{"id":4171,"date":"2014-01-27T16:33:33","date_gmt":"2014-01-27T18:33:33","guid":{"rendered":"http:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/?p=4171"},"modified":"2014-01-27T16:33:33","modified_gmt":"2014-01-27T18:33:33","slug":"inflacao-e-contas-publicas-dois-estilos-de-cobertura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/2014\/01\/inflacao-e-contas-publicas-dois-estilos-de-cobertura\/","title":{"rendered":"Infla\u00e7\u00e3o e contas p\u00fablicas, dois estilos de cobertura"},"content":{"rendered":"<p>Pelo menos uma pauta econ\u00f4mica para janeiro estava fixada j\u00e1 no fim do ano. Os juros b\u00e1sicos haviam chegado a 10%. Uma nova alta seria anunciada no dia 15 pelo Banco Central (BC). Poderia ser o \u00faltimo grande lance contra a infla\u00e7\u00e3o. S\u00f3 faltava saber se a taxa seria elevada para 10,25% ou 10,5%. A maior parte das apostas, no mercado financeiro, favorecia a primeira hip\u00f3tese, mas, nesse caso, ainda poderia haver um segundo aumento neste ano.<\/p>\n<p>As previs\u00f5es come\u00e7aram a mudar em cima da hora. As decis\u00f5es do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), formado por diretores do BC, s\u00e3o formalizadas no fim de uma reuni\u00e3o de dois dias. A reuni\u00e3o ocorreu pouco depois de conhecidos os n\u00fameros finais da infla\u00e7\u00e3o oficial de 2013. O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) havia subido 0,92% em dezembro e 5,91% no ano. Os juros foram elevados para 10,5%, por unanimidade.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o pode ter sido tomada com alguns dias de anteced\u00eancia. Pelo ritual, os membros do Copom s\u00f3 discutem o assunto no segundo dia da reuni\u00e3o, mas cada um pode formar sua convic\u00e7\u00e3o antes disso. Conhecido o IPCA de dezembro, no entanto, qualquer decis\u00e3o mais branda que a alta de 0,5 ponto poderia parecer estranha.<\/p>\n<p>Pelo menos dois grandes jornais juntaram as duas not\u00edcias na manchete de quinta-feira (16\/1). \u201cCom a infla\u00e7\u00e3o em alta, BC sobe juros para 10,5%\u201d, informou a Folha de S.Paulo. \u201cInfla\u00e7\u00e3o acima do previsto faz BC elevar juro a 10,5%\u201d, noticiou o Estado de S.Paulo. A maior parte das estimativas havia indicado para dezembro uma alta de pre\u00e7os pouco acima 0,7%. Com isso, o n\u00famero acumulado no ano ficaria abaixo de 5,84%, o resultado final de 2012. O governo havia prometido mais de uma vez um n\u00famero menor que o do ano anterior. O BC havia apoiado essa promessa. A infla\u00e7\u00e3o convergiria para a meta j\u00e1 neste ano, embora devesse ficar acima de 4,5% pelo menos at\u00e9 2015. N\u00e3o deu certo.<\/p>\n<p>Repasse atrasado<\/p>\n<p>A promessa foi descumprida. Conhecido o resultado final da infla\u00e7\u00e3o, o presidente do BC, Alexandre Tombini, divulgou uma nota para se explicar. A resist\u00eancia do IPCA, segundo ele, acabou sendo maior que a prevista. Com essa nota, ele parece ter apenas cumprido a obriga\u00e7\u00e3o de reconhecer o resultado ruim. A imprensa deu muito espa\u00e7o aos n\u00fameros da infla\u00e7\u00e3o, lembrou a aposta do governo e publicou opini\u00f5es de analistas sobre a decis\u00e3o do Copom. Os especialistas discutiram tamb\u00e9m a evolu\u00e7\u00e3o prov\u00e1vel da pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>Houve o costumeiro esfor\u00e7o de decifra\u00e7\u00e3o da nota distribu\u00edda pelo BC, como sempre lac\u00f4nica. As conclus\u00f5es dos v\u00e1rios analistas foram divergentes. Para alguns, a express\u00e3o \u201cneste momento\u201d deixava espa\u00e7o para novos aumentos de juros. Para outros, a nota indicava o fim do ciclo de alta. Tudo bem, tudo normal \u00e0 primeira vista. Mas a imprensa praticamente se limitou a cobrir os assuntos mais evidentes \u2013 a nova eleva\u00e7\u00e3o da taxa, a infla\u00e7\u00e3o acima da prevista e os coment\u00e1rios previs\u00edveis dos especialistas. O servi\u00e7o, no entanto, poderia ter sido mais completo.