{"id":3939,"date":"2013-12-12T16:11:39","date_gmt":"2013-12-12T18:11:39","guid":{"rendered":"http:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/?p=3939"},"modified":"2013-12-12T16:11:39","modified_gmt":"2013-12-12T18:11:39","slug":"desmitificando-o-imposto-territorial-rural-itr","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/2013\/12\/desmitificando-o-imposto-territorial-rural-itr\/","title":{"rendered":"Desmitificando o Imposto Territorial Rural \u2013 ITR"},"content":{"rendered":"<p>O Imposto Territorial Rural (ITR) foi criado em 1891 junto com a constitui\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, e tinha como finalidade estimular a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria no pa\u00eds, j\u00e1 que nesse per\u00edodo o Brasil estava come\u00e7ando a desbravar suas \u00e1reas. A responsabilidade dos estados pela cobran\u00e7a e administra\u00e7\u00e3o do imposto foi mantida nas constitui\u00e7\u00f5es de 1934, 1937, e 1946. Em 1961, o ITR foi transferido aos munic\u00edpios e, em 1964 com a emenda constitucional n\u00ba 10, o imposto passou a ser compet\u00eancia da Uni\u00e3o. Com a promulga\u00e7\u00e3o do Estatuto da Terra em 1964 imp\u00f4s fun\u00e7\u00f5es extrafiscais ao imposto que passou em princ\u00edpio a auxiliar as pol\u00edticas p\u00fablicas de desconcentra\u00e7\u00e3o da terra.<\/p>\n<p>Depois da promulga\u00e7\u00e3o do Estatuto da Terra, a cobran\u00e7a do ITR torna-se responsabilidade do INCRA. Com isso, a finalidade do imposto, que \u00e9 auxiliar as pol\u00edticas p\u00fablicas de descentraliza\u00e7\u00e3o da terra, estava longe de ser alcan\u00e7ada. Assim, o ITR nunca chegou a constituir uma boa fonte de receita e tampouco conseguiu promover as mudan\u00e7as desejadas no meio rural e tampouco contribui e dificilmente contribuir\u00e1 para alterar as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4mica-sociais na agricultura brasileira.<\/p>\n<p>Percebendo isso o Governo Federal resolveu desenhar um novo cen\u00e1rio para o ITR, com a promulga\u00e7\u00e3o da constitui\u00e7\u00e3o de 1988, dizendo que este imposto ser\u00e1 fiscalizado e cobrado pelo munic\u00edpio que assim optarem, na forma da lei, desde que n\u00e3o implique redu\u00e7\u00e3o do imposto ou qualquer outra forma de ren\u00fancia fiscal.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica n\u00e3o mudou nada, pois o ITR continua sendo um imposto federal, os propriet\u00e1rios rurais continuam enviando anualmente a declara\u00e7\u00e3o para a receita federal, a receita federal cria a malha fiscal, por\u00e9m a \u00fanica mudan\u00e7a \u00e9 que essas informa\u00e7\u00f5es da malha passaram a ser transferida para os munic\u00edpios fazerem o trabalho de fiscaliza\u00e7\u00e3o, cobran\u00e7a e lan\u00e7amento do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio.<\/p>\n<p>Os mun\u00edcios de Mato Grosso come\u00e7aram a fazer o conv\u00eanio junto \u00e0 receita federal a partir de 2009. Hoje j\u00e1 temos 120 munic\u00edpios no Estado de Mato Grosso que aderiram a esse processo, mais s\u00f3 13 est\u00e3o habilitados efetivamente para fiscalizar. Isso ocorre porque para o munic\u00edpio poder ter acesso as informa\u00e7\u00f5es do ITR ele tem que disponibilizar um fiscal efetivo do munic\u00edpio para fazer um treinamento online dado pela ESAF (Escola Superior de Administra\u00e7\u00e3o Fazend\u00e1ria) e somente ap\u00f3s a conclus\u00e3o desse treinamento que o munic\u00edpio estar\u00e1 habilitado a ter acesso as informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Sabemos que a grande celeuma desse novo cen\u00e1rio \u00e9 que a Receita Federal n\u00e3o dava a import\u00e2ncia necess\u00e1ria na fiscaliza\u00e7\u00e3o do ITR, por isso ao longo de todos esses anos o ITR n\u00e3o era devidamente fiscalizado. A Receita Federal preferia fiscalizar outros impostos como o IRRF e deixava o ITR de lado, com isso o ITR passou a ser conhecido como imposto dos 10, pois os propriet\u00e1rios rurais por orienta\u00e7\u00e3o dos profissionais de contabilidade foram incentivados a omitir nas informa\u00e7\u00f5es das declara\u00e7\u00f5es, para que pudesse pagar o valor m\u00ednimo que \u00e9 de 10 reais.<\/p>\n<p>Tive a oportunidade de rodar o Estado de Mato Grosso num projeto da Famato em parceria com a AMM, o CRC e a Receita Federal, levando informa\u00e7\u00f5es a todos esses elos envolvidos sobre esse novo cen\u00e1rio do ITR. Voltando dessa rodada, percebi que os propriet\u00e1rios rurais ainda n\u00e3o deram a devida import\u00e2ncia a esse imposto. Agora, com os munic\u00edpios fazendo esse trabalho de fiscaliza\u00e7\u00e3o, os propriet\u00e1rios rurais correm o risco de sofrer no bolso as diferen\u00e7as dos valores reais pagos na \u00e9poca mais as multas que podem chegar at\u00e9 225% do valor original.<\/p>\n<p>Outro ponto importante que pude observar \u00e9 que alguns munic\u00edpios est\u00e3o vendo nesse novo cen\u00e1rio a possibilidade de aumentar suas receitas e ainda h\u00e1 alguns que est\u00e3o vendo nesse imposto, a resolu\u00e7\u00e3o das dificuldades financeira do munic\u00edpio, pois quem aderiu ao conv\u00eanio recebe 100% do imposto arrecadado.<\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 certa, os munic\u00edpios querem arrecadar mais, os propriet\u00e1rios rurais querem pagar menos. Ent\u00e3o, fica a pergunta: Ser\u00e1 que esse novo cen\u00e1rio n\u00e3o ser\u00e1 transformado em uma guerra fiscal? Ser\u00e1 que os munic\u00edpios est\u00e3o preocupados em arrecadar mais em vez de melhor aplicar esse recurso?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Imposto Territorial Rural (ITR) foi criado em 1891 junto com a constitui\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, e tinha como finalidade estimular a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria no pa\u00eds, j\u00e1 que nesse per\u00edodo o Brasil estava come\u00e7ando a desbravar suas \u00e1reas. 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