{"id":3557,"date":"2013-10-10T13:16:45","date_gmt":"2013-10-10T16:16:45","guid":{"rendered":"http:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/?p=3557"},"modified":"2013-10-10T13:16:45","modified_gmt":"2013-10-10T16:16:45","slug":"declaracao-falsa-para-reduzir-imposto-e-aumentar-restituicao-e-crime-de-sonegacao-nao-de-estelionato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/2013\/10\/declaracao-falsa-para-reduzir-imposto-e-aumentar-restituicao-e-crime-de-sonegacao-nao-de-estelionato\/","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o falsa para reduzir imposto e aumentar restitui\u00e7\u00e3o \u00e9 crime de sonega\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de estelionato"},"content":{"rendered":"<p>(Not\u00edcias STJ)<\/p>\n<p>Data: 10\/10\/2013<\/p>\n<p>A conduta de quem presta informa\u00e7\u00e3o falsa na declara\u00e7\u00e3o de ajuste anual do Imposto de Renda para reduzir o tributo devido amolda-se ao crime de sonega\u00e7\u00e3o fiscal (artigo 1\u00b0, inciso I, da Lei n\u00ba 8.137\/90) e n\u00e3o ao crime de estelionato (artigo 171, par\u00e1grafo 3\u00b0, do C\u00f3digo Penal), e se tal conduta gerou restitui\u00e7\u00e3o indevida do imposto retido na fonte isso \u00e9 apenas consequ\u00eancia do delito, desnecess\u00e1ria para a sua configura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O entendimento \u00e9 da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), que rejeitou recurso do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) contra uma contribuinte do Paran\u00e1. O MPF recorreu ao STJ alegando que a contribuinte, ao prestar declara\u00e7\u00f5es falsas sobre despesas com servi\u00e7os m\u00e9dicos, teria cometido estelionato, pois n\u00e3o houve apenas supress\u00e3o ou redu\u00e7\u00e3o de tributo, mas &#8220;conduta fraudulenta com a finalidade de obter vantagem indevida&#8221;, consistente na restitui\u00e7\u00e3o de imposto nos anos-base 2000 e 2001 &#8211; o que chegou a ser obtido.<\/p>\n<p>O recurso foi interposto contra decis\u00e3o do Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o (TRF4), que concluiu que o objetivo da contribuinte era a redu\u00e7\u00e3o do tributo devido e, por essa raz\u00e3o, enquadrou-a no artigo 1\u00b0 da Lei n\u00ba 8.137, aplicando o princ\u00edpio da especialidade.<\/p>\n<p>Para o TRF4, a norma inscrita no artigo 1\u00b0 da Lei n\u00ba 8.137 possui sobre a prevista no artigo 171, par\u00e1grafo 3\u00b0, do C\u00f3digo Penal uma particular condi\u00e7\u00e3o objetiva e outra subjetiva: o sujeito passivo do crime tribut\u00e1rio \u00e9 o fisco, e n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio o erro da v\u00edtima, de modo que a consuma\u00e7\u00e3o da sonega\u00e7\u00e3o fiscal independe desse aspecto subjetivo.<\/p>\n<p>Restitui\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Ao analisar o caso, o relator, ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, destacou que n\u00e3o prospera o argumento ministerial de que a conduta n\u00e3o gerou a supress\u00e3o de tributo, mas sim teve por finalidade o recebimento de vantagem il\u00edcita, raz\u00e3o pela qual seria estelionato e n\u00e3o crime contra a ordem tribut\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ele observou que, no caso de ser apurado imposto a pagar no momento da declara\u00e7\u00e3o anual, deve ser feito o recolhimento; se tiver havido reten\u00e7\u00e3o na fonte em valores superiores ao imposto devido, \u00e9 efetivada a restitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Apenas se a declara\u00e7\u00e3o falsa constante da declara\u00e7\u00e3o de ajuste anual tiver o cond\u00e3o de suprimir tributo que seria devido \u00e9 que haver\u00e1 a percep\u00e7\u00e3o da indevida restitui\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, a restitui\u00e7\u00e3o indevida nada mais \u00e9 do que consequ\u00eancia do tributo indevidamente suprimido pela afirma\u00e7\u00e3o falsa&#8221;, concluiu o ministro, ao afastar a configura\u00e7\u00e3o do estelionato.