Empresas terão de entregar declaração de planejamento tributário
O governo decidiu adotar uma nova relação com as empresas que fazem planejamentos tributários, ou seja, aquelas que usam as brechas legais para pagar menos tributos.
Para tanto, a Medida Provisória nº 685, publicada no “Diário Oficial da União desta quarta-feira (22), estabelece que aquelas empresas terão de enviar à Receita Federal uma declaração informando previamente as operações que possam acarretar a falta ou o atraso no recolhimento de tributos.
Para a Receita, a medida “visa aumentar a segurança jurídica no ambiente de negócios do país e gerar economia de recursos públicos em litígios desnecessários e demorados”. A declaração será entregue à Receita até 30 de setembro, relatando as operações realizadas no ano anterior.
Segundo o secretário da Receita, Jorge Rachid, a nova declaração “dará mais segurança jurídica aos contribuintes, que poderão consultar o órgão sobre um planejamento tributário futuro. A sistemática melhora a relação fisco-contribuinte, aumenta a segurança jurídica e reduz os litígios”.
A Receita diz que a ausência de informações completas e relevantes a respeito das estratégias de “planejamentos tributários nocivos” é um dos principais desafios enfrentados pelas administrações tributárias no mundo. “O acesso rápido a essas informações oferece a oportunidade de responder rapidamente aos riscos de perda de arrecadação tributária por meio de fiscalização ou de mudança na legislação.”
O principal objetivo da declaração é instruir a administração fazendária com informações rápidas a respeito do planejamento tributário. “A medida também visa a segurança jurídica da empresa que revela a operação, inclusive com cobrança apenas do tributo devido e de juros de mora caso a operação não seja reconhecida, para fins tributários, pela Receita.”
O advogado Fernando Grasseschi Machado Mourão, do escritório Braga & Moreno Consultores e Advogados, avalia que a exigência de entregar a declaração traz mais insegurança aos empresários.
“As novas regras criam um subjetivismo quanto às operações praticadas, na medida em que permitem que o fisco avalie a licitude e a pertinência de operações como incorporações, aquisições etc., desprezando o fato de que os administradores devem considerar nos negócios os custos tributários para a preservação da empresa e se reorganizar para esse fim”, diz o advogado.
Segundo Mourão, a Constituição dá aos contribuintes algumas garantias contra essa interferência, como segurança jurídica, legalidade e não interferência na iniciativa privada.
DÉBITOS X PREJUÍ;;ZOS FISCAIS
A MP nº 685 também instituiu o Prorelit (Programa de Redução de Litígios Tributários), que permite o uso de créditos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), apurados até 31 de dezembro de 2013, para a quitação de débitos tributários vencidos até 30 de junho deste ano.
As empresas interessadas no benefício terão apenas 70 dias -até 30 de setembro próximo- para apresentar o requerimento de adesão ao programa.
Outra condição para adesão é o pagamento à vista, em dinheiro, de no mínimo 43% do valor consolidado da dívida, que deverá ser feito até o último dia útil do mês em que o requerimento for apresentado. Os restantes 57% poderão ser pagos com o uso de créditos de prejuízos fiscais e de base negativa da CSLL.
TAXAS SÃO ATUALIZADAS
A MP também autoriza o governo a “atualizar monetariamente” 25 taxas instituídas por 11 leis, editadas entre 1989 e 2010. Algumas dessas taxas ainda estão fixadas em Ufir (a antiga Unidade Fiscal de Referência, extinta em 2000) ou em percentual sobre o faturamento das empresas.
Entre elas estão a Taxa de Controle e Fiscalização de Produtos Químicos, a Taxa de Fiscalização do Mercado de Valores Mobiliários, a Taxa de Fiscalização de Vigilância Sanitária, a Taxa de Saúde Suplementar, a Taxa de Fiscalização de Serviços de Energia Elétrica, a Taxa de Fiscalização da Aviação Civil, as taxas de fiscalização da prestação de serviços e de exploração de infraestrutura atribuídas à ANTT (transportes terrestres) e à ANTAQ (transportes aquaviários) e a Taxa de Fiscalização dos Mercados de Seguro e de Resseguro, de Capitalização e de Previdência Complementar Aberta.
7 dicas práticas para revolucionar suas finanças
Controlar gastos e planejar investimentos não precisa ser uma tarefa cansativa. Ao seguir algumas dicas práticas é possível manter as finanças em ordem sem perda de tempo e dores de cabeça.
