{"id":4766,"date":"2014-06-30T13:42:31","date_gmt":"2014-06-30T16:42:31","guid":{"rendered":"http:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/?p=4766"},"modified":"2014-06-30T13:42:31","modified_gmt":"2014-06-30T16:42:31","slug":"abertura-comercial-somaria-125-ponto-ao-pib","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/2014\/06\/abertura-comercial-somaria-125-ponto-ao-pib\/","title":{"rendered":"Abertura comercial somaria 1,25 ponto ao PIB"},"content":{"rendered":"<p>Maior internacionaliza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds elevaria a produtividade nacional, aponta estudo do Instituto Global McKinsey<\/p>\n<p>Um estudo da McKinsey, umas das mais conceituadas consultorias de economia e de neg\u00f3cios, mostra que o Brasil anda dando as costas para o mundo &#8211; e ganharia muito se o encarasse. Com quase 100 p\u00e1ginas, a pesquisa intitulada \u201cConectando o Brasil ao mundo: um caminho para o crescimento inclusivo\u201d mostra as defici\u00eancias do Pa\u00eds para concorrer internacionalmente e sinaliza medidas para que ele se torne mais aberto, produtivo e competitivo.<\/p>\n<p>Para defender a abertura, o consultoria leva em conta sua experi\u00eancia com o tema. Estudos feitos nos \u00faltimos 20 anos pelo Instituto Global McKinsey identificaram que pa\u00edses dedicados a ampliar as conex\u00f5es em escala global registram acr\u00e9scimo de at\u00e9 40% na gera\u00e7\u00e3o de riqueza. Isso ocorreu porque a concorr\u00eancia internacional criada pela abertura gera choques de gest\u00e3o, de inova\u00e7\u00f5es e um quadro geral de moderniza\u00e7\u00e3o que elevam a produtividade.<\/p>\n<p>No caso do Brasil, pelas estimativas da institui\u00e7\u00e3o, uma maior abertura &#8211; n\u00e3o apenas comercial, mas tamb\u00e9m por meio do interc\u00e2mbio financeiro, de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e at\u00e9 de talentos humanos &#8211; elevaria a produtividade e acrescentaria, anualmente, 1,25 ponto percentual ao Produto Interno Bruto (PIB). \u201cA abertura pode fazer uma grande diferen\u00e7a para economia e n\u00f3s temos vistos mudan\u00e7as significativas em tr\u00eas a cinco anos, porque as ind\u00fastrias podem responder com muita rapidez\u201d, diz Jaana Remes, que lidera a \u00e1rea de pesquisa em produtividade, competitividade, urbaniza\u00e7\u00e3o e manufatura do Instituto Global McKinsey.<\/p>\n<p>Desde os anos 1990, o Brasil fez movimentos para se tornar mais aberto, mas segundo o estudo as reformas t\u00eam sido irregulares. Enquanto alguns setores ficam totalmente expostos \u00e0 concorr\u00eancia internacional, outros permanecem fortemente protegidos e tributados. Para ilustrar os efeitos de ser mais ou menos fechado, o estudo recorre \u00e0 an\u00e1lise de dois setores de peso na economia nacional &#8211; o agroneg\u00f3cio, que se tornou campe\u00e3o global em competitividade ap\u00f3s a abertura nos anos 1990, e o setor automotivo, um dos mais blindados contra a concorr\u00eancia internacional e que, apesar de composto por multinacionais, apresenta defici\u00eancias.<\/p>\n<p>As falhas e o potencial do Pa\u00eds ficam claras quando se olha o \u00cdndice de Conex\u00e3o Global, elaborado pelo Instituto Global McKinsey. O ranking mede o n\u00edvel de conex\u00e3o de 131 pa\u00edses &#8211; praticamente metade das na\u00e7\u00f5es existentes. O Brasil ocupa a 43\u00aa posi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o parece ruim \u00e0 primeira vista, mas o Pa\u00eds est\u00e1 abaixo de emergentes com n\u00edveis similares de desenvolvimento, como R\u00fassia (9\u00aa), China (25\u00aa). M\u00e9xico (27\u00aa), \u00cdndia (30\u00aa) e Chile (41\u00aa).<\/p>\n<p>No quesito que trata de trocas comerciais (importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o), o Brasil est\u00e1 na posi\u00e7\u00e3o 39. As trocas brasileiras equivalem a praticamente um ter\u00e7o das do Chile, que tem \u00e1rea e economia bem menores. Em servi\u00e7os, est\u00e1 na 40\u00aa posi\u00e7\u00e3o. As exporta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os representam apenas 1,8% do PIB do Brasil &#8211; abaixo da m\u00e9dia latino-americana (4,1%) e muito longe da indiana (8%). Em comunica\u00e7\u00e3o, que valoriza a troca de dados entre pessoas, empresas e governos, o Pa\u00eds est\u00e1 em 38\u00ba lugar.