{"id":2971,"date":"2013-05-22T13:47:26","date_gmt":"2013-05-22T16:47:26","guid":{"rendered":"http:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/?p=2971"},"modified":"2013-05-22T13:47:26","modified_gmt":"2013-05-22T16:47:26","slug":"fiscalizacao-e-arrecadacao-do-itr","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/2013\/05\/fiscalizacao-e-arrecadacao-do-itr\/","title":{"rendered":"Fiscaliza\u00e7\u00e3o e arrecada\u00e7\u00e3o do ITR"},"content":{"rendered":"<p>Pela ordem constitucional antecedente o produto da arrecada\u00e7\u00e3o do imposto sobre a propriedade territorial rural, conhecido pela sigla ITR, era integralmente destinado para o munic\u00edpio onde se localizava o im\u00f3vel rural objeto de tributa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal vigente ficou mantida a destina\u00e7\u00e3o de 50% do imposto arrecadado aos munic\u00edpios.<\/p>\n<p>Contudo, houve uma inova\u00e7\u00e3o. O ITR poder\u00e1 ser fiscalizado e cobrado pelos munic\u00edpios, por op\u00e7\u00e3o, nos termos da lei, &#8220;desde que n\u00e3o implique redu\u00e7\u00e3o do imposto ou qualquer outra forma de renuncia fiscal&#8221; (art. 153, \u00a7 4\u00ba, III da CF). Nessa hip\u00f3tese, 100% do produto da arrecada\u00e7\u00e3o pertencer\u00e1 ao munic\u00edpio fiscalizador e arrecadador.<\/p>\n<p>A ressalva da parte final inciso III, do \u00a7 4\u00ba, doart. 153 da CF\u00e9 dispens\u00e1vel, pois a delega\u00e7\u00e3o para fiscalizar e arrecadar n\u00e3o significa delega\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia tribut\u00e1ria. E s\u00f3 quem det\u00e9m a compet\u00eancia tribut\u00e1ria pode legislar.<\/p>\n<p>O ITR continua na compet\u00eancia impositiva da Uni\u00e3o porque, consoante j\u00e1 escrevemos, esse imposto &#8220;tradicionalmente tem sido utilizado como um dos instrumentos de reforma agr\u00e1ria, de pol\u00edtica agr\u00edcola, seria a express\u00e3o mais adequada, desde que saiu da compet\u00eancia impositiva dos munic\u00edpios para ingressar no \u00e2mbito da compet\u00eancia tribut\u00e1ria da Uni\u00e3o, a partir da Emenda n\u00ba 18\/1965&#8221; (1).<\/p>\n<p>Regulamentando aquele dispositivo constitucional, a Lei n\u00ba 11.250\/05autorizou a SRF a celebrar com o DF e munic\u00edpios conv\u00eanios para delegar as atribui\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o e arrecada\u00e7\u00e3o do ITR, com a observ\u00e2ncia da legisla\u00e7\u00e3o federal competente.<\/p>\n<p>Com base nessa lei e nos demais dispositivos legais e constitucionais pertinentes, o Executivo baixou oDecreto n\u00ba 6.433, de 15-4-2008, instituindo o Comit\u00ea Gestor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural &#8211; CGITR &#8211; com a atribui\u00e7\u00e3o de dispor sobre as mat\u00e9rias relativas \u00e0 op\u00e7\u00e3o pelos munic\u00edpios e Distrito Federal, para fins de fiscaliza\u00e7\u00e3o, lan\u00e7amento e cobran\u00e7a do imposto.<\/p>\n<p>O CGITR \u00e9 composto de tr\u00eas representantes da administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria federal e tr\u00eas representantes do munic\u00edpio ou Distrito Federal, al\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, sem direito a voto, prestando-lhe o apoio e assessoramento jur\u00eddico necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>A impugna\u00e7\u00e3o administrativa do lan\u00e7amento, assim como os recursos, ser\u00e3o protocolizados na administra\u00e7\u00e3o tributaria municipal, que proceder\u00e1 \u00e0 instru\u00e7\u00e3o do processo respectivo, encaminhando-o \u00e0 unidade de julgamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (art. 15, \u00a7 1\u00ba). As consultas ser\u00e3o processadas e decididas pela SRF (\u00a7 2\u00ba, doart. 15).<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es judiciais referentes ao ITR ser\u00e3o ajuizadas em face da Uni\u00e3o, que ser\u00e1 representada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (art. 16), devendo os munic\u00edpios e o DF prestar aux\u00edlios \u00e0 PGFN quanto \u00e0 mat\u00e9ria de fato (\u00a7 1\u00ba, doart. 16).<\/p>\n<p>A cobran\u00e7a do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio cabe \u00e0 Uni\u00e3o, por meio da PGFN que proceder\u00e1 \u00e0 sua inscri\u00e7\u00e3o na d\u00edvida ativa, efetivando-se, ao depois, a transfer\u00eancia dos valores cobrados ao munic\u00edpio ou ao DF (\u00a7 2\u00ba, doart. 16).<\/p>\n<p>Decorridos mais de 4 anos da implanta\u00e7\u00e3o do CGITR, \u00f3rg\u00e3o colegiado incumbido de operacionalizar a execu\u00e7\u00e3o dos conv\u00eanios firmados com os munic\u00edpios e DF, o desempenho dos munic\u00edpios optantes pela arrecada\u00e7\u00e3o do imposto n\u00e3o \u00e9 dos melhores, em fun\u00e7\u00e3o de burocracias reinantes no \u00e2mbito da SRF para repasse dos dados armazenados naquele \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Na verdade, com a signatura do conv\u00eanio, os dados cadastrais referentes a im\u00f3veis rurais situados no munic\u00edpio optante deveriam ser-lhes automaticamente transferidos.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso remover o entrave pol\u00edtico-burocr\u00e1tico que est\u00e1 prejudicando parcialmente a finalidade visada pela delega\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia fiscalizadora e arrecadadora. Antes, a efic\u00e1cia da fiscaliza\u00e7\u00e3o e arrecada\u00e7\u00e3o estava parcialmente comprometida em face da aus\u00eancia de \u00f3rg\u00e3os da Uni\u00e3o em todos os munic\u00edpios. Agora, os munic\u00edpios optantes t\u00eam a efic\u00e1cia no processo de fiscaliza\u00e7\u00e3o e arrecada\u00e7\u00e3o do ITR parcialmente prejudicada por falta de repasse dos dados cadastrais dos im\u00f3veis pela Secretaria da Receita Federal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela ordem constitucional antecedente o produto da arrecada\u00e7\u00e3o do imposto sobre a propriedade territorial rural, conhecido pela sigla ITR, era integralmente destinado para o munic\u00edpio onde se localizava o im\u00f3vel rural objeto de tributa\u00e7\u00e3o. Pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal vigente ficou mantida a destina\u00e7\u00e3o de 50% do imposto arrecadado aos munic\u00edpios. Contudo, houve uma inova\u00e7\u00e3o. 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