{"id":4840,"date":"2014-07-24T13:27:14","date_gmt":"2014-07-24T16:27:14","guid":{"rendered":"http:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/?p=4840"},"modified":"2014-07-24T13:27:14","modified_gmt":"2014-07-24T16:27:14","slug":"banco-dos-brics-tem-potencial-de-virar-o-jogo-diz-economista-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/2014\/07\/banco-dos-brics-tem-potencial-de-virar-o-jogo-diz-economista-dos-eua\/","title":{"rendered":"Banco dos Brics tem potencial de virar o jogo, diz economista dos EUA."},"content":{"rendered":"<p>A cria\u00e7\u00e3o de um banco de desenvolvimento pelos Brics (grupo formado por Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul) &#8220;tem o potencial de virar o jogo&#8221; no cen\u00e1rio financeiro internacional, disse \u00e0 BBC Brasil o economista Mark Weisbrot, codiretor do Center for Economic and Policy Research, com sede em Washington.<\/p>\n<p>Com capital inicial de US$ 50 bilh\u00f5es para financiar obras de infraestrutura em pa\u00edses pobres e emergentes, o Novo Banco de Desenvolvimento dos Brics vem sendo encarado como uma alternativa ao Banco Mundial e ao FMI (Fundo Monet\u00e1rio Internacional).<\/p>\n<p>Para Weisbrot, o novo banco dever\u00e1 reduzir a influ\u00eancia internacional dos Estados Unidos e da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 estava mais do que na hora de o mundo ter um banco como esse&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&#8220;Setenta anos \u00e9 muito tempo para ter todas as institui\u00e7\u00f5es internacionais com alguma capacidade de decis\u00e3o em quest\u00f5es econ\u00f4micas sendo controladas pelos EUA e um punhado de aliados ricos&#8221;, diz, referindo-se \u00e0 Confer\u00eancia de Bretton Woods, em 1944, que levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do FMI e do Banco Mundial.<\/p>\n<p>&#8220;O banco dos Brics tem o potencial de virar o jogo.&#8221;<\/p>\n<p>O tratado que formaliza a cria\u00e7\u00e3o do banco foi assinado nesta ter\u00e7a-feira pelos l\u00edderes dos cinco pa\u00edses-membros dos Brics, durante o 6\u00ba F\u00f3rum dos Brics, em Fortaleza.<\/p>\n<p>Os membros dos Brics, assim como outros pa\u00edses emergentes, reivindicam h\u00e1 anos reformas que lhes garantam mais voz e mais poder de decis\u00e3o no FMI e no Banco Mundial.<\/p>\n<p>O argumento \u00e9 o de que a estrutura atual das duas institui\u00e7\u00f5es, tradicionalmente dominadas pelos Estados Unidos e por pa\u00edses europeus, \u00e9 ultrapassada e ainda reflete a ordem mundial do p\u00f3s-guerra.<\/p>\n<p>Reservas<\/p>\n<p>Batizado de Arranjo Contingente de Reservas, esse fundo poder\u00e1 ser acionado para socorrer pa\u00edses-membros do grupo que passem por risco de calote.<\/p>\n<p>&#8220;Se for bem-sucedido, vai fazer enorme diferen\u00e7a. Talvez at\u00e9 os pa\u00edses europeus busquem ajuda&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Segundo Weisbrot, para se ter uma ideia do impacto do novo banco na geopol\u00edtica financeira, basta observar o que ocorreu nos \u00faltimos 15 anos, quando o FMI perdeu influ\u00eancia em v\u00e1rios pa\u00edses de renda m\u00e9dia ap\u00f3s a crise financeira asi\u00e1tica.<\/p>\n<p>&#8220;Olhe para a Am\u00e9rica Latina, veja como cresceu mais r\u00e1pido na \u00faltima d\u00e9cada do que nas duas d\u00e9cadas anteriores. \u00c9 claro que n\u00e3o foi somente por causa do (menor poder do) FMI, mas em grande parte, sim.&#8221;<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 de que o novo banco comece a operar em 2016. Sua cria\u00e7\u00e3o precisa ser aprovada pelos Congressos dos cinco pa\u00edses.<\/p>\n<p>A sede ser\u00e1 em Xangai, na China. A presid\u00eancia ser\u00e1 rotativa, com o primeiro mandato, de cinco anos, a cargo da \u00cdndia.<\/p>\n<p>Temores<\/p>\n<p>O capital inicial de US$ 50 bilhoes ser\u00e1 dividido igualmente entre os cinco pa\u00edses.<\/p>\n<p>No caso do fundo de US$ 100 bilh\u00f5es, a maior parte do montante vir\u00e1 da China (US$ 41 bilh\u00f5es). Brasil, R\u00fassia e \u00cdndia contribuir\u00e3o cada um com US$ 18 bilh\u00f5es, e a \u00c1frica do Sul entrar\u00e1 com US$ 5 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O an\u00fancio provocou temores de que, do mesmo modo que o Banco Mundial e o FMI s\u00e3o muitas vezes criticados por serem instrumentos da hegemonia americana, o novo banco possa se transformar em ferramenta para servir aos interesses chineses.<\/p>\n<p>Weisbrot, no entanto, diz achar pouco prov\u00e1vel que isso ocorra. Ele observa que os chineses &#8220;t\u00eam uma filosofia diferente&#8221; e lembra que n\u00e3o costumam vincular condi\u00e7\u00f5es em seus empr\u00e9stimos na \u00c1frica.<\/p>\n<p>&#8220;A China n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds neoliberal, o Estado \u00e9 dono da maior parte do sistema financeiro e das grandes companhias, e n\u00e3o o contr\u00e1rio, quando as grandes companhias s\u00e3o donas do Estado&#8221;, diz o economista americano.<\/p>\n<p>&#8220;Isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o v\u00e3o defender seus interesses. Mas h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre defender seus interesses e remodelar uma sociedade inteira \u00e0 imagem que voc\u00ea deseja.&#8221;<br \/>\nOutra preocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao novo banco vem de ONGs, que dizem temer que a institui\u00e7\u00e3o financie projetos com impacto social ou ambiental negativo.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma possibilidade&#8221;, admite Weisbrot.<\/p>\n<p>&#8220;Mas o que o Banco Mundial faz? Houve algumas reformas, \u00e9 verdade, mas foram pequenas. Eles ainda financiam grandes projetos de combust\u00edveis f\u00f3sseis e todo tipo de coisa destrutiva ao meio ambiente&#8221;, afirma<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cria\u00e7\u00e3o de um banco de desenvolvimento pelos Brics (grupo formado por Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul) &#8220;tem o potencial de virar o jogo&#8221; no cen\u00e1rio financeiro internacional, disse \u00e0 BBC Brasil o economista Mark Weisbrot, codiretor do Center for Economic and Policy Research, com sede em Washington. 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