{"id":4738,"date":"2014-06-25T14:00:49","date_gmt":"2014-06-25T17:00:49","guid":{"rendered":"http:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/?p=4738"},"modified":"2014-06-25T14:00:49","modified_gmt":"2014-06-25T17:00:49","slug":"simplifique-os-contratos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/2014\/06\/simplifique-os-contratos\/","title":{"rendered":"Simplifique os contratos!"},"content":{"rendered":"<p>O Marco Civil da Internet come\u00e7ou a valer na \u00faltima segunda, e foi aprovado tendo como principais pilares a garantia da transpar\u00eancia no uso de dados dos usu\u00e1rios e a neutralidade da rede pelos provedores de acesso. Mas, para especialistas em direito digital, boa parte dos gestores ainda n\u00e3o atentou a quest\u00f5es pr\u00e1ticas que impactam o cen\u00e1rio empresarial como um todo \u2013 e por isso ele ainda \u00e9 alvo de d\u00favidas relativas \u00e0 seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o e \u00e0 privacidade dos dados, tanto no ambiente interno como no trato com os clientes.<\/p>\n<p>Um dos exemplos \u00e9 a simplifica\u00e7\u00e3o dos contratos de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os (disposta no artigo 7\u00ba da lei), que determina que se informe de modo claro e objetivo o regime de prote\u00e7\u00e3o de dados pessoais, de registros de conex\u00e3o, de acesso e pr\u00e1ticas de gerenciamento de redes nos termos de uso de sites, redes sociais e aplicativos. Outro \u00e9 a necessidade de um compliance digital, ou seja, um conjunto de normas internas que prev\u00ea os direitos e deveres de uso quanto ao tr\u00e1fego de internet.<\/p>\n<p>No primeiro caso, as pol\u00edticas de uso ou a coleta de dados pessoais devem estar explicitamente informadas conforme pede o Marco \u2013 o que deve afetar especialmente o com\u00e9rcio varejista, segundo a advogada Sarina Sasaki Manata, da assessoria jur\u00eddica da FecomercioSP. Seja em um e-commerce ou em uma rede social, al\u00e9m de os dados pessoais serem bem protegidos, o item &#8220;Termos de uso&#8221;, deve se tornar uma esp\u00e9cie de resumo dos principais pontos, com clareza no texto e destaque das informa\u00e7\u00f5es relevantes, de prefer\u00eancia resumido em uma folha e com cliques especiais em partes mais sens\u00edveis, como &#8220;Concorda que seus dados sejam fornecidos para terceiros?&#8221;. Isso para que o cliente ou usu\u00e1rio tenha seus direitos garantidos, e a empresa saiba at\u00e9 onde pode ir, orienta.<\/p>\n<p>&#8220;Apesar de existir h\u00e1 muito tempo, ningu\u00e9m l\u00ea 20 folhas para dizer se aceita ou n\u00e3o comprar em uma loja virtual. E tem que ser tudo bem definido, como no caso dos dados pessoais: \u00e9 nome, endere\u00e7o e CPF, ou inclui &#8216;gostos&#8217; e &#8216;h\u00e1bitos de consumo&#8217;? Quando eu clico em &#8216;op\u00e7\u00f5es&#8217;, o site guarda meus dados para oferecer produtos. Mas, enquanto alguns acham a ideia interessante, outros acham invas\u00e3o \u2013 o que pode gerar demandas judiciais futuras&#8221;, afirma a advogada Sarina Manata.<\/p>\n<p>Refor\u00e7o<\/p>\n<p>O Marco Civil exige que os provedores t\u00eam que constantemente revisar pol\u00edticas de uso, oferecer ampla divulga\u00e7\u00e3o aos clientes e estar em conformidade com a neutralidade da rede, segundo Marcelo Crespo, s\u00f3cio do escrit\u00f3rio Crespo &amp; Santos Advogados. Mas h\u00e1 um terceiro ponto que n\u00e3o tem sido tratado at\u00e9 agora: a necessidade de induzir empresas a se preocuparem &#8220;reflexamente&#8221; com o compliance digital.