o registro dos livros contábeis (diário, razão) e fiscais (apuração de ICMS, entradas, saídas, apuração de IPI, inventário, Lalur e etc.) agora são entregues de maneira informatizada, causando uma verdadeira revolução na relação entre empresas, contadores e fisco.
Consequências do aperfeiçoamento do SPED
O aperfeiçoamento do SPED, que vai agregar todas as obrigações acessórias existentes, permitirá que os contadores possam incorporar novidades ao seu trabalho, trazendo outros valores e informações aos seus serviços, de forma que ele possa trabalhar em questões diversas, como atividades de gerenciamento junto aos clientes, atividades estratégicas no seu escritório (como a conquista de novos clientes), e etc.
O SPED também vai permitir que os contadores diminuam o espaço necessário para a formação de arquivo morto, pois a quantidade de papel a transitar entre o cliente e o contador vai reduzir consideravelmente — assim como os gastos com espaço e papel para manter esse arquivo.
Outro aspecto do trabalho do contador alterado pelo SPED é a escrituração fiscal, pois essa passa a ser feita através da importação dos arquivos XML, implantados pelo SPED. Com o ganho de tempo nessa área, o contador pode trabalhar como um consultor para o seu cliente, nas operações que ele realiza de compra e venda de mercadoria, passando a exercer uma função mais produtiva e estratégica do que apenas apurar os impostos.
O e-Social é quase um enigma para os empresários
Seis anos atrás a Receita Federal decidiu criar a folha de pagamento digital para ter mais controle sobre os dados de trabalhadores informados pelas empresas. Era uma proposta simples, mas que acabaria se tornando embrião para o complexo e-Social.
O banco de dados que receberia apenas informações da folha de pagamento acabou crescendo, abrangendo também a escrituração digital de todas as obrigações trabalhistas, previdenciárias e fiscais –um monstrengo que necessita de cinco entes públicos para ser administrado (Receita, Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério da Previdência Social, INSS e Caixa Econômica).
Também exigirá esforço do contribuinte para dar conta de todas as obrigações acessórias trazidas por ele. Para incluir um funcionário nesse banco de dados a empresa precisará preencher 1.480 campos. Esse volume de informação exigido era ainda maior, quando os envolvidos na estruturação do e-Social perceberam que sua cria poderia sair do controle.
Há alguns meses o banco de dados foi rachado em dois, gerando o irmão menor do e-Social, que foi chamado de EFD-Reinf (Retenções e Informações Fiscais). Ele irá comportar informações sobre serviços prestados por Pessoas Jurídicas, cooperativas, informações sobre patrocínios a associações desportivas, pagamentos que não são provenientes de remuneração, como aluguel, entre outros dados.
“O e-Social estava ficando inchado e com a operacionalização muito complexa. Tinha informações sociais envolvidas com outras que não tinham esse cunho, por isso criamos um módulo paralelo, para deixar o e-Social mais lógico”, disse Paulo Magarotto, auditor-fiscal da Receita Federal que esteve nesta quarta-feira, na Associação Comercial de São Paulo (ACSP) explicando a empresários como lidar com essa nova realidade digital.
O porte avantajado do e-Social torna difícil sua operacionalização, tanto que os responsáveis por desenvolver o banco de dados não se sentem seguros em cravar uma data para que seu uso seja obrigatório pelas empresas. Há uma estimativa prevendo sua obrigatoriedade para setembro de 2016, isso, para empresas que faturaram mais de R$ 78 milhões em 2014. Para as demais empresas, seria apenas em 2017.
Mas o histórico de lançamentos cancelados ao longo os últimos seis anos tem deixado o empresário com o pé atrás em relação ao início da obrigatoriedade.
Magarotto justificou a demora dizendo que só faz sentido lançar uma plataforma tão ampla quando todos os envolvidos tiverem 100% de certeza de que ela funciona perfeitamente.
Independentemente do prazo para a obrigatoriedade, é importante que os empresários estejam familiarizados com a plataforma, porque ela exigirá mudanças drásticas no dia-a-dia contábil das empresas.
Embora o e-Social não altere as datas para as empresas cumprirem suas obrigações acessórias – a GFIP, por exemplo, continuará a ser entregue no dia 7 de cada mês -, ele elimina algumas obrigações, e cria outras tantas.
Como exemplo de nova obrigação acessória, ao contratar um empregado o contratante terá 48 horas para incluir os dados desse trabalhador no banco de dados. Caso contrário, poderá ser multado.
