{"id":4245,"date":"2014-02-18T13:25:35","date_gmt":"2014-02-18T16:25:35","guid":{"rendered":"http:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/?p=4245"},"modified":"2014-02-18T13:25:35","modified_gmt":"2014-02-18T16:25:35","slug":"uniao-usa-receita-extra-para-cobrir-desoneracoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/2014\/02\/uniao-usa-receita-extra-para-cobrir-desoneracoes\/","title":{"rendered":"Uni\u00e3o usa receita extra para cobrir desonera\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Desde 2008, quando o governo brasileiro come\u00e7ou a adotar desonera\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias para amortecer a queda da atividade econ\u00f4mica e, ao mesmo tempo, a participa\u00e7\u00e3o de receitas extraordin\u00e1rias ganhou peso na gera\u00e7\u00e3o de super\u00e1vits prim\u00e1rios, o efeito l\u00edquido das duas rubricas s\u00f3 foi positivo para o resultado fiscal em 2010 e 2011, gra\u00e7as \u00e0 capitaliza\u00e7\u00e3o da Petrobras e aos refinanciamentos da d\u00edvida tribut\u00e1ria, mais conhecidos como Refis. Os c\u00e1lculos s\u00e3o de Gabriel Leal de Barros, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (Ibre-FGV), com a colabora\u00e7\u00e3o de Vilma da Concei\u00e7\u00e3o Pinto.<\/p>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o de fevereiro do Boletim Macro do Ibre, Barros estima que, nos \u00faltimos seis anos, o volume total de isen\u00e7\u00f5es fiscais e receitas n\u00e3o recorrentes foi semelhante, de R$ 193,4 bilh\u00f5es e R$ 190,3 bilh\u00f5es, respectivamente. Em sua avalia\u00e7\u00e3o, a converg\u00eancia refor\u00e7a a tese de que o governo vem buscando receitas compensat\u00f3rias para fazer frente \u00e0 perda de arrecada\u00e7\u00e3o decorrente dos est\u00edmulos fiscais, o que, junto a revis\u00f5es para baixo das metas de super\u00e1vit, gerou o atual quadro de desgaste da credibilidade das contas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Em 2013, segundo o pesquisador, o saldo l\u00edquido entre desonera\u00e7\u00f5es e receitas extraordin\u00e1rias foi negativo em 0,3 ponto do Produto Interno Bruto (PIB) para o super\u00e1vit prim\u00e1rio, ano em que a propor\u00e7\u00e3o entre incentivos fiscais e o PIB atingiu o pico de 1,6%. No mesmo per\u00edodo, mesmo com a entrada no caixa do governo de R$ 21,8 bilh\u00f5es do parcelamento de impostos devido aos descontos do Refis e de R$ 15 bilh\u00f5es da venda do campo de Libra, no pr\u00e9-sal, as receitas tempor\u00e1rias somaram menos em propor\u00e7\u00e3o do PIB do que as desonera\u00e7\u00f5es: 1,3%.<\/p>\n<p>Para Barros, a estrat\u00e9gia de compensar o ritmo crescente de incentivos fiscais com recursos extras para sustentar super\u00e1vits &#8220;n\u00e3o t\u00e3o fracos&#8221; funcionou no come\u00e7o, mas como, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de 2009, as desonera\u00e7\u00f5es n\u00e3o se converteram em maior dinamismo da economia &#8211; e, portanto, n\u00e3o resultaram em alta da arrecada\u00e7\u00e3o &#8211; o abismo entre as despesas e receitas prim\u00e1rias se aprofundou. &#8220;Como o f\u00f4lego do governo para buscar receitas extraordin\u00e1rias est\u00e1 cada vez menor, a press\u00e3o sobre o super\u00e1vit prim\u00e1rio, que j\u00e1 est\u00e1 muito baixo, cresce ainda mais&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Nas contas do economista, a propor\u00e7\u00e3o entre ren\u00fancias fiscais e o PIB ser\u00e1 mantida em 1,6% neste ano. Ele projeta que R$ 85 bilh\u00f5es deixar\u00e3o de entrar nos cofres do governo em 2014, dos quais cerca de R$ 5 bilh\u00f5es se devem somente ao &#8220;impacto cheio&#8221; da inclus\u00e3o dos setores da constru\u00e7\u00e3o civil e do com\u00e9rcio varejista na desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamentos. Esses dois ramos da economia entraram no novo regime de tributa\u00e7\u00e3o durante o ano passado.