Veja a seguir sete dicas para revolucionar sua vida financeira sem complicações:
1) Coloque contas no débito automático
É fácil evitar o risco de atrasar o pagamento de contas e prejuízos com multas por causa de um simples esquecimento: basta colocar em débito automático os compromissos financeiros programados, como conta de celular, água e luz.
Para utilizar o serviço, basta fazer o cadastro da empresa por internet banking, terminais de autoatendimento ou em agências do banco. Assim, qualquer cobrança feita por essas empresas será descontada automaticamente da sua conta corrente.
2) Automatize aplicações financeiras
Valores depositados na conta bancária também podem ser transferidos automaticamente para aplicações financeiras, como a caderneta de poupança.
Essa é uma ótima solução para quem não tem disciplina para poupar, já que o investimento pode ser feito logo que o salário cai, evitando que a reserva financeira seja feita apenas quando sobra algum dinheirinho no final do mês.
Caso o valor não possa ser investido durante determinado período, basta cancelar o serviço a qualquer momento.
3) Reduza o número de contas correntes e cartões de crédito
Ter diversas contas correntes em diferentes instituições financeiras, além de aumentar o risco de descontrole financeiro, também multiplica a cobrança de tarifas pelos serviços e transações realizadas.
Taxas cobradas pelos bancos por saques, transferências e outros serviços podem fazer uma diferença expressiva no orçamento. Uma pesquisa divulgada em maio pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) aponta que no ano passado as instituições financeiras reajustaram tarifas e serviços acima da inflação. O aumento foi de até 136% para serviços avulsos e até 75,2% no caso de pacotes de tarifas contratados.
Além de reduzir custos, consolidar contas e cartões de crédito torna possível monitorar com maior facilidade os gastos mensais.
Outra vantagem é que ao concentrar gastos em apenas um cartão de crédito aumentam as possibilidades de obter mais recompensas no programa fidelidade, já que os pontos são acumulados mais rapidamente (veja quais são os melhores e piores cartões de crédito para acumular milhas).
4) Não espalhe seus investimentos em diversas instituições
Ainda que a diversificação de investimentos seja extremamente importante, dividir suas aplicações entre muitas instituições financeiras pode dificultar o seu controle financeiro e te levar a pecar pelo excesso.
Ao concentrar os investimentos em poucas instituições financeiras você não só conseguirá acompanhar mais facilmente o andamento dos seus investimentos, como poderá reduzir a cobrança de tarifas e acessar produtos mais interessantes, oferecidos apenas a clientes que investem um volume maior de recursos.
5) Faça um orçamento
Com pagamentos programados de forma automática, é necessário criar um orçamento financeiro para monitorar despesas e rendimentos.
A ferramenta escolhida pode ser um caderno de anotações, uma planilha eletrônica ou um aplicativo no celular: o mais importante é se sentir confortável em usar a solução.
Quem é menos disciplinado para anotar todos os gastos e acha complicado acompanhar as despesas pelo internet banking tem à disposição aplicativos que atualizam automaticamente suas movimentações ao se conectarem à sua conta corrente, como o GuiaBolso.
Existem também cartões de crédito, como o Nubank, que são ligados a aplicativos. Além de facilitar a visualização da fatura e atualizar no app cada despesa realizada, a ferramenta também permite dividir despesas por categoria e criar gráficos que ajudam o usuário a analisar melhor como o dinheiro tem sido gasto.
Munido dessas soluções, é possível manter o orçamento equilibrado e evitar cair no cheque especial por falta de fundos em conta.
6) Crie lembretes para revisar tarifas bancárias e aplicações
Especialistas aconselham revisar periodicamente o valor de tarifas e juros cobrados em financiamentos e também o rendimento de aplicações financeiras.
Assim, é possível verificar se vale a pena mudar de banco ou migrar o dinheiro aplicado para investimentos mais rentáveis. O mais recomendado é realizar essas revisões a cada seis meses.
Uma solução simples é agendar lembretes no calendário do celular e já programá-los para que sejam repetidos a cada seis meses.
7) Coloque as soluções em prática de forma gradual
Caso seja difícil encontrar tempo para seguir todas as soluções indicadas de uma só vez, determine um prazo para levar o projeto a cabo e divida a realização de cada tarefa ao longo desse tempo.
A inconveniência será temporária. Posteriormente, será possível economizar tempo para gerenciar as finanças.
6 dicas para transformar seus funcionários em empreendedores
Você trata seus funcionários como uma contribuição fundamental ao negócio ou como pessoas substituíveis? Fazer com que eles se sintam parte das decisões pode trazer benefícios, e não apenas para a empresa.