O e-Social não será muito tolerante com erros. O sistema limitará a quantidade de retificações que o contribuinte poderá fazer. Em outras palavras, ele exigirá uma melhor qualidade das informações enviadas pelo aos entes públicos.
Por outro lado, com os sistemas dos cinco entes públicos envolvidos com a plataformas interligados, o cruzamento dos dados enviados pelas empresas permitirá que incoerências nessas informações sejam facilmente identificadas.
O QUE É O e-SOCIAL
De maneira simplificada, o e-Social é um banco de dados que será abastecido pelos contribuintes com informações da folha de pagamento, com obrigações trabalhistas, previdenciárias e fiscais. Por sua vez, os entes públicos acessarão nesse banco aquelas informações pertinentes às suas atribuições.
Trata-se de um dos braços do Sistema Publico de Escrituração Digital (Sped). Todos aqueles que contratam mão-de-obra remunerada serão obrigados a se adequarem ao e-Social, sejam Pessoa Jurídica, entes públicos ou Pessoa Física. As regras também incluem empregadores domésticos.
VERSÃO SIMPLIFICADA
Empresas com até sete funcionários, e empregadores domésticos, poderão usar uma versão simplificada do e-Social. Serão menos campos para serem preenchidos, mas não há grandes definições em relação a esta opção mais simples. “O que está sendo definido agora é o quanto esta plataforma será menor do que o e-Social completo”, disse Maragotto.
“Mas devemos ter novidades logo já que a lei complementar que regulamenta os direitos dos empregados domésticos já foi regulamentada”, completou o auditor fiscal.
A proposta é que a versão simplificada funcione em ambiente web, permitindo que a inserção dos dados dos empregados seja feita em uma página on-line, sem a necessidade de implantação da plataforma do e-Social.
Comissão mista aprova Medida Provisória de correção do IR
A comissão mista da Medida Provisória 670, que concede correção escalonada na tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), aprovou nesta quarta-feira, 10, o parecer do relator da matéria e líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE). A proposta, que segue agora para o plenário da Câmara, manteve o teor do acordo fechado entre o governo e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Editada no dia 10 de março, a MP substituiu a proposta vetada pela presidente Dilma Rousseff de um reajuste linear de 6,5% na tabela do IR. Segundo o texto, a partir de abril deste ano, serão aplicadas quatro faixas de reajuste de acordo com a renda do contribuinte: 6,5%, 6%, 5% e 4,5%.
Com isso, contribuintes com renda mensal de até 1.903,98 ficarão isentos do recolhimento do tributo. Aqueles com renda entre 1.903,99 e 2.826,65 serão taxados a uma alíquota de 7,5%; os que ganham entre 2.826,66 e 3.751,05 serão taxados a uma alíquota de 15%; para quem recebe entre R$ 3.751,06 e 4.664,68, a cobrança será de 22,5%; e para os contribuintes com renda superior a R$ 4.664,68, a alíquota será cheia, de 27,5%.
Em seu parecer, o relator da MP disse que o acordo permitiu aos contribuintes de menor renda ter uma redução significativa do imposto devido. Ele exemplificou que pessoas com renda mensal de R$ 2 mil terão uma redução de 54,77% no imposto devido nos meses a partir de abril. Já os contribuintes enquadrados na faixa 5 que recebam R$ 5 mil por mês terão uma redução de cerca de 8% do imposto devido nos meses a partir de abril.
“Entendemos que a MP 670, de 2015, veicula uma solução de compromisso: protege o contribuinte pessoa física da elevação ilegítima da carga tributária provocada pela inflação, ao tempo em que preserva receitas do Tesouro Nacional necessárias ao ajuste fiscal”, afirmou Eunício.
A única emenda acatada pelo relator da MP incluiu uma proposta que garante um aporte de R$ 300 milhões para bancar o seguro-safra referente ao ano de 2014. Segundo o relator, a decisão de acatar essa emenda decorre do fato de que o recurso já existe e será, na prática, apenas liberado. A verba do plano safra de 2014 não foi incluída nos restos a pagar de 2015, o que, do ponto de vista orçamentário, impede sua liberação ao longo deste ano. Por isso, a emenda permitirá a utilização dos recursos.
A emenda do seguro-safra é um jabuti, isto é, trata de um tema alheio ao escopo original da MP. A medida provisória ainda terá de passar pelos plenários da Câmara e do Senado até o dia 8 de julho, prazo limite para ser votada antes de perder a validade.
10 sinais de que você tem inteligência emocional no trabalho
Profissionais dotados de inteligência emocional estão à frente de seus colegas – inclusive daqueles com o raciocínio mais afiado.