<\/p>\n<p>Barros afirma que a amplia\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio para mais de 50 segmentos mostra que falta uma avalia\u00e7\u00e3o sobre o impacto das desonera\u00e7\u00f5es em cada ramo. Em 2012, a desonera\u00e7\u00e3o da folha focava em setores que sofriam maior competi\u00e7\u00e3o internacional e cujo custo da m\u00e3o de obra afetava a competitividade, mas, ao longo do tempo, esse objetivo se perdeu. &#8220;Sa\u00edmos da competitividade e fomos para outro ponto, que \u00e9 garantir o n\u00edvel de emprego. \u00c9 preciso que o governo avalie qual o custo-benef\u00edcio de continuar renovando esse subs\u00eddio para essa quantidade de setores.&#8221;<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, destaca Barros, as fontes de receitas n\u00e3o recorrentes est\u00e3o minguando, em fun\u00e7\u00e3o principalmente da redu\u00e7\u00e3o de pagamentos de dividendos das estatais Petrobras e Eletrobras \u00e0 Uni\u00e3o. Esse movimento tem sido compensado nos \u00faltimos anos por meio dos bancos p\u00fablicos, mas o pesquisador pondera que a Caixa Econ\u00f4mica Federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) est\u00e3o sujeitos a regras prudenciais, que restringem o pagamento continuado de remessas elevadas ao Tesouro Nacional.<\/p>\n<p>Assim, sem uma revis\u00e3o na composi\u00e7\u00e3o do crescimento das despesas e da pol\u00edtica de est\u00edmulos tribut\u00e1rios, o pesquisador avalia que ser\u00e1 bastante complicado o governo recompor sua capacidade de garantir resultados fiscais mais robustos no m\u00e9dio prazo. Segundo Barros, a sinaliza\u00e7\u00e3o da trajet\u00f3ria das contas p\u00fablicas para al\u00e9m de 2014 \u00e9 t\u00e3o ou mais importante para recuperar a credibilidade da pol\u00edtica fiscal do que o an\u00fancio da meta de super\u00e1vit para este ano, a ser feito nesta semana.<\/p>\n<p>Para diminuir a press\u00e3o sobre o super\u00e1vit prim\u00e1rio tamb\u00e9m nos pr\u00f3ximos anos, o especialista sugere que o governo reavalie, al\u00e9m da quest\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, das pens\u00f5es do INSS e dos cortes &#8220;diretos&#8221; de impostos, o que ele chama de &#8220;subs\u00eddios indiretos&#8221; &#8211; quando, por exemplo, o Tesouro Nacional faz empr\u00e9stimos ao BNDES. &#8220;Isso \u00e9 um gasto indireto que tem um custo fiscal, porque o Tesouro se endivida pela taxa Selic e recebe do BNDES com a corre\u00e7\u00e3o da TJLP [Taxa de Juros de Longo Prazo]&#8221;, explica Barros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 2008, quando o governo brasileiro come\u00e7ou a adotar desonera\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias para amortecer a queda da atividade econ\u00f4mica e, ao mesmo tempo, a participa\u00e7\u00e3o de receitas extraordin\u00e1rias ganhou peso na gera\u00e7\u00e3o de super\u00e1vits prim\u00e1rios, o efeito l\u00edquido das duas rubricas s\u00f3 foi positivo para o resultado fiscal em 2010 e 2011, gra\u00e7as \u00e0 capitaliza\u00e7\u00e3o da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p28224-16t","jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":2927,"url":"https:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/2013\/05\/desoneracao-afeta-ritmo-das-receitas-do-inss\/","url_meta":{"origin":4245,"position":0},"title":"Desonera\u00e7\u00e3o afeta ritmo das receitas do INSS","author":"Clayton Teles das Merces","date":"15 maio 2013","format":false,"excerpt":"O ritmo de crescimento da arrecada\u00e7\u00e3o das receitas previdenci\u00e1rias e do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) - Rendimentos do Trabalho est\u00e1 desacelerando neste ano em decorr\u00eancia do aumento das desonera\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias promovidas pelo governo federal. 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