<\/p>\n<p>J\u00e1 se conheciam, nessa altura, algumas pr\u00e9vias da infla\u00e7\u00e3o de janeiro, divulgadas pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas e pela Fipe-USP. Essas informa\u00e7\u00f5es indicavam acelera\u00e7\u00e3o da alta dos pre\u00e7os ao consumidor. Um pouco mais de aten\u00e7\u00e3o a esses n\u00fameros teria tornado a cobertura mais nutritiva e mais temperada.<\/p>\n<p>Se o assunto fosse proposto aos entrevistados, eles teriam de avaliar tamb\u00e9m a evolu\u00e7\u00e3o prov\u00e1vel dos pre\u00e7os. Poderiam tornar mais detalhados seus coment\u00e1rios sobre as pr\u00f3ximas decis\u00f5es do Copom. Mas os jornais passaram longe dessas not\u00edcias mais frescas. Se houve alguma refer\u00eancia aos novos indicadores, foi muito vaga. Mesmo as proje\u00e7\u00f5es do mercado para ao IPCA deste ano ficaram sem destaque na cobertura. Os jornais foram notavelmente comedidos. Limitaram-se a mostrar o estouro das previs\u00f5es de 2013, sem juntar ao quadro os maus sinais das primeiras pr\u00e9vias.<\/p>\n<p>Mas os jornais nem sempre s\u00e3o t\u00e3o comedidos e t\u00e3o pouco ambiciosos. O tratamento dado \u00e0 infla\u00e7\u00e3o e \u00e0 decis\u00e3o do Copom contrastou com a dissec\u00e7\u00e3o minuciosa das contas p\u00fablicas. Desde o come\u00e7o do m\u00eas os jornais vinham desmontando o resultado fiscal anunciado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.<\/p>\n<p>Segundo ele, o governo central havia fechado o ano com R$ 75 bilh\u00f5es de super\u00e1vit prim\u00e1rio, a economia destinada ao pagamento de juros. O desmonte come\u00e7ou imediatamente. A informa\u00e7\u00e3o do ministro foi complementada pela refer\u00eancia a algumas receitas at\u00edpicas de 2013, como os R$ 15 bilh\u00f5es pagos pelos vencedores da licita\u00e7\u00e3o do campo de Libra, do pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>O trabalho continuou nas semanas seguintes, com mat\u00e9rias sobre o grande aumento dos restos a pagar e o atraso nas transfer\u00eancias obrigat\u00f3rias de verbas para Estados e munic\u00edpios, mencionado pelo Valor na edi\u00e7\u00e3o de segunda-feira (13\/1). O super\u00e1vit prim\u00e1rio, segundo essas mat\u00e9rias, havia sido alcan\u00e7ado com aquelas receitas at\u00edpicas e com uma por\u00e7\u00e3o de manobras destinadas a aliviar as contas do fim do ano.<\/p>\n<p>De nenhum modo, portanto, o resultado fiscal seria explic\u00e1vel por uma pol\u00edtica austera. O detalhe mais grave revelado pelo desmonte apareceu no Estado de S.Paulo na sexta-feira (17\/1): \u201cGoverno segura repasse do SUS em dezembro e ajuda super\u00e1vit prim\u00e1rio\u201d. O repasse atrasado, segundo a reportagem, somou R$ 2,66 bilh\u00f5es. De acordo com a mat\u00e9ria, nem a sa\u00fade escapou das manobras para ajeitar o balan\u00e7o federal. Faltou esse vigor no tratamento da infla\u00e7\u00e3o e da decis\u00e3o do Copom.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo menos uma pauta econ\u00f4mica para janeiro estava fixada j\u00e1 no fim do ano. Os juros b\u00e1sicos haviam chegado a 10%. Uma nova alta seria anunciada no dia 15 pelo Banco Central (BC). Poderia ser o \u00faltimo grande lance contra a infla\u00e7\u00e3o. S\u00f3 faltava saber se a taxa seria elevada para 10,25% ou 10,5%. 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