Segundo uma pesquisa da consultoria TalentSmart, o QE (Quociente Emocional) pode ser mais decisivo para o sucesso na carreira do que o famoso QI (Quociente de Inteligência).
O levantamento mostrou que cerca de 90% dos funcionários mais bem avaliados por seus empregadores têm uma boa gestão de suas emoções. Enquanto isso, apenas 20% dos profissionais com desempenho aquém do esperado apresentam a mesma habilidade.
Não surpreende, portanto, que a competência seja fundamental para sobreviver à crise econômica no Brasil, como explicou a EXAME.com o professor espanhol José Ramón Pin, da IESE Business School.
Mas como saber se você tem essa competência?
De acordo com o consultor norte-americano Travis Bradberry, coautor do livro “Emotional intelligence 2.0” (Perseu Books, 2009), essa resposta só pode ser obtida cientificamente por meio de testes psicológicos – que raramente são gratuitos.
Para ajudar quem não pode (ou não quer) pagar por um teste, Bradberry listou no LinkedIn alguns traços típicos de profissionais que sabem administrar seus próprios sentimentos. Veja a seguir 10 deles:
- Você sabe descrever suas emoções com palavras precisas
Ter um vasto “vocabulário emocional” é uma capacidade rara, segundo o consultor. Dizer apenas que está se sentindo “mal” é muito diferente de se descrever como “perplexo”, “frustrado” ou “ansioso”, por exemplo. Pessoas com inteligência emocional sabem gerir seus próprios sentimentos porque sabem exatamente quais são eles.
- Você conhece o seu lado mais frágil
De acordo com Bradberry, saber quais são as suas principais vulnerabilidades é essencial na hora de administrar o seu comportamento. “Ter um QE [quociente emocional] alto significa conhecer as suas forças, e como usá-las a seu favor, mas também impedir que as suas fraquezas atrapalhem você”, escreve ele.
- Você é um bom juiz
A habilidade para interpretar os sentimentos, intenções e motivações das outras pessoas é outro sinal típico desse tipo de inteligência. Se você tem um julgamento perspicaz e sensível a respeito dos demais, é provável que tenha um alto grau de competência emocional.
- Você não se ofende facilmente
É difícil acabar com a alegria de quem tem autoconfiança. “Pessoas emocionalmente inteligentes são seguras e têm mente aberta, o que lhes garante uma ‘pele’ bastante grossa”, escreve o consultor. Isso significa relevar brincadeiras, críticas e agressões alheias – e até tirar sarro de si mesmo de vez em quando.
- Você é capaz de dizer “não”
Levar comentários negativos na esportiva não significa ser passivo. Ter competência emocional implica, também, saber colocar limites. Segundo Bradberry, rejeitar novas tarefas e compromissos de forma assertiva é difícil, mas traz ganhos importantes para a saúde física e mental.
- Você perdoa a si mesmo
Quem tem domínio sobre o que sente costuma contemplar seus próprios fracassos de forma tranquila – mas não ignorá-los. “Remoer os seus erros traz ansiedade e timidez, enquanto esquecê-los completamente pode fazer com que se repitam”, escreve o consultor. É como uma “corda estreita”, observa Bradberry, em que só os mais competentes conseguem andar sem tropeçar.
- Você não cultiva rancores
Assim como são capazes de perdoar seus próprios erros, pessoas com inteligência emocional também costumam “absolver” os outros. Mágoa e rancor são dois ingredientes para o estresse e até para doenças como pressão alta. Quem consegue dominar seus próprios sentimentos, naturalmente, prefere fugir desses gatilhos de mal-estar.
- Você é generoso
Oferecer ajuda sem pedir nada em troca é uma característica típica de quem tem inteligência emocional, diz Bradberry. “Essas pessoas constroem relacionamentos fortes porque estão sempre pensando nos outros”, escreve ele.
- Você neutraliza pessoas “tóxicas”
Na hora de lidar com colegas ou chefes difíceis, o profissional com QE alto identifica seus próprios sentimentos, como frustração ou raiva, e impede que eles se transformem em descontrole. Além disso, ele procura respeitar o ponto de vista da pessoa “tóxica” e procura encontrar soluções positivas para as duas partes.
- Você não busca a perfeição
“Pessoas com inteligência emocional não veem a perfeição como um objetivo, porque sabem que ela não existe”, escreve Bradberry. Diante da inevitabilidade dos problemas, elas não se queixam sobre o passado e simplesmente seguem em frente.
