{"id":6506,"date":"2016-05-17T17:35:28","date_gmt":"2016-05-17T20:35:28","guid":{"rendered":"http:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/?p=6506"},"modified":"2016-05-17T17:35:28","modified_gmt":"2016-05-17T20:35:28","slug":"burocracia-deixa-o-pais-na-lanterna-do-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/2016\/05\/burocracia-deixa-o-pais-na-lanterna-do-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"Burocracia deixa o pa\u00eds na lanterna do desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<p>Um cientista, uma ideia, uma pesquisa e muita burocracia pelo caminho. Ano ap\u00f3s ano, os exemplos de dificuldades operacionais se multiplicam nos laborat\u00f3rios cient\u00edficos pelo Brasil, impedindo que pesquisadores promovam avan\u00e7os que poderiam al\u00e7ar o pa\u00eds \u00e0 vanguarda da inova\u00e7\u00e3o. Esses obst\u00e1culos desestimulam novos e veteranos estudiosos, que acabam optando pelo \u00eaxodo cient\u00edfico, gerando atrasos significativos no desenvolvimento nacional. Com a posse de Michel Temer na Presid\u00eancia, o Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia se fundiu com a pasta das Comunica\u00e7\u00f5es, levando pelo menos 13 associa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas a publicar uma carta de rep\u00fadio \u00e0 medida, reclamando de rebaixamento. O TEMPO trar\u00e1, nas pr\u00f3ximas semanas, uma s\u00e9rie de reportagens abordando um tema negligenciado a pre\u00e7o alto: a burocracia na pr\u00e1tica da ci\u00eancia no Brasil.<\/p>\n<p>A burocracia \u00e9 determinada no dicion\u00e1rio como o ?excesso de papelada e de exig\u00eancias que tornam morosos os servi\u00e7os prestados pelos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e privados?. Essa defini\u00e7\u00e3o reflete como o problema est\u00e1 praticamente institucionalizado no pa\u00eds, e exemplos n\u00e3o faltam.<\/p>\n<p>A atual epidemia de dengue e zika s\u00e3o casos emblem\u00e1ticos desse atraso, pois o pa\u00eds j\u00e1 poderia ter desenvolvido uma vacina contra os males do Aedes aegypti, o que vem sendo feito por institutos de pesquisa de outros pa\u00edses, como Estados Unidos e \u00cdndia. Embora existam, os estudos com esse objetivo no Brasil andam a passos lentos. E na corrida pelo desenvolvimento cient\u00edfico n\u00e3o existe segundo lugar: uma nova descoberta pode dar fim \u00e0 pesquisa de uma vida inteira.<\/p>\n<p>Um levantamento realizado pelo Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2010, e repetido em 2014 com 165 cientistas de 35 institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de 13 Estados, mediu o problema e mostrou que as alf\u00e2ndegas s\u00e3o um dos principais gargalos. O trabalho apontou que 99% dos cientistas precisam importar materiais para suas pesquisas regularmente (c\u00e9lulas, equipamentos, micro-organismos e reagentes, por exemplo). Mas, como 76% deles j\u00e1 perderam encomendas devido ao tempo excessivamente longo de reten\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 de se espantar que 98% tenham deixado de realizar alguma pesquisa (ou parte dela) por causa desses problemas.<\/p>\n<p>Os impostos tamb\u00e9m despontam como outra barreira. O valor final do produto pode alcan\u00e7ar at\u00e9 tr\u00eas vezes o que \u00e9 pago por cientistas nos Estados Unidos e na Europa. Em pa\u00edses em desenvolvimento, os pesquisadores chegam a pagar 70% mais do que seus colegas de na\u00e7\u00f5es desenvolvidas para ter suprimentos id\u00eanticos, de acordo com uma pesquisa realizada pela revista cient\u00edfica ?Nature?.<\/p>\n<p>O mais ir\u00f4nico, segundo a chefe do laborat\u00f3rio nacional de c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Lygia da Veiga Pereira, \u00e9 que essas limita\u00e7\u00f5es todas s\u00e3o impostas pelo grande financiador das pesquisas: o governo federal. ?Criou-se um labirinto legal para importa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o distingue um pesquisador de um potencial contrabandista. E, assim, o governo d\u00e1 um tiro no p\u00e9 e no desenvolvimento cient\u00edfico do Brasil?.<\/p>\n<p>Lygia espera h\u00e1 mais de um ano por uma bomba de v\u00e1cuo para dar continuidade a seus estudos com c\u00e9lulas-tronco. ?O governo me ?deu? esse dinheiro para a compra do equipamento, mas, nesse per\u00edodo de espera, o d\u00f3lar passou de R$ 2 para R$ 4?, afirma. A cientista acredita que, se o equipamento tivesse sido liberado h\u00e1 um ano, custaria cerca de 30% menos<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o basta o Brasil estar na 13\u00aa posi\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses com maior produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, conforme levantamento da Thomson Reuters. A competitividade rege a \u00e1rea, pois ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o s\u00e3o verdadeiros motores das economias dos pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p>No \u00faltimo ano, o Brasil atingiu sua pior posi\u00e7\u00e3o no ranking do Relat\u00f3rio Global de Competitividade, divulgado pelo F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, chegando ao 75\u00b0 lugar ? uma queda in\u00e9dita de 18 posi\u00e7\u00f5es ? entre as economias mais competitivas do mundo. A pior coloca\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ent\u00e3o, tinha sido o 72\u00ba lugar de 2007. O melhor resultado foi alcan\u00e7ado em 2012 ? 48\u00ba lugar. Em termos de inova\u00e7\u00e3o, o pa\u00eds est\u00e1 abaixo do M\u00e9xico, \u00cdndia, \u00c1frica do Sul e R\u00fassia, e de economias menores como Uruguai, Peru e Vietn\u00e3.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7a de foco. Com um doutorado nos Estados Unidos, a pesquisadora Lygia da Veiga conhece outra realidade. ?Se voc\u00ea quer mudar seu experimento, no dia seguinte o reagente est\u00e1 na sua bancada. Aqui, quando isso acontece, s\u00e3o pelo menos dois meses?, diz. O sistema dos norte-americanos n\u00e3o deixa o cientista perder tempo com burocracia. ?O pesquisador brasileiro tem uma carga administrativa horr\u00edvel. Sua intelig\u00eancia \u00e9 usada mais para tentar viabilizar o projeto do que para pensar a ci\u00eancia de verdade. O preju\u00edzo \u00e9 enorme. Aqui, chego a gastar um ter\u00e7o do meu dia lidando com quest\u00f5es burocr\u00e1ticas?, estima. Uma pr\u00e1tica que os pesquisadores costumam usar com frequ\u00eancia, segundo Lygia, \u00e9 aproveitar algum colega em viagem ao exterior para trazer materiais. ?A ci\u00eancia \u00e9 zero burocr\u00e1tica, ela \u00e9 metodol\u00f3gica, segue m\u00e9todos; j\u00e1 a burocracia \u00e9 um inventado?, afirma.<\/p>\n<p>O Tempo<\/p>\n<p>Fonte: Portal Cont\u00e1bil SC <span class=\"style1\"><em>Not\u00edcia publicada terca-feira, 17 de maio, 2016<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um cientista, uma ideia, uma pesquisa e muita burocracia pelo caminho. Ano ap\u00f3s ano, os exemplos de dificuldades operacionais se multiplicam nos laborat\u00f3rios cient\u00edficos pelo Brasil, impedindo que pesquisadores promovam avan\u00e7os que poderiam al\u00e7ar o pa\u00eds \u00e0 vanguarda da inova\u00e7\u00e3o. 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