“A partir de boas ações no ambiente de trabalho, uma série de eventos positivos é gerada. Os funcionários, o dono do negócio, a empresa e a sociedade como um todo ganham”, afirma Adriana Gomes, do núcleo de carreira da ESPM.
Um aviso prévio: ser líder é muito diferente de ser apenas um chefe, afirma Gilberto Guimarães, professor da Business School São Paulo (BSP). “Dizer que você é diferente de todo o resto da empresa por ser um dono é um caminho ruim. Com esse raciocínio, você não será um líder de verdade”.
Segundo Denise Dantas, professora do MBA em Gestão de Pessoas do Ibmec/DF, esse trabalho de motivação ainda é mais comum em grandes empresas, mas as pequenas já estão adotando esse foco na hora de melhorar seus resultados. “Temos uma escassez de mão de obra, então qualificar seus funcionários é essencial para o negócio adquirir um diferencial competitivo”.
Veja, a seguir, cinco técnicas para fazer com sua equipe também se sinta uma empreendedora do negócio:
- Dê uma causa que justifique o engajamento
Por que as pessoas batalham pelo sucesso de uma empresa, mesmo que não sejam as donas? Segundo Guimarães, é porque estão lutando por uma causa maior. “O empreendedor precisa definir e comunicar o objetivo do negócio. Essa razão de existência deve ser importante para o grupo, e não apenas para o dono”.
- Esteja presente
As pequenas e médias empresas têm um grande trunfo: os funcionários estão próximos do núcleo de decisão. “Em negócios de grande porte, muitos acabam nem conhecendo o presidente”, diz Adriana.
Por isso, aproveite essa vantagem e participe mais do dia a dia da operação, assumindo o papel de coach da sua equipe. “Esse trabalho por parte do dono coloca na cabeça do funcionário que ele pode crescer dentro da empresa e depois ser, ele próprio, um empreendedor”, explica Denise.
- Ofereça recursos e capacitação
Querer que os funcionários produzam ser ter recursos básicos só irá gerar frustração na sua equipe, afirma Guimarães. Por isso, antes de exigir, forneça equipamentos de trabalho e benefícios de saúde, educação e qualidade de vida.
Dar treinamento pode ser outra razão para o dono estar presente durante o dia a dia, além de participar na operação do empreendimento, diz Denise. Mas essa capacitação também deve incluir cursos formais, quando o orçamento permitir.
- Dê espaço para novas ideias
Criar um espaço para que a equipe possa colaborar não é só deixar uma caixinha de sugestões no canto do escritório, diz Adriana. Nessas horas, é preciso pensar na cultura de uma startup.
“O ideal é que as sugestões sejam compartilhadas entre o grupo, em uma reunião, além de dar espaço para que elas sejam eventualmente testadas, mesmo que em um ambiente menor”, afirma a docente.
- Acredite que a empresa é uma comunidade e compartilhe
Uma estratégia para os funcionários se sentirem como empreendedores do negócio é fazê-los entender que estão trabalhando como membros de uma comunidade. “O pequeno empresário tem que fazer com que todos se sintam pertencentes ao grupo, e não com o dono de um lado e o resto de outro”, afirma Guimarães.
Na mesma linha, todos os resultados do empreendimento devem ser perceptíveis pela equipe. “Isso dá a noção de realização, de que eu faço parte desses resultados e de que eu estou junto do negócio”, diz Adriana.
- Remunere com dinheiro e reconhecimento
Recompensar faz com que o trabalho do funcionário melhore, e muito. Mas, se a ideia é trabalhar com bônus financeiro em cima de metas, é preciso que os indicadores estejam bem claros. “Todos têm de saber por que estão sendo remunerados ou por que não estão”, alerta Denise.
Adriana também recomenda dar prêmios, que podem variar desde uma folga até descontos em produtos de uma empresa parceira. Mas é possível, mesmo sem nenhum caixa disponível, estimular a equipe. “Reconhecer as ideias, ações e iniciativas do funcionário o incentiva e sai de graça”, afirma Adriana.
Para isso, reconheça a importância do trabalho que um membro da equipe executa, e não apenas qualidades, como ser uma boa pessoa. “Quando eu percebo que o que eu faço é importante, eu carrego a bandeira da empresa junto, e não sou apenas levado pelos outros”,
Empresas poderão aderir ao Programa de Proteção ao Emprego
As empresas interessadas em aderir ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE) poderão fazê-lo a partir do dia 22 deste mês, informou o ministro do Trabalho, Manoel Dias. Dias e representantes de outros ministérios participaram nesta terça-feira (14) da instalação do comitê interministerial que vai avaliar e estabelecer regras para o programa. Criado por medida provisória no último dia 6, o PPE permite a redução temporária da jornada de trabalho, com diminuição em até 30% do salário.