Trabalha com contabilidade? Veja dicas essenciais para gerenciar seu tempo
Os diversos compromissos e o grande número de tarefas que devem ser realizadas levam os escritórios contábeis a ter uma rotina corrida e muitas vezes desorganizada. Isso acontece pois a tentativa de fazer diversos serviços, em um curto espaço de tempo, faz com que os contadores não deem a atenção necessária aos mesmos. Por isso, a rotina do contador deve ter como principal foco o gerenciamento do tempo.
Gerenciar seu tempo não é uma tarefa fácil para grande parte dos profissionais. A maioria dos escritórios de contabilidade não faz uma avaliação somente do currículo dos contadores, mas também analisa como eles fazem o gerenciamento de seu tempo. Isso acontece porque o tempo é um recurso muito valioso para a rotina do contador e qualquer atraso nos trabalhos pode levar à insatisfação dos clientes.
A rotina de escritórios de contabilidade é intensa, com seus inúmeros clientes e atendimentos, realizados em um único dia. Por isso, gerenciar seu tempo é um dos grandes desafios dos contadores. Assim como todas as empresas, os escritórios de contabilidade prezam pela organização. Por isso, otimizar o tempo é essencial!
Confira a seguir algumas dicas para gerenciar o tempo em seu escritório de contabilidade e coloque-as em prática agora mesmo!
Planeje sua rotina
Em qualquer tipo de empresa é essencial que a gestão tenha um planejamento. E isso também se aplica aos escritórios de contabilidade. Ter um planejamento possibilita aos contadores definir estratégias para cumprir suas tarefas, de acordo com o tempo gasto para realizá-las.
Por meio de um plano de negócios, os contadores poderão gerenciar seu tempo, fazendo com que o cotidiano do escritório contábil se torne mais organizado. Com isso, os contadores poderão se dedicar às tarefas do dia a dia com mais tranquilidade.
Reduza as pausas
Todo profissional necessita de um tempo de descanso, é claro, mas esse tempo pode se tornar seu inimigo se não for otimizado. Tente reduzir suas pausas e gerencie o tempo a seu favor. Enumere as tarefas que necessita cumprir ao longo do dia e divida seu tempo de acordo com a complexidade de cada uma delas. Com isso, você poderá se organizar e fazer com que suas pausas sejam programadas.
Uma outra dica importante é não se sobrecarregar. Tente diminuir progressivamente o número de horas-extras. Contadores precisam realizar tarefas que demandam um elevado nível de atenção. Por isso, é importante que estar descansado para que o nível de produtividade seja elevado. Os escritórios de contabilidade necessitam produzir mais em menos tempo.
Organize suas tarefas
Um grande aliado à produtividade dos escritórios contábeis é a organização das tarefas, de acordo com a importância das mesmas e do tempo gasto para realizá-las. Saiba qual é o horário de maior rendimento de cada contador para, assim, gerenciar seu tempo e organizar uma rotina em que sua produtividade seja mais rentável. Não tente impor horários, pois isso só irá atrapalhar o desempenho dos contadores.
Saiba delegar tarefas
Não tente delegar diversas atividades a um único contador. Utilize a gestão de seu escritório contábil para delegar as tarefas de acordo com as habilidades de cada profissional. Com isso, as tarefas serão melhor realizadas e nenhum contador será sobrecarregado, fazendo somente os serviços de sua competência. A organização é uma importante aliada para o gerenciamento do tempo, mantendo a rotina do contador organizada.
Use a tecnologia a seu favor
Automatize os processos manuais do seu escritório de contabilidade. Utilize sistemas de gestão contábeis que atendam a demanda dos serviços realizados no seu trabalho. Com esses softwares, você poderá organizar a rotina de seus contadores com eficiência. Procure por sistemas automatizados, capazes de criar agendas online, aplicativos com rotinas específicas de sua empresa, realizar entregas de arquivos para o governo etc. Organize e otimize o seu tempo!
Bloco K e Sped Fiscal: entenda a relação
A partir de janeiro de 2016, o envio dos livros de Registro de Controle da Produção e do Estoque das indústrias e atacadistas deverão fazer parte do Sped Fiscal, o tão comentado Bloco K. Com isso, o governo aumenta a fiscalização e o controle sobre o processo de produção das empresas, reduzindo as adulterações em notas ficais e estoque. É um passo desafiador para o empresariado e para a equipe contábil, já que todos os produtos utilizados na fabricação deverão ser informados, bem como as perdas no processo produtivo.