<\/p>\n<p>&#8220;Embora o Marco traga a discuss\u00e3o, mas n\u00e3o penalidades, existe a previs\u00e3o quanto ao desrespeito \u00e0 privacidade e a individualidade dos usu\u00e1rios em geral. Em um e-commerce, por exemplo, os dados do cliente devem ser tratados de forma sigilosa e n\u00e3o compartilhados sem expressa autoriza\u00e7\u00e3o. O mesmo se diz do acesso interno ao conte\u00fado ilegal: atitudes preventivas impedem perdas importantes decorrentes de crimes digitais. Mas, apesar de trazerem preju\u00edzos, muitas empresas ainda n\u00e3o tiveram consci\u00eancia de iniciar um trabalho preventivo de converg\u00eancia digital e jur\u00eddica para evitar problemas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>MPEs inclusas<\/p>\n<p>Se h\u00e1 quem diga que apenas as grandes empresas j\u00e1 t\u00eam ou podem implantar o compliance digital, segundo Crespo, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil colocar c\u00f3digos de conduta digitais internas no \u00e2mbito das MPEs. Exemplo disso s\u00e3o normas simples, como restri\u00e7\u00e3o de uso de pen-drives ou de acesso a e-mails pessoais. Sarina Manata, da Fecom\u00e9rcio, lembra que, apesar de n\u00e3o terem grande aparato jur\u00eddico, geralmente pequenas lojas virtuais e os sites mais simples j\u00e1 t\u00eam pol\u00edticas de troca ou de uso de forma mais singela \u2013 o que facilita essa adequa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Marcelo Crespo tamb\u00e9m diz que, apesar da ideia geral de que especialistas em direito digital s\u00e3o &#8220;car\u00edssimos&#8221;, h\u00e1 bons profissionais que podem ajudar a tomar precau\u00e7\u00f5es m\u00ednimas. &#8220;\u00c9 um nicho que deve ser explorado melhor pelas empresas e profissionais do ramo, e apesar de j\u00e1 existirem grandes bancas que cuidam de direito digital, elas ainda n\u00e3o est\u00e3o acostumadas com o foco na preven\u00e7\u00e3o de riscos. Mas \u00e9 um movimento natural&#8221;, acredita. O ideal, segundo o advogado, \u00e9 as MPEs considerarem essas condutas como investimento. &#8220;A ideia n\u00e3o \u00e9 esperar ter estrutura para isso, mas criar um ambiente participativo de compliance digital hoje para n\u00e3o ter que criar condi\u00e7\u00f5es depois \u2013 e gastar mais \u2013 no futuro&#8221;, finaliza.<\/p>\n<p>Marco Civil ainda tem pontos n\u00e3o regulamentados<\/p>\n<p>O Marco Civil da Internet, lei que funciona como uma esp\u00e9cie de Constitui\u00e7\u00e3o para o uso da rede no Brasil, entrou em vigor na \u00faltima segunda-feira. O projeto foi sancionado pela presidente Dilma Rousseff em 23 de abril, no evento Net Mundial, realizado em S\u00e3o Paulo, ap\u00f3s tramitar por dois anos na C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s sete anos de discuss\u00f5es t\u00e9cnicas, disputas pol\u00edticas e lobby dos setores envolvidos, o Marco passa a valer, mas com temas sens\u00edveis que ainda precisam de regulamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o usu\u00e1rios de internet, o texto garante uma s\u00e9rie de direitos, como a prote\u00e7\u00e3o da privacidade e defesa da liberdade de express\u00e3o. Por outro lado, artigos que tratam da neutralidade de rede (ou seja, provedores n\u00e3o podem vender pacotes diferenciados de conex\u00e3o de acordo com o tipo de uso) e guarda de dados est\u00e3o suspensos \u00e0 espera de regras que definam sua aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Marco Civil da Internet come\u00e7ou a valer na \u00faltima segunda, e foi aprovado tendo como principais pilares a garantia da transpar\u00eancia no uso de dados dos usu\u00e1rios e a neutralidade da rede pelos provedores de acesso. 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