<\/p>\n<p>Extin\u00e7\u00e3o da punibilidade<\/p>\n<p>O MPF recorreu tamb\u00e9m contra o entendimento do TRF4 de que o parcelamento da d\u00edvida firmado entre a contribuinte e o fisco, em data anterior ao recebimento da den\u00fancia, implica a extin\u00e7\u00e3o da punibilidade, nos termos do artigo 34 da Lei 9.249\/95. Para o MPF, apenas o parcelamento n\u00e3o bastaria, mas seria necess\u00e1rio o pagamento dos valores sonegados, antes do recebimento da den\u00fancia, para haver a extin\u00e7\u00e3o da punibilidade.<\/p>\n<p>O ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior considerou que a afirma\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o \u00e9 coerente com a jurisprud\u00eancia do STJ em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 extin\u00e7\u00e3o da punibilidade prevista pelo artigo 34 da Lei n\u00ba 9.249\/95. Por\u00e9m, no caso julgado, o parcelamento do d\u00e9bito ocorreu apenas em 2006, j\u00e1 na vig\u00eancia da Lei n\u00ba 10.684\/03, quando o simples parcelamento j\u00e1 n\u00e3o era suficiente para a extin\u00e7\u00e3o da punibilidade, exigindo-se o pagamento integral da d\u00edvida, a qualquer tempo.<\/p>\n<p>Acontece que, segundo informou o ju\u00edzo de primeiro grau, o d\u00e9bito foi extinto por quita\u00e7\u00e3o do parcelamento em janeiro de 2010. Assim, o ministro reconheceu que, com a quita\u00e7\u00e3o integral da d\u00edvida, ocorreu a extin\u00e7\u00e3o da punibilidade, nos termos do artigo 9\u00b0, par\u00e1grafo 2\u00b0, da Lei n\u00ba 10.684.<\/p>\n<p>O caso<\/p>\n<p>Segundo consta dos autos, a contribuinte, nos exerc\u00edcios de 2001 e 2002, obteve rendimentos tribut\u00e1veis de R$ 23.698,34 e R$ 26.923,39, sendo retidos na fonte os valores de R$ 1.395,68 e R$ 1.833,39, respectivamente.<\/p>\n<p>Ao deduzir R$ 6.323,92 e R$ 8.598,33, a t\u00edtulo de despesas m\u00e9dicas fict\u00edcias, prestou declara\u00e7\u00e3o falsa \u00e0s autoridades fazend\u00e1rias e reduziu o valor do tributo devido nas duas declara\u00e7\u00f5es para R$ 71,26 e R$ 181,58. Assim, obteve indevidamente a restitui\u00e7\u00e3o de R$ 2.100,00, decorrente da redu\u00e7\u00e3o do montante do tributo devido nos dois exerc\u00edcios. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Not\u00edcias STJ) Data: 10\/10\/2013 A conduta de quem presta informa\u00e7\u00e3o falsa na declara\u00e7\u00e3o de ajuste anual do Imposto de Renda para reduzir o tributo devido amolda-se ao crime de sonega\u00e7\u00e3o fiscal (artigo 1\u00b0, inciso I, da Lei n\u00ba 8.137\/90) e n\u00e3o ao crime de estelionato (artigo 171, par\u00e1grafo 3\u00b0, do C\u00f3digo Penal), e se tal [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p28224-Vn","jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":896,"url":"https:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/2012\/05\/receita-desarticula-quadrilha-especializada-em-fraudes-no-ir\/","url_meta":{"origin":3557,"position":0},"title":"Receita desarticula quadrilha especializada em fraudes no IR","author":"Clayton Teles das Merces","date":"4 maio 2012","format":false,"excerpt":"A opera\u00e7\u00e3o On\u00e7a Preta, realizada em conjunto entre as Receita e a Pol\u00edcia Federal, desarticulou nesta quinta-feira (3) uma quadrilha acusada de fraudar a DIRPF (Declara\u00e7\u00e3o do Imposto sobre a Renda da Pessoa F\u00edsica) para obten\u00e7\u00e3o de restitui\u00e7\u00f5es indevidas. 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