“Nós temos um grupo de trabalho que está diariamente se reunindo, os técnicos estão elaborando regras e as normas [para o programa]. Eles expuseram [hoje] aos ministros em que ponto está esse trabalho”, disse Manoel Dias. Os ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, e da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, reuniram-se com Dias e com técnicos por cerca de uma hora. Joaquim Levy e Nelson Barbosa, respectivamente ministros da Fazenda e do Planejamento, Orçamento e Gestão, não compareceram, mas enviaram representantes.
De acordo com Dias, na sexta-feira (17) o comitê interministerial, coordenado pela pasta do Trabalho, volta a se reunir para receber informações da área técnica e discutir detalhes. Na terça (21), os membros do comitê assinam o que for acordado, permitindo a abertura para adesão no dia seguinte. O ministro do Trabalho não quis adiantar regras, nem nomear setores interessados no PPE.“Em torno de 10 setores já procuraram informações. Nós não podemos declarar porque não está formalizado. Não podemos colocar publicamente ainda”, afirmou.
Manoel Dias voltou a dizer que o programa vai gerar economia para os cofres públicos “Nós fizemos uma projeção para 50 mil trabalhadores. Isso implicaria em um custo de R$ 100 milhões. Esses mesmos trabalhadores, se tivessem sido demitidos, o custo seria R$ 168 milhões. É uma medida que reduz despesa, além de manter emprego, nosso principal objetivo”. O governo arcará com 15% da redução salarial de até 30%, usando recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Desoneração da folha pode chegar à contabilidade
As empresas de contabilidade poderão ser habilitadas a participar do regime atual de desoneração da folha de pagamentos. A medida está prevista no Projeto de Lei nº 6.750/13, em tramitação na Câmara dos Deputados. A expectativa dos contadores atingidos é de que o PL entre em votação ainda neste ano.
A exemplo do que acontece em setores como hotelaria, transporte de passageiros, construção civil e outras 53 categorias, as organizações contábeis tributadas por Lucro Real ou Presumido poderão usufruir dessa medida capaz de alterar a incidência das contribuições previdenciárias.
O projeto inclui a contabilidade às atividades já contempladas pela Lei nº 12.546/11 e prevê a substituição da contribuição patronal previdenciária (20% sobre a folha de pagamento de empregados e contribuintes individuais) pelo pagamento de um percentual sobre o faturamento. De acordo com a legislação já em vigor, as empresas que se dedicam exclusivamente às atividades referidas, nos meses em que não auferirem receita, não recolherão as contribuições previdenciárias.
O empresário contábil poderá optar pelo pagamento da contribuição previdenciária patronal em cima da receita bruta ou da folha de pagamentos. Essa escolha será manifestada mediante o pagamento da contribuição incidente sobre a receita bruta relativa ao mês de janeiro de cada ano, ou à primeira competência subsequente para a qual haja receita bruta apurada, e será irretratável para todo o ano-calendário. “Todo ano, a empresa poderá avaliar se quer pagar o valor da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento ou sobre o faturamento”, diz Valdir Pietrobon, diretor político-parlamentar da Fenacon, entidade que encabeça o movimento de elaboração e defesa do projeto de lei.
Segundo justificação do PL, a atividade contábil passa atualmente por um momento crítico, no qual tem sido demandada a fazer pesados investimentos para se adequar aos novos protocolos de comunicação eletrônica com os fiscos, em torno da implantação do Sped – Sistema Público de Escrituração Digital.
Caso o faturamento ultrapasse o limite de R$ 300 mil/mensais, as empresas saem do regime simplificado e são obrigadas a apurar o Imposto de Renda sob a modalidade do lucro presumido. A carga tributária total (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, INSS e ISS) passa de 17% para 29% do seu faturamento, em média, destaca o projeto. Nesse caso, inevitavelmente, os empresários do setor serão obrigados a cortar custos, sobretudo através da dispensa de parte de seus empregados.
Empresário estima economia superior a 14% no total de impostos pagos mensalmente
“A possibilidade de habilitar-se ao sistema de desoneração da folha de pagamento representa uma grande conquista”, adianta o diretor da EZA Contabilidade, Carlos Zenon. Um dos sócios da empresa com 100 colaboradores e unidades em Porto Alegre, São Sebastião do Caí e Feliz, o contador estima que (tomando por base o faturamento e a média da folha mensal do primeiro semestre de 2015) a desoneração pode gerar uma economia de 14,4%, quando considerados todos os impostos pagos, e superior a 17,4%, se levar em conta apenas a contribuição sobre as folhas de pagamento.
