{"id":578,"date":"2012-02-13T16:38:07","date_gmt":"2012-02-13T18:38:07","guid":{"rendered":"http:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/?p=578"},"modified":"2012-02-13T16:38:07","modified_gmt":"2012-02-13T18:38:07","slug":"empresa-e-condenada-a-pagar-indenizacao-por-nao-ter-anotado-contrato-de-trabalho-do-autor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/2012\/02\/empresa-e-condenada-a-pagar-indenizacao-por-nao-ter-anotado-contrato-de-trabalho-do-autor\/","title":{"rendered":"Empresa \u00e9 condenada a pagar indeniza\u00e7\u00e3o por n\u00e3o ter anotado contrato de trabalho do autor"},"content":{"rendered":"<p> (Not\u00edcias TRT 15\u00aa Regi\u00e3o)<\/p>\n<p>Data: 10\/02\/2012<\/p>\n<p>A senten\u00e7a da 1\u00aa Vara do Trabalho de Jaboticabal concedeu indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, no valor de R$ 1 mil, a trabalhador que prestava servi\u00e7os de motorista a empresa fabricante de produtos automotivos. O ju\u00edzo de primeira inst\u00e2ncia entendeu que o reclamante sofreu danos morais por falta de anota\u00e7\u00e3o em carteira de trabalho, e arbitrou a indeniza\u00e7\u00e3o. Inconformada, a empresa recorreu.<\/p>\n<p>Em sua defesa, a reclamada negou o v\u00ednculo empregat\u00edcio reconhecido pelo ju\u00edzo de primeira inst\u00e2ncia, alegando &#8220;ter celebrado contrato de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os aut\u00f4nomos com a empresa de que \u00e9 titular o reclamante&#8221;. Afirmou tamb\u00e9m que &#8220;a atividade de dire\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos n\u00e3o se inseria em seu objeto social, tratando-se de necessidade eventual e intermitente suprida por contatos telef\u00f4nicos pr\u00e9vios com o autor, que podia aceitar ou n\u00e3o o servi\u00e7o proposto&#8221;, o que, no entendimento da r\u00e9, n\u00e3o configurava &#8220;labor com subordina\u00e7\u00e3o, fiscaliza\u00e7\u00e3o e exclusividade&#8221;. Ainda segundo a reclamada, &#8220;a remunera\u00e7\u00e3o limitava-se \u00e0s horas de trabalho efetivamente prestadas, quitadas mediante emiss\u00e3o de nota fiscal&#8221;.<\/p>\n<p>Para o relator do ac\u00f3rd\u00e3o da 4\u00aa C\u00e2mara do TRT, desembargador Jos\u00e9 Pedro de Camargo Rodrigues de Souza, &#8220;a simples exist\u00eancia de um contrato de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de transporte n\u00e3o \u00e9 suficiente \u00e0 elis\u00e3o de eventual v\u00ednculo de emprego&#8221;, uma vez que, na \u00e1rea trabalhista, &#8220;vige o princ\u00edpio da primazia da realidade, segundo o qual a atribui\u00e7\u00e3o de direitos e deveres d\u00e1-se \u00e0 vista das rela\u00e7\u00f5es entabuladas entre as pessoas no mundo dos fatos, independentemente das qualifica\u00e7\u00f5es que sejam imputadas a essas rela\u00e7\u00f5es no plano jur\u00eddico&#8221;. O desembargador entendeu como &#8220;mera simula\u00e7\u00e3o o contrato de cunho comercial&#8221;, por n\u00e3o corresponder \u00e0 realidade, j\u00e1 que configurados, no plano concreto, os requisitos essenciais \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de emprego.