{"id":2847,"date":"2013-05-03T17:01:37","date_gmt":"2013-05-03T20:01:37","guid":{"rendered":"http:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/?p=2847"},"modified":"2013-05-03T17:01:37","modified_gmt":"2013-05-03T20:01:37","slug":"pis-e-cofins-e-o-software-importado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/2013\/05\/pis-e-cofins-e-o-software-importado\/","title":{"rendered":"PIS e Cofins e o software &#8216;importado&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>A defini\u00e7\u00e3o do que seja software &#8220;importado&#8221; \u00e9 relevante para fins de incid\u00eancia do PIS e da Cofins porque enquanto a comercializa\u00e7\u00e3o, o licenciamento ou cess\u00e3o de direito de uso de softwares &#8220;nacionais&#8221; est\u00e3o sujeitos \u00e0 incid\u00eancia cumulativa dessas contribui\u00e7\u00f5es, a comercializa\u00e7\u00e3o, o licenciamento e a cess\u00e3o de direito de uso de softwares &#8220;importados&#8221; sujeitam-se \u00e0 incid\u00eancia n\u00e3o cumulativa dessas contribui\u00e7\u00f5es (cfr. art. 10, par\u00e1grafo 2\u00ba, da Lei n\u00ba 10.833, de 2003). Mas saber o que \u00e9 software nacional ou importado n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, especialmente no caso de software disponibilizado via download.<\/p>\n<p>Software importado \u00e9 software estrangeiro qualificado, qualificado pelo fato de ter sido introduzido no territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Podem existir softwares estrangeiros (e estrangeiros porque seus desenvolvedores\/c\u00f3digos\/etc. n\u00e3o est\u00e3o jur\u00eddica nem fisicamente no Brasil) que s\u00e3o irrelevantes para legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria brasileira. A relev\u00e2ncia do software estrangeiro apenas ganha destaque quando por algum motivo passe a guardar rela\u00e7\u00e3o de conex\u00e3o com o territ\u00f3rio nacional e passe a ser referido como software importado.<\/p>\n<p>O problema, por isso, prende-se \u00e0 quest\u00e3o de saber em que preciso momento o software at\u00e9 ent\u00e3o s\u00f3 estrangeiro passa a ser considerado software importado.<\/p>\n<p>Para responder a essa quest\u00e3o entendemos que \u00e9 preciso, em primeiro lugar, relembrar que o conceito de importa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais ato jur\u00eddico que ato f\u00edsico, de modo que nem todo ingresso f\u00edsico no territ\u00f3rio nacional constituir\u00e1 importa\u00e7\u00e3o se n\u00e3o houver nacionaliza\u00e7\u00e3o (ou o ingresso jur\u00eddico do bem na economia nacional). N\u00e3o por outra raz\u00e3o, e para ficar em alguns poucos exemplos, o ingresso no territ\u00f3rio nacional de bagagem acompanhada ou de bens que tenham ingressado por erro n\u00e3o \u00e9 considerado importa\u00e7\u00e3o. E isso porque embora seja inconteste que tenham ingressado fisicamente no pa\u00eds n\u00e3o foram nacionalizados.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9, portanto, qualquer ingresso f\u00edsico no territ\u00f3rio nacional que pode ser caracterizado como importa\u00e7\u00e3o. Esse ingresso deve ser &#8220;qualificado&#8221; pela capacidade de nacionalizar o bem.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 qualquer ingresso f\u00edsico no pa\u00eds que \u00e9 caracterizado como importa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Mas ainda que fosse poss\u00edvel supor que a importa\u00e7\u00e3o pudesse ser caracterizada como um mero ato f\u00edsico e n\u00e3o como ato jur\u00eddico, mesmo nesse caso, imperioso ainda seria que esse ingresso (meramente f\u00edsico ou &#8220;qualificado&#8221;) se d\u00ea no territ\u00f3rio nacional. Afinal, do ponto de vista brasileiro s\u00f3 pode ser considerado importado aquilo que venha de fora para dentro do territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>At\u00e9 aqui, portanto, para classificar o bem como importado seriam suficientes dois requisitos (ambos objetivos): (i) exist\u00eancia de ingresso (f\u00edsico ou &#8220;qualificado&#8221;) do bem; e (ii) que esse ingresso seja no territ\u00f3rio nacional. Sendo irrelevante, portanto, os aspectos subjetivos da opera\u00e7\u00e3o (e.g., nacionalidade ou resid\u00eancia das partes envolvidas).<\/p>\n<p>Mas ent\u00e3o como e quando se configuraria esse ingresso no territ\u00f3rio nacional na hip\u00f3tese de download de software por meio da internet? A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 trivial.