A substituição da contribuição patronal que incidia sobre a folha de salários por um percentual sobre o faturamento das empresas é um atrativo para aquelas que têm maior número de colaboradores. “As empresas contábeis têm investido na qualificação profissional de seus colaboradores, que requer conhecimento técnico e cuja formação leva tempo e investimento”, explica Zenon.
Isso, somado ao crescimento da competição por mão de obra qualificada e a necessidade dos escritórios em manter seus talentos, levou a um considerável aumento no custo da folha de pagamento. “Esse novo cenário possibilitará uma melhor qualificação da equipe e melhora nos salários, investimentos em tecnologia e até o aumento do quadro de colaboradores”, prevê.
Mudança deve abranger apenas 5% dos escritórios
Para o diretor da Fenacon, Valdir Pietrobon, a demanda é importante para toda a classe, apesar de abarcar um número pequeno de organizações contábeis. Já o presidente do Sescon/RS, Diogo Chamun, mesmo que afirme não se opor à matéria, relativiza a importância de o tema ser discutido no momento e a sua abrangência e relevância para a classe. Chamun explica que, no Rio Grande do Sul, apenas 5% das empresas contábeis não são optantes pelo Simples Nacional, índice semelhante quando o recorte é nacional.
Ao todo, o Brasil tem 48.121 organizações contábeis, segundo dados do Conselho Federal de Contabilidade. No Rio Grande do Sul, são 3.374. Desse total, em torno de 2,4 mil empresas brasileiras e cerca de 170 no Estado poderiam usufruir da novidade.
O empresário contábil Flávio Ribeiro Jr. explica que não é de hoje que os profissionais têm investido mais em tecnologia devido à complexidade da legislação e da exigência de novas obrigações, com altos níveis de detalhamento pelo fisco. Paralelamente a isso, diz Flávio, o quadro de profissionais se manteve ou até aumentou.
“Isto significa que temos que trabalhar com orçamentos muito enxutos. Se não preparamos um escalonamento justo e adequado para as empresas que são desenquadradas do Simples Nacional, com certeza haverá drásticas consequências”, prevê. O contador é diretor do escritório Flávio Ribeiro Contabilidade, que ainda integra os optantes pelo regime simplificado. Mesmo assim, defende a medida pensando no crescimento futuro.
A proposta, que tramita de forma conclusiva, será analisada pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara.
Como funciona a incidência da contribuição patronal sobre a receita bruta
A alteração da legislação tributária incidente sobre a folha de pagamentos foi efetuada primeiramente em agosto de 2011, por intermédio da Medida Provisória nº 540, de 2 de agosto de 2011, convertida na Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, e ampliada por alterações posteriores (Leis nº 12.715/2012, 12.794/2013 e 12.844/2013). Esta medida consiste na substituição da base de incidência da contribuição previdenciária patronal sobre a folha de pagamentos, prevista nos incisos I e III do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, por uma incidência sobre a receita bruta.
A implementação da incidência sobre a receita bruta se deu, em termos práticos, por meio da criação de um novo tributo, a Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB). O documento Desoneração da Folha de Pagamento – Estimativa de Renúncia e Metodologia de Cálculo elaborado pela Receita Federal pontua que a CPRB consiste na aplicação de uma alíquota de 1% ou 2%, a depender da atividade, do setor econômico (Cnae) e do produto fabricado (NCM), sobre a receita bruta mensal.
A metodologia de cálculo consiste em uma microssimulação, realizada para cada contribuinte, utilizando-se como fontes de informação os valores declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (Gdip), Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) e Guia da Previdência Social (GPS). O valor do impacto fiscal da desoneração da folha é igual à diferença entre o valor da contribuição que a empresa recolheria se não estivesse sujeita à desoneração e o valor da contribuição previdenciária efetivamente arrecadado, conforme o previsto na Lei nº 12.546 de 2011. Os cálculos são realizados para cada mês e abrangem os contribuintes que, naquele mês, realizaram algum pagamento de contribuição patronal sobre receita bruta (CPRB).
Informações sobre o Sicalc
A Lei 13.137/2015 alterou o período de recolhimento do PIS/COFINS/CSLL de quinzenal para mensal. No entanto, até o momento o Sicalc não foi ajustado para tal modificação.