O que muda
A fiscalização será muito mais severa, já que o Fisco terá acesso ao processo produtivo completo das empresas, podendo cruzar os dados e facilmente achar inconsistências que configurem sonegação fiscal. O ideal era que as empresas já tivessem o livro físico de controle de produção e estoque, mas, como quase nunca era exigido, muitos deixaram de lado e agora serão obrigados a fazê-lo.
Quais dados deverão ser informados
Todas as empresas industriais e atacadistas, com exceção daquelas enquadradas no Simples Nacional, deverão preencher o Bloco K. Quando já se tem um software de gestão financeira, contábil e produtiva, conseguir as informações necessárias é uma tarefa menos dolorosa. Aqui estão os dados que serão relacionados no Bloco K e Sped Fiscal:
Fica técnica dos produtos;
Perdas do processo de produção;
Ordem de produção;
Insumos utilizados;
Produtos finalizados (inclusive os terceirizados).
Principais desafios
Certamente, o levantamento dos dados e a sua consistência são um desafio para gestores financeiros, produtivos e contábeis. Além disso, o novo sistema não prevê as particularidades de cada cadeia produtiva, já que cada empresa é responsável por montar a estrutura que melhor atende a si mesma de acordo com seus recursos.
O Sped Fiscal parte do princípio da igualdade no envio das informações, mas também na forma como essas informações são geradas, ou seja, é como se o sistema de produção de uma empresa que fabrica lâmpadas fosse o mesmo de uma que fabrica biscoitos.
Como se preparar
A principal questão é a conscientização do empresariado para esse novo sistema, visando a adequação, reestruturação de processos e até mesmo da equipe. É um ótimo momento para reavaliar sistemas e métodos e, quem sabe, até conseguir se reinventar no mesmo cenário. Os contadores devem estimular os industriais e comerciários nessa mudança, começando já a fazer um levantamento da situação da sua cadeia produtiva e estimulando a utilização da tecnologia para controle de estoque e produção. Os contabilistas devem ser uma importante fonte de apoio, conduzindo o processo e dando os inputs necessários à fluidez das informações.
Não é o momento de se desesperar, mas, sim, de se preparar. É uma revolução que não tem volta e que envolve a digitalização e a unificação de grande parte das obrigações das empresas brasileiras. Do Sped Fiscal, Bloco K, passando pelo eSocial, são todas as transformações que colocam o Brasil no caminho da modernidade, mas também deixam as empresas cada vez mais sujeitas a penalidades, exigindo um esforço de todos na conformidade de todos os trâmites legais.
Nasce a ECF, nascem oportunidades
O ano de 2015 está marcado por muitas mudanças no processo de gestão fiscal, o que demandará organização, controle e planejamento das empresas. O SPED cada dia mais se mostra como uma ferramenta de gestão tributária e de compliance para as empresas, assim como para o Fisco. Com o SPED ECF (Escrituração Contábil Fiscal), o projeto responsável pela digitalização da apuração do IRPJ e da CSLL, a história não poderia ser diferente.
O layout da ECF já pode ser conferido no portal do SPED e constantemente é alterado em virtude dos testes que estão sendo efetuados no PVA (Programa Validador e Assinador), também já liberado para homologação. Considerado como uma evolução digital da DIPJ (Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica), as exigências do arquivo têm se mostrado consideravelmente mais complexas em virtude das inúmeras validações e, até mesmo, novas exigências impostas.
Com a entrega prevista para Setembro 2015, para os dados do ano calendário 2014, a antecipação de um PVA para testes (a primeira versão, dez meses antes do prazo final de entrega) denota que a Receita não considera a ideia de postergar a data de entrega da ECF e, sobretudo, remete às empresas a necessidade imediata do início dos trabalhos em relação a esta nova obrigação. Mapeamento de informações, adequações de cenários para este arquivo texto e a qualidade do ‘de x para’ com o Plano Referencial da Receita são exemplos de tarefas árduas e extremamente necessárias para um projeto saudável e eficaz, a fim de evitar dissabores futuros.
É de conhecimento de todos que a inclusão do IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) no projeto SPED da Receita Federal possibilitará ao Fisco o cruzamento massivo de informações entre os SPEDs já existentes, em especial o SPED Contábil, além das demais obrigações acessórias, como o DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Portanto, a preocupação das empresas não deve ser apenas em entregar o arquivo com a estrutura exigida, mas também com o conteúdo que compõe este arquivo e a coerência com as demais informações prestadas pela empresa. Preparem-se!