<\/p>\n<p>O reclamante prestou servi\u00e7os de motorista de 17 de junho de 2005 a 19 de maio de 2009. Para a reclamada, o trabalhador teria operado como aut\u00f4nomo, sem subordina\u00e7\u00e3o, habitualidade e pessoalidade. O ac\u00f3rd\u00e3o ressaltou, por\u00e9m, que &#8220;as notas fiscais colacionadas evidenciam remunera\u00e7\u00e3o quinzenal pelos servi\u00e7os prestados&#8221;, indicando &#8220;trabalho frequente&#8221;, o que tamb\u00e9m \u00e9 corroborado pelas solicita\u00e7\u00f5es de viagens. Essas solicita\u00e7\u00f5es apontam, por exemplo, ter havido, s\u00f3 no m\u00eas de julho de 2008, requisi\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os do motorista em 20 dias, o que, para a C\u00e2mara, revela habitualidade. O reclamante n\u00e3o trabalhava com ve\u00edculo pr\u00f3prio, &#8220;n\u00e3o podendo optar por prestar os servi\u00e7os de motorista da maneira como bem entendesse, transportando, levando e trazendo pessoas e mercadorias da forma como lhe aprouvesse&#8221;, observou o relator. E por estar o reclamante sujeito \u00e0s determina\u00e7\u00f5es da empresa, inclusive com controle de quilometragem, ficou configurada tamb\u00e9m, para o colegiado, a subordina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ac\u00f3rd\u00e3o ressaltou tamb\u00e9m o fato de que a reclamada &#8220;reembolsava integralmente o reclamante pelos gastos com celular e com hot\u00e9is, sempre que estivesse prestando servi\u00e7os \u00e0 empresa&#8221;, como admitiu nos autos o preposto da r\u00e9. No entendimento do colegiado, essa pr\u00e1tica revela que a empresa n\u00e3o transferia ao trabalhador &#8211; ou \u00e0 sua suposta empresa &#8211; &#8220;os riscos do empreendimento, assumindo-os justamente como se fosse empregadora, como um todo&#8221;. E por tudo isso, a C\u00e2mara &#8220;reconheceu todas as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias ao nascimento do v\u00ednculo empregat\u00edcio: a habitualidade, a pessoalidade, a subordina\u00e7\u00e3o e a remunera\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Os danos morais<\/p>\n<p>A empresa disse que n\u00e3o houve prova de dano moral pela falta de anota\u00e7\u00e3o do contrato de trabalho em carteira. O ac\u00f3rd\u00e3o, por\u00e9m, salientou que &#8220;h\u00e1 danos que n\u00e3o necessitam de ser provados pois eles resultam da pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o verificada, sendo evidentes, inexor\u00e1veis e incontorn\u00e1veis&#8221;. A C\u00e2mara considerou que a falta de anota\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo de emprego na carteira de trabalho, &#8220;al\u00e9m de constituir ato il\u00edcito, pois se trata da mais elementar obriga\u00e7\u00e3o do empregador (artigo 29 da CLT), tamb\u00e9m implica, por si s\u00f3, causa de dano moral&#8221;, lembrando que &#8220;o sofrimento do trabalhador decorre da pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o criada, porque ele fica alijado da inser\u00e7\u00e3o social, do sistema de previd\u00eancia e assist\u00eancia oficiais, do mundo econ\u00f4mico e credit\u00edcio e, por vezes, sujeito a n\u00e3o incomuns arbitrariedades policiais, sob a alega\u00e7\u00e3o de suposta pr\u00e1tica de vadiagem, como s\u00f3i acontecer Brasil afora&#8221;. A decis\u00e3o colegiada afirmou que &#8220;todas essas evidentes circunst\u00e2ncias s\u00e3o danosas \u00e0 intimidade, \u00e0 privacidade, \u00e0 honra, \u00e0 imagem ou \u00e0 integridade ps\u00edquica do empregado&#8221;.<\/p>\n<p>Quanto ao valor arbitrado em primeira inst\u00e2ncia, a C\u00e2mara julgou correta a quantia de R$ 1 mil, &#8220;valor que n\u00e3o propicia enriquecimento e abarca o vi\u00e9s dissuas\u00f3rio de pr\u00e1tica semelhante e o did\u00e1tico&#8221;, e por isso manteve a decis\u00e3o original.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Not\u00edcias TRT 15\u00aa Regi\u00e3o) Data: 10\/02\/2012 A senten\u00e7a da 1\u00aa Vara do Trabalho de Jaboticabal concedeu indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, no valor de R$ 1 mil, a trabalhador que prestava servi\u00e7os de motorista a empresa fabricante de produtos automotivos. 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