Questionada a Coordenação-Geral de Arrecadação e Cobrança – CODAC da Receita Federal encaminhou nota à Fenacon sobre o assunto. Segue a íntegra:
“A alteração da regra de vencimento já foi demandada. Entretanto ainda temos uma pendência de análise, portanto, por ora, não temos previsão para a conclusão.
Para amenizar a dificuldade enfrentada pelos contribuintes enquanto a alteração descrita acima não fica pronta, foi disponibilizada (no dia 08/07/2015) uma nova versão do Sicalc que no caso dos códigos 5952, 5960, 5979 ou 5987 direciona para o preenchimento manual do DARF. Isto significa que para estes códigos o contribuinte deverá preencher manualmente os dados do DARF, inclusive deverá calcular os acréscimos (se for o caso) sem a ajuda do sistema, ficando assim o contribuinte responsável pelos dados informados. Esse procedimento deverá ser realizado enquanto não implementadas as alterações.
Caso tenha realizado o download do Sicalc antes do dia 09/07/2015, sugiro realizar o download novamente”.
12 erros que acabam com as contas do seu negócio
Olhar as contas do negócio nem sempre é uma tarefa fácil, seja por questões econômicas ou emocionais. Mas ignorá-las pode gerar um estresse ainda maior: o da falência.
Para Marcelo Correa, professor do curso de Administração da Universidade Anhembi Morumbi, devemos nos comportar mais como “formigas” e menos como “cigarras” durante momentos de crise. “Precisamos pensar mais no futuro e menos na fartura”, afirma.
Os brasileiros conseguem vencer as barreiras da burocracia e empreender, mas o grande desafio é manter o negócio, segundo Luiz Fernando Barbieri, coordenador da pós-graduação CBA Gestão Estratégica por Processos do Ibmec do Rio de Janeiro. “Os empreendedores fazem muito uma gestão por feeling, e, quando a empresa vende menos, dão desculpas para seus erros”.
Para saber administrar as finanças, é indispensável que o empreendedor procure capacitação sobre o tema. “O gestor tem que aprender a fazer seu negócio virar”, diz Ruy Barros, consultor do Sebrae de São Paulo.
Antes que sua empresa fique no vermelho, conheça doze erros dos quais você deve fugir:
- Ignorar o planejamento
Segundo Barros, desconhecer qual o caminho que o negócio irá seguir é a primeira falha cometida pelos empreendedores que gera gastos maiores do que o previsto. Para ter uma visão estratégica da empresa, o consultor recomenda fazer um plano de negócios. “Comece a trabalhar sua empresa no papel, e depois vá para o dia a dia. Assim, você comete menos erros”.
- Só se importar com o faturamento
Olhar as métricas do negócio é fundamental em qualquer empresa. Mas isso não significa que apenas saber os números de faturamento seja o suficiente. Segundo Barros, o problema é que muitos empreendedores, apesar de acompanharem o valor, não sabem como trabalhar com ele.
Isso significa que, quando o resultado financeiro entra em queda, muitos não sabem responder se a qualidade do produto deixou a desejar ou se a concorrência ganhou o mercado, exemplifica Barbieri.
Para lidar com essa situação, Correa recomenda olhar a relação do faturamento com o valor visto em anos anteriores e, se possível, com o resultado que os concorrentes alcançaram.
- Comprometer o negócio com dívidas
Investimentos são necessários, mas é importante refletir se eles irão dar retorno e quando isso acontecerá. “Destinar uma grande parte da receita às dívidas acaba com a liquidez do negócio”, alerta Barbieri. Isso significa que, quando o empreendedor precisar de dinheiro para uma situação de emergência, suas reservas estarão comprometidas.
Uma outra atitude que mergulha o empreendimento em dívidas é depender do dinheiro que está no plano das promessas. “Muitos acabam adquirindo um novo equipamento, por exemplo, mesmo que o acordo de venda ainda não tenha sido concretizado”.
- Não ter controle sobre o fluxo de caixa
Gastar mais do que recebe: essa conta não vai fechar nunca. “Quando o empreendedor não tem um controle, acaba comprando demais. Esse desequilíbrio nos recursos faz com que a empresa não avance”, diz Barros.
Esse erro é um passo certeiro para a falência, afirma Barbieri. Para saber exatamente como está o fluxo de caixa, uma planilha é suficiente em pequenos negócios. Em empresas maiores, pode ser necessário ter um sistema de gestão.
O que olhar? Correa recomenda analisar fatores como as características do segmento da empresa, incluindo taxa de crescimento, e se o empreendedor tem capital de giro suficiente para manter o negócio.
