{"id":5751,"date":"2015-06-22T15:43:07","date_gmt":"2015-06-22T18:43:07","guid":{"rendered":"http:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/?p=5751"},"modified":"2015-06-22T15:43:07","modified_gmt":"2015-06-22T18:43:07","slug":"oito-em-cada-10-municipios-do-pais-tem-situacao-fiscal-ruim-aponta-firjan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/2015\/06\/oito-em-cada-10-municipios-do-pais-tem-situacao-fiscal-ruim-aponta-firjan\/","title":{"rendered":"Oito em cada 10 munic\u00edpios do Pa\u00eds t\u00eam situa\u00e7\u00e3o fiscal ruim, aponta Firjan"},"content":{"rendered":"<p>Oito em cada dez munic\u00edpios brasileiros est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o fiscal dif\u00edcil ou cr\u00edtica, mostra o \u00cd;ndice Firjan de Gest\u00e3o Fiscal (IFGF), divulgado nesta quinta-feira (18). O grande vil\u00e3o da gest\u00e3o das contas das prefeituras s\u00e3o os gastos com pessoal. O IFGF nacional de 2013 ficou em 0,4545, o pior resultado desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica, em 2006. A queda em rela\u00e7\u00e3o a 2012 foi de 10,5%, a maior desde 2009, quando as contas p\u00fablicas foram abaladas pela crise internacional de 2008.<\/p>\n<p>A Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Rio analisou as contas de 5.243 das 5.570 cidades do Pa\u00eds (324 n\u00e3o forneceram informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis), e concluiu que 15,2% delas descumprem a Lei de Responsabilidade Fiscal, de 2000, que determina o equivalente a 60% das receitas como teto para as despesas com a folha de pagamento do funcionalismo municipal.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o de 2013, e o cen\u00e1rio deve ter piorado ainda mais em 2014, ano de forte deteriora\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas, que registraram d\u00e9ficit prim\u00e1rio na conta global, com Estados e Uni\u00e3o. &#8220;O problema fiscal brasileiro, que vimos em \u00e2mbito federal, sobretudo em 2014, \u00e9 tamb\u00e9m um problema municipal&#8221;, diz o gerente de Estudos Econ\u00f4micos da Firjan, Guilherme Merc\u00eas.<\/p>\n<p>Em todo o Pa\u00eds, apenas 18 prefeituras t\u00eam gest\u00f5es de excel\u00eancia, ou seja, com \u00edndice acima de 0,8 &#8211; em 2012, eram 74. Esse \u00e9 o menor n\u00famero desde 2006. Outras 808 (15,4% do total) possuem gest\u00e3o boa, com notas entre 0,6 e 0,8, enquanto 84,2% t\u00eam nota abaixo de 0,6 e s\u00e3o classificadas pela Firjan nos conceitos C (gest\u00e3o em dificuldade) e D (gest\u00e3o cr\u00edtica).<\/p>\n<p>Segundo Merc\u00eas, os maus resultados s\u00e3o explicados por um quadro negativo e estrutural das finan\u00e7as de cidades, Estados e Uni\u00e3o nos \u00faltimos anos: a receita cai, seja por causa da desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento da economia, seja pelas desonera\u00e7\u00f5es fiscais que tentaram animar a atividade econ\u00f4mica nos anos de crise, mas os gastos obrigat\u00f3rios seguem em crescimento vegetativo. Nas prefeituras, as despesas com o funcionalismo t\u00eam o maior peso no or\u00e7amento obrigat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8220;O \u00edndice de 2013 foi determinado pelo bin\u00f4mio aumento dos gastos com pessoal e queda nos investimentos&#8221;, afirma Merc\u00eas. A resposta das prefeituras para o desequil\u00edbrio entre receitas e despesas \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o dos investimentos em educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e infraestrutura urbana. Assim, as contas n\u00e3o degringolam de vez, por\u00e9m ruas ficam esburacadas ou deixam de ser asfaltadas, postos de sa\u00fade ficam em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria e a escola que falta em determinado bairro deixa de ser constru\u00edda.<\/p>\n<p>Outra sa\u00edda, al\u00e9m de cortar investimentos, \u00e9 empurrar despesas de um ano para serem pagas no exerc\u00edcio seguinte, deixando obriga\u00e7\u00f5es nos &#8220;restos a pagar&#8221;. Segundo a Firjan, as obriga\u00e7\u00f5es em circula\u00e7\u00e3o, formadas quase na totalidade por restos a pagar, somaram R$ 31,6 bilh\u00f5es em 2013, contra R$ 18,6 bilh\u00f5es em 2006, com valores j\u00e1 atualizados pela infla\u00e7\u00e3o. De 2006 a 2013, houve alta todos os anos, acumulando um aumento real de 70,3%.