{"id":1462,"date":"2012-07-11T14:51:34","date_gmt":"2012-07-11T17:51:34","guid":{"rendered":"http:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/?p=1462"},"modified":"2012-07-11T14:51:34","modified_gmt":"2012-07-11T17:51:34","slug":"cobranca-fiscal-nao-pode-ser-redirecionada-para-os-socios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escritacontabilidade.adv.br\/blog\/2012\/07\/cobranca-fiscal-nao-pode-ser-redirecionada-para-os-socios\/","title":{"rendered":"Cobran\u00e7a fiscal n\u00e3o pode ser redirecionada para os s\u00f3cios"},"content":{"rendered":"<p>A cobran\u00e7a de d\u00e9bitos fiscais n\u00e3o pode ser redirecionada para os s\u00f3cios apenas pelo ind\u00edcio de que a empresa foi fechada de forma irregular. O posicionamento un\u00e2nime dos ministros da 1\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) chamou a aten\u00e7\u00e3o de advogados por significar uma flexibiliza\u00e7\u00e3o da s\u00famula n\u00ba 435, editada pela Corte em 2010. &#8220;\u00c9 uma decis\u00e3o que imp\u00f5e limite \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do Fisco, al\u00e9m de proteger as empresas que n\u00e3o cometeram fraude, mas apenas mudaram de endere\u00e7o sem comunicar a Receita&#8220;, afirma o advogado Marcelo Annunziata, do Demarest &#038; Almeida Advogados.<\/p>\n<p>Pela s\u00famula, a dissolu\u00e7\u00e3o irregular \u00e9 presumida quando a empresa deixa de funcionar no endere\u00e7o declarado oficialmente, sem informar aos \u00f3rg\u00e3os competentes, fato que legitimaria o redirecionamento da execu\u00e7\u00e3o fiscal para os s\u00f3cios ou gerentes.<br \/>\nAo analisar o caso, o ministro Napole\u00e3o Maia Filho afirmou que a certifica\u00e7\u00e3o do oficial de justi\u00e7a de que a empresa n\u00e3o funciona mais no endere\u00e7o cadastrado &#8220;\u00e9 insuficiente&#8220; para passar a cobran\u00e7a a pessoas f\u00edsicas. &#8220;O pronto redirecionamento depende de pr\u00e9via apura\u00e7\u00e3o das raz\u00f5es pelas quais tal fato ocorreu, bem como da comprova\u00e7\u00e3o do elemento subjetivo na conduta il\u00edcita do s\u00f3cio&#8220;, diz na decis\u00e3o.<br \/>\nCom isso, os ministros da 1\u00aa Turma concordaram que a s\u00famula do STJ deve ser interpretada de outro ponto de vista. Ou seja, de que a n\u00e3o localiza\u00e7\u00e3o da empresa no endere\u00e7o indicado \u00e9 apenas ind\u00edcio de seu fechamento irregular. Mas isso, afirma o ministro Napole\u00e3o, &#8220;por si s\u00f3 e independente de qualquer outro elemento&#8220;, \u00e9 insuficiente para o redirecionamento imediato da cobran\u00e7a.<br \/>\nO assunto foi analisado a partir de um recurso da Fazenda Nacional que contestava decis\u00e3o do ministro Napole\u00e3o Maia Filho. Ele negou o prosseguimento do recurso no STJ e manteve decis\u00e3o do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1\u00aa Regi\u00e3o. Os desembargadores da Corte federal haviam autorizado a retirada dos nomes de dois empres\u00e1rios baianos de um processo de execu\u00e7\u00e3o fiscal por entenderem que a falta de localiza\u00e7\u00e3o da empresa n\u00e3o \u00e9 considerada infra\u00e7\u00e3o \u00e0 lei &#8220;capaz de imputar a responsabilidade pessoal dos s\u00f3cios&#8220;.<\/p>\n<p>Para a Fazenda, entretanto, a decis\u00e3o do ministro que negou o andamento do recurso no STJ contraria a jurisprud\u00eancia pac\u00edfica da Corte sobre a quest\u00e3o e tamb\u00e9m a interpreta\u00e7\u00e3o sobre a invers\u00e3o do \u00f4nus da prova ao contribuinte. Em muitos casos, dizem advogados, pessoas f\u00edsicas s\u00e3o cobradas e t\u00eam contas banc\u00e1rias bloqueadas a pedido do Fisco como meio de garantir o pagamento de d\u00e9bitos fiscais de empresas das quais foram s\u00f3cios.<br \/>\nPara o ministro Napole\u00e3o, no entanto, \u00e9 de responsabilidade da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) provar que a empresa fechou de maneira irregular. &#8220;Ao meu sentir, como a declara\u00e7\u00e3o de dissolu\u00e7\u00e3o irregular importa no reconhecimento de uma infra\u00e7\u00e3o, \u00e9 inadmiss\u00edvel essa conclus\u00e3o sem pr\u00e9vio procedimento&#8220;, diz o ministro.<br \/>\nPara advogados que representam as empresas, a decis\u00e3o separa o joio do trigo. Ou seja, diferencia as companhias com d\u00e9bitos fiscais que fecham sem comunicar o fato ao Fisco e indicar um respons\u00e1vel daquelas que simplesmente mudam de endere\u00e7o e n\u00e3o informam os \u00f3rg\u00e3os competentes. &#8220;A paralisa\u00e7\u00e3o das atividades n\u00e3o pode ser equiparada \u00e0s situa\u00e7\u00f5es em que os s\u00f3cios usaram a companhia para a pr\u00e1tica de fraudes e abusos de direito, especialmente no contexto de crise&#8220;, afirma o advogado Francisco Giardina, do escrit\u00f3rio Bichara, Barata &#038; Costa Advogados.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise de tributaristas, a decis\u00e3o pode tra\u00e7ar uma tend\u00eancia de julgamento diferente do que vinha ocorrendo. &#8220;\u00c9 um bom ind\u00edcio de que h\u00e1 mudan\u00e7a no STJ a favor dos contribuintes&#8220;, diz Jos\u00e9 Antenor Nogueira da Rocha, s\u00f3cio do Nogueira da Rocha Advogados. Segundo Leonel Pittzer, do Rzezinski &#038; Fux Advogados, o impacto ser\u00e1 abrangente caso a interpreta\u00e7\u00e3o da 1\u00aa Turma seja consolidada. &#8220;A maioria do redirecionamentos \u00e9 feita com base apenas na falta de localiza\u00e7\u00e3o da empresa&#8220;, afirma.<br \/>\nPara a Fazenda Nacional, a decis\u00e3o contraria frontalmente a jurisprud\u00eancia j\u00e1 consolidada pelo STJ. &#8220;N\u00e3o reflete uma flexibiliza\u00e7\u00e3o da s\u00famula, mas sim sua inobserv\u00e2ncia&#8220;, diz o \u00f3rg\u00e3o em nota. Apesar disso, a procuradoria considera o julgamento isolado e afirma que o tema da dissolu\u00e7\u00e3o irregular n\u00e3o foi tratado de forma direta porque o m\u00e9rito dessa discuss\u00e3o n\u00e3o foi analisado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cobran\u00e7a de d\u00e9bitos fiscais n\u00e3o pode ser redirecionada para os s\u00f3cios apenas pelo ind\u00edcio de que a empresa foi fechada de forma irregular. 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