- Desconsiderar custos de produção
Em toda empresa, há custos fixos (como o aluguel) e custos variáveis (que variam com a produção, como matéria-prima e energia). Muitos empreendedores não sabem como calcular o segundo tipo de gasto, diz Barbieri. Esse acúmulo de gastos inesperados faz o caixa da empresa ir para o vermelho.
- Estocar além do necessário
Comprar muitos produtos de uma vez só era um hábito comum na época da hiperinflação, mas que ainda permanece. “A gente sabe que existe um indicador importante, que é a perda da venda pela falta de estoque, mas pior do que isso é ter um estoque excessivo”, diz Barbieri.
Por isso, é necessário analisar a demanda e manter um estoque enxuto. Caso contrário, o orçamento fica comprometido por gastos que, na verdade, eram evitáveis.
- Diminuir a qualidade do produto
Durante uma crise, muitos empreendedores decidem diminuir a qualidade do produto ou do serviço para enxugar os gastos. Essa estratégia é um tiro no pé, segundo Barros, já que os clientes estão cada vez mais exigentes. A economia na matéria-prima pode ser pequena frente ao prejuízo com a queda nas vendas.
- Confundir a conta pessoal com a da empresa
Na hora de pagar projetos pessoais, como cursos ou viagens nas férias, retirar o dinheiro do caixa da empresa é um grande erro, mesmo que o empreendedor prometa devolver. “Não mexa no que é da empresa e que você planejou receber. Isso atrapalha a boa gestão financeira”, diz Barbieri.
- Fazer liquidações, oferecer parcelamentos ou dar brindes sem planejar
No desespero de aumentar as vendas, outra estratégia comum é diminuir os preços ou dar a opção de pagamento em parcelas. Antes de adotar esse plano, Correa recomenda verificar a margem de contribuição do produto: ou seja, quanto dinheiro sobra da venda descontando os custos variáveis para produzir o produto ou serviço.
Se essa margem for muito magra, não irá sobrar dinheiro para pagar despesas como o aluguel, por exemplo, e a empresa pode até falir. Por isso, na hora de oferecer promoções, leve em consideração os custos envolvidos.
Outro cuidado é achar que investir pesado em marketing é a solução para a crise. Como toda área da empresa, é preciso analisar o custo-benefício e ter cautela antes de adotar uma estratégia como dar brindes, por exemplo.
- Contrair empréstimo quando há outras alternativas
Correa recomenda ficar o mais longe possível dos empréstimos e, se eles forem a última opção, sempre tentar renegociar as taxas. “Se possível, faça um aumento do capital na empresa com o dinheiro dos próprios sócios”, recomenda.
- Não saber de onde cortar gastos
Custo e despesa não são a mesma coisa, diz Correa. O custo é tudo que está diretamento relacionado à atividade do seu negócio (como salário dos professores em uma escola). Já as despesas são atividades paralelas, mas que incrementam a capacidade de produção (como o gasto com material de escritório). Na hora de economizar, corte a gordura e não a carne: ou seja, pense mais nas despesas e menos nos custos.
- Desistir quando a situação aperta
A dificuldade deve ser entendida como um desafio a ser superado diariamente. Isso é importante não apenas pela motivação do empreendedor, mas também para as contas da empresa. “Às vezes, desistir antes da hora faz você perder oportunidades, como um acordo com o banco ou uma venda para um cliente exigente”, diz Barbieri.
PPE pode inibir ação contra redução salarial
O programa é baseado em modelo europeu e utilizado em momentos de crise econômica.
De acordo com especialistas, empresas devem ficar atentas à variação da folha de pagamentos já que ainda não ficou claro como será feito o recolhimento de contribuições e impostos sobre valor
Acordos coletivos firmados no âmbito Programa de Proteção ao Emprego (PPE), instituído pela Medida Provisória 680, vão reduzir as chances de processos trabalhistas contra as empresas. Essa é a opinião de especialistas ouvidos DCI.
O PPE permite redução de jornada de trabalho e de salários dos empregados na indústria, após discussão com sindicatos de categorias trabalhistas. O programa é baseado em modelo europeu e utilizado em momentos de crise econômica.
“Não é uma medida que pode ser adotada a qualquer tempo”, destaca o especialista do GPM Advogados, Eduardo Maximo Patricio.
Ele pondera que as empresas que seguirem as regras do programa, especialmente, os acordos coletivos, vão se garantir contra processos trabalhistas no futuro, embora nada impeça o trabalhador de recorrer a Justiça em caso de demissão ao final do programa. Empresas que aderirem ao PPE não poderão demitir enquanto o plano estiver em vigor. Ao fim da medida, será proibido o corte dessas vagas por prazo equivalente a um terço do período de adesão.