<\/p>\n<p>De acordo com o economista Mansueto Almeida, especialista em contas p\u00fablicas, apenas no Or\u00e7amento federal deste ano, s\u00e3o R$ 226 bilh\u00f5es registrados como restos a pagar de exerc\u00edcios anteriores. A posterga\u00e7\u00e3o de despesas, sobretudo repasses de programas sociais e pagamentos de subs\u00eddios a bancos p\u00fablicos, est\u00e1 na origem da contabilidade criativa e das &#8220;pedaladas fiscais&#8221; que podem levar \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o das contas do governo federal de 2014 pelo Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU), mas n\u00e3o \u00e9 esse o caso das prefeituras, diz Almeida.<\/p>\n<p>&#8220;O governo federal tem mecanismos para isso. No caso dos munic\u00edpios, \u00e9 muito mais atrasos de pagamentos. N\u00e3o \u00e9 ilegal, n\u00e3o \u00e9 pedalada&#8221;, explica o economista.<\/p>\n<p>Os dados do IFGF mostram que as desigualdades regionais do Pa\u00eds se reproduzem nas contas das prefeituras. As melhores gest\u00f5es est\u00e3o nas regi\u00f5es Sul e no Sudeste e as piores, no Nordeste e no Norte.<\/p>\n<p>No topo do ranking est\u00e3o cidades pequenas em locais que concentram atividades econ\u00f4micas: as vizinhas Concei\u00e7\u00e3o do Mato Dentro, de 18,3 mil habitantes, e Alvorada de Minas, de 3,7 mil habitantes, em Minas Gerais, e Gramado (RS), de 34,1 mil habitantes. As duas primeiras foram beneficiadas pelo projeto Minas-Rio, maior mineroduto de ferro do mundo &#8211; o projeto da mineradora Anglo Americana atrasou e viu seus custos explodirem, mas gerou recursos elevados para as prefeituras. No caso da cidade da serra ga\u00facha, \u00e9 o forte fluxo de turistas que movimenta os neg\u00f3cios e garante receitas.<\/p>\n<p>Os munic\u00edpios, sobretudo os mais pobres, dependem de transfer\u00eancias federais e estaduais: 83% das prefeituras n\u00e3o geram nem 20% de suas receitas, e o quadro se mant\u00e9m estanque desde 2010. Os disp\u00eandios com investimentos ca\u00edram 67,9% em rela\u00e7\u00e3o a 2012. Quando decrescem os investimentos e a capacidade de gera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de receita, componentes do IFGF, o indicador global da cidade cai junto.<\/p>\n<p>Almeida lembra que a dificuldade de arrecada\u00e7\u00e3o est\u00e1 associada com a falta de &#8220;base econ\u00f4mica&#8221; em muitos munic\u00edpios. As prefeituras de cidades muito pequenas em regi\u00f5es pobres convivem com pequenas popula\u00e7\u00f5es e baixa atividade econ\u00f4mica, dificultando a arrecada\u00e7\u00e3o do ISS, cobrado de estabelecimentos comerciais, e do IPTU, os dois principais impostos recolhidos em \u00e2mbito municipal.<\/p>\n<p>Merc\u00eas, da Firjan, v\u00ea um n\u00famero excessivo de munic\u00edpios, o que eleva os gastos com custeio de pessoal, pois cada cidade tem que ter uma estrutura administrativa, no executivo e no legislativo, o que desperdi\u00e7a ganhos de escala &#8211; um munic\u00edpio maior tem mais base para arrecadar.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a terceira vez que os dados compilados pela Firjan s\u00e3o divulgados. Baseado em n\u00fameros fornecidos pelas prefeituras \u00e0 Secretaria do Tesouro Nacional, o IFGF tem cinco componentes: a receita pr\u00f3pria do munic\u00edpio, os gastos com pessoal, os investimentos, o custo da d\u00edvida de longo prazo e a liquidez (sufici\u00eancia de caixa).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oito em cada dez munic\u00edpios brasileiros est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o fiscal dif\u00edcil ou cr\u00edtica, mostra o \u00cd;ndice Firjan de Gest\u00e3o Fiscal (IFGF), divulgado nesta quinta-feira (18). O grande vil\u00e3o da gest\u00e3o das contas das prefeituras s\u00e3o os gastos com pessoal. 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