{"id":6444,"date":"2016-03-30T15:36:53","date_gmt":"2016-03-30T18:36:53","guid":{"rendered":"http:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/?p=6444"},"modified":"2016-03-30T15:36:53","modified_gmt":"2016-03-30T18:36:53","slug":"entenda-mais-um-dos-superpoderes-do-fisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/2016\/03\/entenda-mais-um-dos-superpoderes-do-fisco\/","title":{"rendered":"Entenda mais um dos superpoderes do fisco"},"content":{"rendered":"<p>Qualquer contribuinte, seja ele pessoa f\u00edsica ou jur\u00eddica, pode ter o sigilo banc\u00e1rio quebrado pela Receita Federal sem pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Esse n\u00e3o \u00e9 um procedimento novo, \u00e9 previsto na Lei Complementar 105, editada em 2001. Mas por ser pol\u00eamico, sempre foi questionado nas diferentes inst\u00e2ncias do judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>O espa\u00e7o para questionamentos, por\u00e9m, diminuiu muito quando o Supremo Tribunal Federal (STF) bateu o martelo favoravelmente a mais esse superpoder do fisco, em decis\u00e3o proferida h\u00e1 cerca de um m\u00eas.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias do posicionamento do Supremo s\u00e3o amplas, e seus efeitos imediatos.<\/p>\n<p>O advogado Ricardo Miara Schuarts, do escrit\u00f3rio K\u00fcster Machado, diz que liminares obtidas por contribuintes impedindo a Receita de acessar suas informa\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias sem aval pr\u00e9vio da Justi\u00e7a perdem o efeito com a decis\u00e3o do STF, permitindo que o fisco d\u00ea andamento \u00e0s suas investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Schuarts vai al\u00e9m. Ele diz que h\u00e1 o risco de o fisco usar essa sua vantagem de maneira pol\u00edtica. ?A Receita pode mudar a freq\u00fc\u00eancia com a qual quebra o sigilo para tentar aumentar a arrecada\u00e7\u00e3o?, diz o advogado.<\/p>\n<p>?\u00c9 sempre complicado quando muito poder cai nas m\u00e3os de um \u00fanico ente. O judici\u00e1rio funcionava como uma balan\u00e7a, dando equil\u00edbrio \u00e0s decis\u00f5es?, argumenta Schuarts.<\/p>\n<p>Foi esse tamb\u00e9m o argumento usado pelo ministro Celso de Mello, decano do STF, ao votar contra a Receita. Ele disse que seria necess\u00e1rio um terceiro envolvido (o judici\u00e1rio) na disputa entre o fisco e o contribuinte.<\/p>\n<p>?N\u00e3o faz sentido que uma das partes envolvidas diretamente na rela\u00e7\u00e3o litigiosa seja o \u00f3rg\u00e3o competente para solucionar essa litigiosidade?, declarou o ministro ao fundamentar seu voto.<\/p>\n<p>Mas o posicionamento do decano n\u00e3o fez coro no plen\u00e1rio do Supremo. Apenas o ministro Marco Aur\u00e9lio teve decis\u00e3o semelhante. Ao final, por nove votos a dois, a Receita recebeu a chancela do STF para ser aut\u00f4noma no processo de quebra de sigilo banc\u00e1rio dos contribuintes.<\/p>\n<p>No centro desse debate h\u00e1 duas linhas de pensamento definidas. Quem se posiciona contra esse superpoder da Receita evoca o inciso 12 do artigo 5\u00b0 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal que diz ser inviol\u00e1vel o sigilo de dados. Assim, por mais poderes que o fisco tenha, deveria haver alguma limita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas o entendimento da maioria dos ministros do Supremo foi o de que a quebra de sigilo n\u00e3o aconteceria. Se daria apenas o translado do sigilo, que passaria dos bancos ? os detentores originais das informa\u00e7\u00f5es dos contribuintes ? para a Receita. Em outras palavras, o fisco teria capacidade de manter sigilosas as informa\u00e7\u00f5es fornecidas pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>De fato, a Receita sempre teve acesso a dados financeiros dos contribuintes por meio da extinta Contribui\u00e7\u00e3o Provis\u00f3ria sobre Movimenta\u00e7\u00e3o Financeira (CPMF).<\/p>\n<p>Com o fim desse tributo formou-se um v\u00e1cuo de informa\u00e7\u00f5es, mas que logo foi preenchido com a cria\u00e7\u00e3o da Declara\u00e7\u00e3o de Informa\u00e7\u00e3o sobre Movimenta\u00e7\u00e3o Financeira (Dimof).<\/p>\n<p>Por meio da Dimof, os bancos entregam ao fisco mensalmente dados de todos os contribuintes pessoa f\u00edsica com movimenta\u00e7\u00e3o mensal a partir de R$ 2 mil e de pessoas jur\u00eddicas a partir de R$ 6 mil.<\/p>\n<p>Mas se a Dimof j\u00e1 oferece ao fisco acesso aos dados banc\u00e1rios dos contribuintes, por que a quebra de sigilo \u00e9 t\u00e3o pol\u00eamica? ?Na verdade, se o fisco encontra alguma inconsist\u00eancia entre a movimenta\u00e7\u00e3o financeira de um contribuinte informada pelo banco e a renda declarada por ele ser\u00e1 feita uma investiga\u00e7\u00e3o mais aprofundada. Nesse ponto entraria a quebra de sigilo?, diz Schuarts.<\/p>\n<p>O advogado lembra que, embora os poderes da Receita tenham aumentado, o contribuinte n\u00e3o fica totalmente desprotegido. H\u00e1 um protocolo a ser cumprido antes do sigilo banc\u00e1rio ser quebrado. O fisco \u00e9 obrigado a notificar de antem\u00e3o o contribuinte investigado e dar a ele o acesso aos autos da investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Di\u00e1rio do Com\u00e9rcio<\/p>\n<p>Fonte: Portal Cont\u00e1bil SC <span class=\"style1\"><em>Not\u00edcia publicada quarta-feira, 30 de mar\u00e7o, 2016<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qualquer contribuinte, seja ele pessoa f\u00edsica ou jur\u00eddica, pode ter o sigilo banc\u00e1rio quebrado pela Receita Federal sem pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a. Esse n\u00e3o \u00e9 um procedimento novo, \u00e9 previsto na Lei Complementar 105, editada em 2001. 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