<\/p>\n<p>Um sa\u00edda poss\u00edvel seria a de supor que, a exemplo do territ\u00f3rio, o espa\u00e7o a\u00e9reo e o mar territorial, existiria uma territ\u00f3rio virtual nacional. Algo que, embora intang\u00edvel, pudesse ser considerado como parte do territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Com base nessa suposi\u00e7\u00e3o seria poss\u00edvel argumentar que feito o download, o software teria &#8220;ingressado&#8221; no territ\u00f3rio virtual nacional e, portanto, teria sido &#8220;importado&#8221; (supondo-se, para facilitar o racioc\u00ednio, que a quest\u00e3o sobre a forma do ingresso tivesse sido superada&#8230;). E isso resolveria a quest\u00e3o. Mas n\u00e3o \u00e9 bem assim.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 bem assim porque a pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o desse territ\u00f3rio nacional virtual seria incerta e despertaria in\u00fameros questionamentos. Afinal, o que configuraria esse territ\u00f3rio virtual nacional? Estar o servidor do adquirente localizado no Brasil? Em caso de sociedade brasileira com servidor localizado no exterior n\u00e3o haveria, ent\u00e3o, importa\u00e7\u00e3o? IP brasileiro seria essencial? Mas e se o download for feito por uma empresa brasileira atrav\u00e9s de servidor localizado nos EUA (nesse caso, o IP de download seria americano)? Basta que a m\u00e1quina na qual o software rode esteja no Brasil? Mas e os casos de esta\u00e7\u00f5es &#8220;burras&#8221;, em que o software rode remotamente? Etc.<\/p>\n<p>Embora altamente complexa, a rigor essa quest\u00e3o de saber quando e em que circunst\u00e2ncias se considera que o software objeto de download tenha ingressado no territ\u00f3rio nacional precisa ser enfrentada de frente na determina\u00e7\u00e3o do que \u00e9 e do que n\u00e3o \u00e9 software importado. Mas o fato \u00e9 que a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o fez isso. E se n\u00e3o fez, n\u00e3o se pode exigir que o contribuinte o fa\u00e7a. Representaria, em realidade, ofensa aos princ\u00edpios da proporcionalidade e razoabilidade imputar ao contribuinte o \u00f4nus de perquirir e desenvolver esse conceito nada trivial de software &#8220;importado&#8221;, especialmente enquanto exista, por for\u00e7a de lei e do costume, um conceito de importa\u00e7\u00e3o h\u00e1 bastante tempo assente.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que entendemos que na aus\u00eancia de dispositivo de lei que defina o que seja software &#8220;importado&#8221; o mais razo\u00e1vel \u00e9 concluir que essa qualifica\u00e7\u00e3o remeta, quase que por remiss\u00e3o por absor\u00e7\u00e3o, ao conceito legal de importa\u00e7\u00e3o. Conceito esse, a rigor, s\u00f3 aplic\u00e1vel aos bens sujeitos a desembara\u00e7o aduaneiro &#8211; o que obviamente n\u00e3o \u00e9 o caso dos softwares disponibilizados via download que, n\u00e3o pass\u00edveis de importa\u00e7\u00e3o, est\u00e3o fora do \u00e2mbito de aplica\u00e7\u00e3o do par\u00e1grafo 2\u00ba do art. 10 da Lei n\u00ba 10.833, de 2003.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A defini\u00e7\u00e3o do que seja software &#8220;importado&#8221; \u00e9 relevante para fins de incid\u00eancia do PIS e da Cofins porque enquanto a comercializa\u00e7\u00e3o, o licenciamento ou cess\u00e3o de direito de uso de softwares &#8220;nacionais&#8221; est\u00e3o sujeitos \u00e0 incid\u00eancia cumulativa dessas contribui\u00e7\u00f5es, a comercializa\u00e7\u00e3o, o licenciamento e a cess\u00e3o de direito de uso de softwares &#8220;importados&#8221; sujeitam-se [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false}}},"categories":[],"tags":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p28224-JV","jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":5002,"url":"https:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/2014\/09\/vendas-de-computadores-tablets-e-smartphones-nao-pagam-piscofins\/","url_meta":{"origin":2847,"position":0},"title":"Vendas de computadores, tablets e smartphones n\u00e3o pagam PIS\/Cofins","author":"Clayton Teles das Merces","date":"22 setembro 2014","format":false,"excerpt":"Para manter o incentivo nas vendas pelo comercio varejista de computadores, notebooks, tablets, smartphones e roteadores digitais a pre\u00e7os mais baixos, o governo decidiu, em agosto deste ano, prorrogar a al\u00edquota zero de PIS\/Cofins para esses produtos. 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