Apesar disso, para o assessor jurídico do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP), Aristeu Neto, a MP vai gerar insegurança para o trabalhador. “Essa MP vai sacrificar o trabalhador, que acabará pagando pela crise”, disse o advogado, se referindo ao cenário macroeconômico.
Aristeu Neto afirma, porém, que na prática os trabalhadores não poderão mover qualquer ação trabalhista, como por exemplo, pedido uma compensação salarial em função dos acordos coletivos. “Em tese não pode pedir compensação, porque está sendo assistido pelo sindicato”, diz.
Tributos
Os salários serão reduzidos em até 30% para as empresas. Já os empregados devem ter redução de até 15%, uma vez que o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) fará uma complementação. De acordo com os especialistas ouvidos pelo DCI, as empresas devem se atentar a essa variação na folha de pagamento uma vez que ainda não ficou claro como será feito o recolhimento de impostos e contribuições. Um comitê formado por representantes de cinco ministérios deve estabelecer esses e outros parâmetros do PPE. O comitê também vai definir quais setores da indústria poderão aderir ao PPE por seis meses – prorrogáveis por mais seis. O programa terá validade ate 2016. A MP já está em vigor, mas ainda precisa passar pelo Congresso.
As empresas deverão recolher a contribuição previdenciária e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) relativos à compensação paga pelo governo, conforme análise da equipe do TozziniFreire.
O sócio do escritório Escrita Contabilidade e Advogacia, Alex José de Paula, chama atenção: “A empresa vai gerar a folha com um valor, mas terá desembolso de outro. Pode haver uma dificuldade do ponto de vista fiscal”. Já a advogada do Escritorio, Raquel Gomes, acredita que o modelo adotado deve prever a redução de valores na folha de pagamento. “Tudo indica que o recolhimento será sobre o valor do desembolso pela empresa”, diz ela.
FGTS no celular
Caso o trabalhador não possua senha internet deverá fazer o cadastramento no site.
Agora o trabalhador poderá acompanhar on-line as movimentações ocorridas na sua conta vinculada do FGTS. E sempre que houver um novo depósito, uma atualização monetária (juros e correção) ou um saque, uma mensagem é enviada ao seu celular.
E para obter este serviço, é só fazer a adesão, acessando o sitio da CAIXA na internet (www.fgts.caixa.gov.br – opção “FGTS”) não sendo necessário deslocamento a uma agência.
Caso o trabalhador não possua senha internet deverá fazer o cadastramento no site. Concluído, informa o número de PIS e a senha internet, clica em “ok”, seleciona a opção “Serviços no Celular”, onde deverá ser informado o CPF e o número de celular. E pronto! Adesão realizada.
Com a adesão ao serviço, o trabalhador deixa de receber o extrato bimestral em sua casa, porém poderá consultá-lo a qualquer momento no site da CAIXA, mediante utilização do número de PIS e da senha internet. O acompanhamento on-line permite ao trabalhador a gestão da regularidade da sua conta vinculada e também colabora com a redução na impressão de extratos em papel contribuindo assim com a preservação do meio ambiente.
Governo estuda medida para parcelamento de débitos de empresas
Na tentativa de elevar a arrecadação, governo pretende publicar uma Medida Provisória para permitir que empresas devedoras parcelem as dívidas em cinco vezes
BRASÍ;LIA – Com dificuldade de elevar a arrecadação e com o desafio de fazer o maior resultado primário possível para o ano, o governo federal pretende publicar uma Medida Provisória (MP) possibilitando que empresas devedoras parcelem seus débitos com a União em cinco vezes.
Segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, serivço de informações em tempo real da Agência Estado, para garantir que os recursos entrem no caixa ainda este ano, o benefício só valerá para as empresas que pagarem metade do valor devido como entrada.
A equipe do Ministério da Fazenda tem evitado tratar o assunto como um novo Refis, prática muito utilizada no último governo para arrecadar recursos. A proposta que deve ser enviada ao Legislativo não prevê descontos ou abatimentos nas multas como em parcelamentos anteriores. No entanto, o governo já considera que a MP poderá ser alterada no Congresso, aumentando os benefício nos moldes dos parcelamentos como o Refis de outros anos. Segundo o Broadcast apurou, a Receita Federal foi contra o novo parcelamento já que o órgão atribui parte da queda na arrecadação aos sucessivos benefícios dados aos débitos empresariais nos últimos anos, o que desestimulou o pagamento em dia dos débitos tributários.