<\/p>\n<p>O Brasil tem um desempenho melhor num \u00fanico item &#8211; o interc\u00e2mbio de servi\u00e7os financeiros, que inclui atividades banc\u00e1rias, capta\u00e7\u00f5es no exterior, investimentos de fundos e opera\u00e7\u00f5es em bolsa de valores. Nesse caso, o Pa\u00eds est\u00e1 em 15\u00ba lugar. Ainda assim, a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 desproporcional. Est\u00e1 entre os dez pa\u00edses que mais recebem investimento direto estrangeiro, mas tem sa\u00eddas m\u00ednimas para investimentos em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Prote\u00e7\u00e3o tira produtividade do setor automotivo<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o 7\u00ba maior produtor mundial de autom\u00f3veis, mas \u00e9 o 21\u00ba em exporta\u00e7\u00f5es. Apenas cerca de 15% dos ve\u00edculos fabricados no Pa\u00eds s\u00e3o exportados. Para completar, nos \u00faltimos anos, uma parcela desproporcional vai para a Argentina. As tarifas de importa\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis incentivam as montadoras estrangeiras a estabelecer linhas de montagem no Brasil para criar empregos locais.<\/p>\n<p>No entanto, na avalia\u00e7\u00e3o do Instituto Global McKinsey, essa abordagem n\u00e3o ajuda o Brasil a se integrar em cadeias globais de valor, o que leva a ind\u00fastria automotiva brasileira a perder produtividade em rela\u00e7\u00e3o a seus pares. No m\u00e9dio e longo prazos, a perda de produtividade pode amea\u00e7ar at\u00e9 os empregos que se tenta preservar.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Let\u00edcia Costa, diretora do Insper, \u00e9 complexa e pol\u00eamica a discuss\u00e3o sobre a exposi\u00e7\u00e3o do setor \u00e0 economia internacional. A produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos representa cerca de 20% do setor industrial do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, o setor permanecia fechado, e o consenso geral era que estava estagnado. Para dinamiz\u00e1-lo, ind\u00fastrias, trabalhadores e governo firmaram um acordo automotivo, com metas de moderniza\u00e7\u00e3o, expans\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o. Com ele, foi poss\u00edvel elevar as unidades brasileiras a um novo patamar de produ\u00e7\u00e3o, investimento e gest\u00e3o. Entre 1991 e 1993, os investimentos somaram quase US$ 1 bilh\u00e3o &#8211; valor similar ao de toda a d\u00e9cada de 1980. Na sequ\u00eancia, os investimentos na amplia\u00e7\u00e3o das unidades, de quase US$ 20 bilh\u00f5es at\u00e9 o fim da d\u00e9cada, desconcentraram e diversificaram o setor.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, h\u00e1 o outro lado da moeda. O n\u00famero de empregos ficou abaixo do esperado, porque parte das novas linhas adotou rob\u00f4s. As empresas de autope\u00e7as, por sua vez, sofreram um baque. O setor era formado por um n\u00famero grande de empresas que n\u00e3o tiveram tempo, dinheiro e agilidade para fazer frente \u00e0 concorr\u00eancia das estrangeiras.<\/p>\n<p>Um fator decisivo foi o c\u00e2mbio. Expostos \u00e0 sobrevaloriza\u00e7\u00e3o do real, perderam margem de lucro, enquanto as estrangeiras foram favorecidas a elevar as importa\u00e7\u00f5es. V\u00e1rias empresas quebraram ou foram compradas por gigantes globais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maior internacionaliza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds elevaria a produtividade nacional, aponta estudo do Instituto Global McKinsey Um estudo da McKinsey, umas das mais conceituadas consultorias de economia e de neg\u00f3cios, mostra que o Brasil anda dando as costas para o mundo &#8211; e ganharia muito se o encarasse. 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