{"id":1763,"date":"2012-08-09T14:03:36","date_gmt":"2012-08-09T17:03:36","guid":{"rendered":"http:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/?p=1763"},"modified":"2012-08-09T14:03:36","modified_gmt":"2012-08-09T17:03:36","slug":"consumidor-pode-pedir-restituicao-de-imposto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/2012\/08\/consumidor-pode-pedir-restituicao-de-imposto\/","title":{"rendered":"Consumidor pode pedir restitui\u00e7\u00e3o de imposto"},"content":{"rendered":"<p>As concession\u00e1rias de energia s\u00e3o obrigadas por lei a recolher o imposto.<\/p>\n<p>Os consumidores de energia el\u00e9trica t\u00eam legitimidade para pedir na Justi\u00e7a a restitui\u00e7\u00e3o ou a compensa\u00e7\u00e3o de valores pagos do Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS). A decis\u00e3o, un\u00e2nime, foi proferida ontem pela 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), respons\u00e1vel pelos processos de direito p\u00fablico. O julgamento ter\u00e1 impacto sobre todas as a\u00e7\u00f5es relativas ao tema, que foi analisado por meio de recurso repetitivo.<br \/>\nO relator do recurso do Estado de Santa Catarina, ministro Cesar Asfor Rocha, entendeu que impedir o ajuizamento de pedidos de ressarcimento por consumidores seria &#8220;perverso&#8221; diante das normas que regem a atividade das concession\u00e1rias de energia que, segundo ele, s\u00e3o &#8220;bra\u00e7os fortes do Estado&#8221;. &#8220;O consumidor ficaria relegado e desprotegido&#8221;, disse.<\/p>\n<p>O entendimento, segundo advogados, flexibiliza a jurisprud\u00eancia do STJ. Em 2010, a 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o considerou &#8211; tamb\u00e9m em recurso repetitivo &#8211; que distribuidoras de bebidas n\u00e3o teriam compet\u00eancia para ajuizar a\u00e7\u00f5es de restitui\u00e7\u00e3o. Na ocasi\u00e3o, os ministros entenderam que apenas os fabricantes teriam legitimidade para pleitear na Justi\u00e7a a devolu\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).<\/p>\n<p>A Procuradoria-Geral do Estado de Santa Catarina citou o precedente para defender a tese de que a Multicolor T\u00eaxtil n\u00e3o teria legitimidade para pedir a restitui\u00e7\u00e3o do ICMS. O \u00f3rg\u00e3o entende que a empresa \u00e9 &#8220;contribuinte de fato&#8221; do ICMS, mas n\u00e3o de direito. As concession\u00e1rias de energia s\u00e3o obrigadas por lei a recolher o imposto. Entretanto, o custo fiscal \u00e9 repassado aos consumidores na composi\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do servi\u00e7o. &#8220;Tributa-se pelo ICMS n\u00e3o a compra, mas a venda de mercadorias e servi\u00e7os&#8221;, afirmou o procurador Fernando Filgueiras, acrescentando que, mesmo admitindo-se ser o repasse do imposto no pre\u00e7o indevido, &#8220;o consumidor n\u00e3o est\u00e1 legitimado a ajuizar a\u00e7\u00e3o contra o Estado&#8221;.<\/p>\n<p>O ministro Asfor Rocha, entretanto, posicionou-se de forma contr\u00e1ria, apesar de o C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional (CTN) permitir a restitui\u00e7\u00e3o apenas pelo contribuinte de direito. Para ele, o precedente de 2010 n\u00e3o se aplica \u00e0 discuss\u00e3o que envolve as concession\u00e1rias de energia. Isso porque as regras da concess\u00e3o do servi\u00e7o trazem particularidades importantes para decidir a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele citou, por exemplo, que a legisla\u00e7\u00e3o que regula as concess\u00f5es permite o reajuste de tarifas de energia quando houver cria\u00e7\u00e3o ou aumento de tributos. Al\u00e9m disso, &#8220;o Estado e as concession\u00e1rias est\u00e3o do mesmo lado, n\u00e3o h\u00e1 diverg\u00eancias e sempre se evitar\u00e1 embates desgastantes&#8221;, segundo o ministro.<\/p>\n<p>Asfor Rocha afirmou ainda &#8220;n\u00e3o ter not\u00edcia&#8221; de a\u00e7\u00f5es ajuizadas por distribuidoras de energia. &#8220;Elas n\u00e3o querem ter \u00f4nus pol\u00edtico de entrar com a\u00e7\u00f5es&#8221;, disse, acrescentando que n\u00e3o haveria benef\u00edcio econ\u00f4mico \u00e0s concession\u00e1rias mesmo que sa\u00edssem vitoriosas. Isso porque teriam que devolver os recursos aos consumidores, contribuintes de fato do imposto.<\/p>\n<p>No julgamento, o ministro Teori Zavaski disse que a decis\u00e3o imp\u00f5e limite ao precedente de 2010, classificado por ele como &#8220;decis\u00e3o radical&#8221;. Para o ministro, tirar a legitimidade do consumidor implicaria preju\u00edzo no acesso \u00e0 Justi\u00e7a para os contribuintes. Segundo o ministro Arnaldo Esteves, o reconhecimento da legitimidade evitar\u00e1, inclusive, o enriquecimento sem causa do Estado.<\/p>\n<p>Como o caso foi julgado por meio de recurso repetitivo, os ministros da 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o decidiram j\u00e1 aplicar o entendimento a um caso id\u00eantico do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>A procuradoria de Santa Catarina informou que vai estudar a possibilidade de recorrer da decis\u00e3o. J\u00e1 o advogado da Multicolor T\u00eaxtil n\u00e3o foi localizado pelo Valor para comentar o caso.<\/p>\n<p>Para o tributarista Julio de Oliveira, do escrit\u00f3rio Machado Associados, a decis\u00e3o ter\u00e1 grande impacto para contribuintes e o pr\u00f3prio Fisco. &#8220;No longo prazo pode ser um reconhecimento did\u00e1tico para Estados que cobram impostos fora da legalidade&#8221;, disse. Ele acrescenta que a diferencia\u00e7\u00e3o entre contribuinte de fato e de direito \u00e9 ultrapassada. &#8220;No fim das contas, todos os tributos s\u00e3o repassados para o pre\u00e7o.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As concession\u00e1rias de energia s\u00e3o obrigadas por lei a recolher o imposto. Os consumidores de energia el\u00e9trica t\u00eam legitimidade para pedir na Justi\u00e7a a restitui\u00e7\u00e3o ou a compensa\u00e7\u00e3o de valores pagos do Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS). 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